Bem-Vindos. Sentem-se em volta da fogueira, peguem uma xícara de chá e comecemos a aprender os mistérios antigos e a desvendar segredos esquecidos. Trilhem connosco a floresta sobre o olhar atento da Lua...

Novos artigos serão sempre publicados à quinta-feira.



segunda-feira, 12 de junho de 2017

As Leis do Retorno: Para todos?


O tema que trago hoje é um pouco controverso, porém, necessário de debater pois só através do debate e das conversas se chegamos a conclusão produtivas. Espero conseguir ser clara no que escrevo.

Vários são os caminhos dentro do Paganismo e da Bruxaria que lidam com Leis do Retorno, como a Wicca por exemplo. É do conhecimento geral que a Wicca tem a Lei Tríplice na qual indica que tudo o que um praticante fizer voltará para si três vezes, seja bom ou mau. Outros caminhos têm leis semelhantes mas existe a tendência, dentro das nossas comunidades, de tentar aplicar leis que são específicas de uma tradição (como é o caso da Lei Tríplice) a todos os praticantes de Bruxaria e Paganismo no geral, mesmo que estes não sejam Wiccanos. O que, claramente, é uma abordagem errada. Não só estamos a tentar impor um valor que não pertence ao caminho que a pessoa segue como estamos a tirar o valor à prática daquela pessoa apenas porque ela não segue o mesmo tipo de conduta do que nós.

Este acusar o próximo tornou-se bastante predominante e visível durante, por exemplo, a controvérsia de bruxos que fizeram rituais contra o Donald Trump nos EUA ou contra o Temer no Brasil. Muitos recorreram às redes sociais para condenar outros praticantes pelo uso de magia contra uma determinada pessoa e argumentando que irão receber de volta tudo o que eles enviaram e que irão sofrer na pele as consequências, apesar de as pessoas que praticaram estes ritos, em grande parte dos casos, nem seguem qualquer lei do retorno ou, se a seguem, têm consciência do que fizeram. Quando abríamos a caixa de comentários no Facebook, por exemplo, grande parte dos comentários eram a insultar pessoas, condenar, discriminar e exactamente o oposto do que nós, como comunidades, devemos fazer. Eu própria tive pessoas a insultarem-me apenas por afirmar que nem todos se regem pelas mesmas leis. Eu, por exemplo, não sigo as Leis do Satanismo LaVey mas há quem as siga. Elas não se aplicam a mim mas aplicam aos praticantes desse caminho.

Todo o Bruxo tem consciência das suas acções e quais as consequências das mesmas, segundo o seu código pessoal de ética e de trabalho. Estarmos a impor as nossas crenças (mesmo que sejam éticas, como a Lei Tríplice) noutros praticantes que não fazem parte do nosso caminho ou tradição é a mesma coisa do que Cristãos impondo a Pagãos que eles irão para o Inferno. Como pode ir um pagão para o Inferno se nem acreditamos nele? E como pode um Bruxo sofrer efeitos de uma Lei na qual não acredita nem segue?

Com isto eu não quero dizer que a Lei do Retorno ou a Lei Tríplice está bem ou mal e que deve ou não ser utilizada, pelo contrário! Quero apenas dizer que ela apenas se aplica a quem a tem presente na sua prática e ética. Pessoalmente tenho a Lei do Retorno nas minhas práticas, não sobre o conceito de Lei Tríplice mas diferente. Porém tenho plena consciência que muitos praticantes não seguem qualquer tipo de lei de retorno e, como tal, não tenho nada que falar acerca da mesma ou de possíveis consequências com eles. Não se aplica.

Ou seja, a conclusão deste artigo, não é que as Leis do Retorno são más ou boas, não é o facto de elas existirem ou não mas sim o facto de que não são dogmas absolutos e que devem ser adoptados por todos os que praticam Bruxaria ou seguem caminhos dentro do Paganismo. As Leis devem ser aplicadas aos caminhos às quais elas correspondem e, cabe a cada um de nós, respeitar isso e respeitar que há quem não partilhe o mesmo estilo de prática do que eu. O que eu mais amo dentro do Paganismo e da Bruxaria em geral é a diversidade, é o quanto conseguimos ser diferentes uns dos outros e seguir caminhos tão variados e cheios de vida e de conteúdo. E, parte dessa diversidade, é também na forma como encaramos o Mundo e as nossas acções nele.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Como ser discreto?

Todos sabemos como é complicado ter de restringir a nossa prática porque vivemos num local (com a família, em dormitório de universidade, com colegas de casa/quarto, etc) que não nos permite expressar a nossa prática. Acabamos por sentir-nos desmotivados, sem energia e sem vontade de fazer as coisas e eventualmente isso começa a prejudicar o nosso desenvolvimento pois acabamos por dedicar menos tempo à nossa prática e ao nosso estudo. Uma boa técnica para resolver esta situação é tentar adaptar as nossas práticas e as coisas que fazemos diariamente de forma a se tornarem algo muito discreto e que mal se note que é parte da nossa prática (isto é particularmente útil quando estamos a viver com familiares ou amigos que não aprovem o nosso caminho religioso).

Por exemplo um dos pensamentos mais comuns da maioria dos praticantes é: "Onde posso montar o meu altar"? E sentem-se logo desanimados quando notam que não têm condições ou espaço ou forma de criar um altar sem que seja descoberto. É aqui que a imaginação deve entrar em jogo: Porque não fazer o seu altar numa gaveta? Numa caixa de madeira, por exemplo? Pode sempre fechar à chave e guardar debaixo da cama. Pode fazer o seu altar de adaptações. Por exemplo ao invés de ter os símbolos tradicionais dos elementos pode encontrar uma pequena pedra e desenhar um símbolo para o Fogo, outra pedra com símbolo do Ar, etc. São coisas discretas e que por norma passam despercebidas. Se gostar de Pop Magic, por exemplo, pode até utilizar figuras de filmes ou séries para representar os elementos ou as divindades, dependendo de como a sua prática pessoal e caminho pessoal são. A chave para a adaptação é a imaginação e a forma como esta é posta em prática.

Por exemplo estava a ler um livro recentemente em que o autor falava como uma conhecida dele criou um altar dentro de um guarda-fato! As portas impediam que as pessoas de fora soubessem o que estava lá dentro mas, ao abrir as portas, revelava um altar com um Deus e uma Deusa e elementos, as paredes estavam pintadas com os tons do céu e com estrelas, Lua e Sol e todas as decorações que ela gostaria de ver no seu espaço sagrado. E aí ela fazia as suas práticas diárias, os seus cultos e, ao fechar as portas, ninguém saberia o que lá estava dentro sendo que até pode ser fechado à chave. 

Outra solução é também, por exemplo, ter vasos com plantas. Há várias plantas são associadas aos vários elementos e também a divindades, se a sua prática as incluir. Pode sempre cultivar essas plantas dentro de casa e falar com elas, colocar oferendas (como adubo, água, nutrientes de plantas, etc.) para as entidades as quais elas estão ligadas e, dessa forma, ter um altar improvisado sem que ninguém desconfie porque, afinal de contas, são só plantas né? 

Em casos mais complicados, em que não tem mesmo possibilidade nenhuma de ter nada físico para representar o seu altar ou o seu espaço mágico, pode também recorrer ao Templo Astral ou então a outros métodos como criar um objecto que ande sempre consigo (colar, pulseira, anel, rosário de divindade ou de elementos, etc) e que esteja consagrado para o transportar e representar a sua prática. Um exemplo prático disto , por exemplo, é a criação de um rosário a uma divindade. O rosário, apesar de ser uma prática tipicamente cristã, pode ser adaptada para a nossa realidade criando-o ligado a uma divindade (ou aos elementos, depende da sua prática) através de combinação de cristais e materiais. Após a consagração desse rosário, ele acaba por servir como ponte de ligação a essa divindade e, cada vez que meditar com ele ou se concentrar nele, estará estabelecendo ligação com a divindade ou entidade em questão. Este método é bastante prático pois ninguém vai suspeitar de uma simples pulseira ou colar.

Outro método para ser discreto, e aqui já falando mais a nível de trabalhos mágicos, é a utilização de sigilos ou de alfabetos mágicos para estudos. Pode colocar sigilos nas suas coisas, pode utilizar sigilos ou símbolos discretos no trabalho (por baixo do seu teclado ou dentro do seu uniforme). Hoje em dia muitos dos símbolos relacionados com a Bruxaria e com o Paganismo estão a tornar-se como símbolos da moda. Isto pode ser tanto mau (a banalização do símbolo) como também pode ser bom pois permite o seu uso de forma mais pública sem que exista um estigma logo associado à sua utilização. Por exemplo é comum ver hoje em dia pessoas com colares de luas, conchas, pássaros, entre outros símbolos que podem ser utilizados para representar divindades, elementos ou entidades com as quais estabeleça relação na sua prática pessoal.

No caso de banhos de purificação, por exemplo, imagine que vive com a família e que não pode utilizar sal para tomar banho ou ervas. Isto é comum porque muitos pais não aceitam esta prática, achando-a estranha ou até perigosa (para os mais religiosos). Uma alternativa discreta a isto será tomar banho com cristais. Pode consagrar um cristal para atuar como método de limpeza energética e tê-lo presente quando toma banho. Ou, em alternativa, pode apenas utilizar a própria água em si, sem qualquer aditivo, para realizar a sua limpeza energética (isto nunca descartando o trabalho de visualização, é claro).

Uma das características que mais gosto na Magia, no Paganismo e até na Bruxaria é a fantástica capacidade de adaptação que estes caminhos nos permitem. A prática pode ser adaptada ao caminho de cada um, dependendo das dificuldades ou facilidades que cada um tem mas nada torna uma prática menos válida do que a outra, desde que a mesma seja válida para quem a pratica. Por isso seja criativo, veja como pode adaptar a sua prática para ela não se perca nas limitações. Afinal de contas o nosso caminho é trilhado não só pelos fáceis caminhos da planície mas também pelos escuros trilhos da floresta.