Bem-Vindos. Sentem-se em volta da fogueira, peguem uma xícara de chá e comecemos a aprender os mistérios antigos e a desvendar segredos esquecidos. Trilhem connosco a floresta sobre o olhar atento da Lua...

Novos artigos serão sempre publicados à quinta-feira.



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Elementais: O que são?


Hoje iremos falar dos Elementais. Os elementais são personificações de aspectos da Natureza e estão presentes em inúmeras culturas ao longo da história (greco-romana, shinto, tribos da América do Norte, entre outros). Neste artigo, e ao longo desta série, irei focar-me nos elementais do ponto de vista de Paracelsus nomeadamente o conceito que elementais são criaturas que personificam os quatro elementos:

Terra - Gnomos
Água - Ondinas
Ar - Silfos
Fogo - Salamandras

Historicamente falando o conceito de Paracelsus dos elementais advém de várias tradições religiosas e mitólogicas, sendo que as suas raízes podem ser atribuídas ao folclore, animinismo e antropomorfismo. Algumas dessas criaturas são, por exemplo, os Pigmeus da Grécia Antiga ou as Ocêanides também do mesmo período. Este conceito acredita-se ter sido estabelecido e estruturado no século XVI, pelo próprio Paracelsus, apesar de ele não lhe chamar "elementais" nem outro nome semelhante.

Tanto para Paracelsus como para a Antiguidade Clássica os quatro elementos principais - que se consideravam como sendo os blocos primários e fundamentais da Natureza - são a Água, o Fogo, a Terra e o Ar. Para o alquimista os elementais eram seres que se encontravam entre os espíritos e as criaturas, sendo invisíveis para o Homem mas tendo características físicas e estrutura corporal parecida à do Homem tal como desempenhando as funções básicas (comer, dormir, etc.).

Paracelsus descreveu, em várias ocasiões, como seriam estes elementais (algo que será aprofundado no artigo de cada respectivo elemental) e indicada que os mesmos poderiam circular dentro do seu próprio elemento tal como os humanos andam pelo ar (ex: Gnomos atravessam rochas e terra, etc). O autor indicou também que estes elementais se mantém estáveis e sobrevivem no seu respectivo elemento mas que, pelo contrário, morrem nos restantes elementos (Um Gnomo não sobrevive no elemento Água, uma Salamandra não sobrevive no elemento Terra, etc).

O conceito de Elementares foi continuamente explorado e falado em diversas tradições como no Rosicrucianismo e também (num conceito parecido mas não igual) no Jainismo.

Também nos media em geral e no folclore a ideia de seres elementais e pertencentes à Natureza fazem parte das nossas tradições através de variados contos sobre fadas, gnomos, sereias, salamandras, duendes e muitos outros seres que representam os elementos e as suas forças e energias primordiais.

Ao longo desta série iremos desenvolver mais sobre cada um dos elementais acima mencionados. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O Tarot: Arcanos Maiores - 0 O Louco

0 - O Louco


Nome do Arcano: O Louco
Número: 0
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Louco surge como um jovem homem a andar em direcção a um precípio. É também representado como tendo um pequeno cão junto a si e, na sua mão, tem uma rosa branca e, na outra, algumas posses (representadas numa vara com um saco na ponta). No fundo tem ainda umas montanhas atrás e um Sol a brilhar por cima dele. *
Símbologia: O Sol representa o início da jornada sendo que o pequeno cão será um guia ao longo da mesma. No saco o Louco tem todos os materiais que poderá precisar mas, sem saber, ainda não os usou nem os viu. A rosa branca na sua mão representa a inocência e a pureza do Louco e, as montanhas atrás dele, o Espírito e o mundo de onde saiu e por onde vai passar a jornada a tentar voltar. 
Significado: O Louco é a carta que marca o início da jornada. Cada Arcano Maior é um marco na jornada do Louco e nas suas aprendizagens ao longo do caminho, sendo que a carta 0 marca esse começo.

  • Posição Normal
Na sua posição normal o Louco é uma carta de potencial e novos começos. Representa a necessidade de iniciar uma jornada e pode, ao mesmo tempo, representar a necessidade de tomar uma decisão ou escolha de caminho, a partir do qual iremos percorrer para atingir um determinado objectivo. Este Arcano representa o potencial máximo na vida e o estado de aventura e de determinação. O Louco representa que tudo poderá acontecer, os caminhos e oportunidades estão abertos e à espera que a decisão seja tomada.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Este arcano invertido tem o significado oposto representando uma negligência total pelas consequências dos actos. Representa o agir sem pensar e sem fazer um planeamento do percurso a tomar, acabando por gerar situações inesperadas e imprevísiveis. O Louco Invertido alerta-nos para tomarmos cuidado no nosso caminho e atenção ao que estamos a fazer, sendo que é necessário ter juízo e calma para lidar com o que está à nossa frente. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Como fazer um altar para os Elementos?


Para muitos praticantes o altar é uma das partes essenciais da prática pessoal. É o local onde se presta culto às Divindades ou Entidades, onde deixamos as oferendas, os pedidos, os feitiços e a casa da própria Divindade/Entidade. Hoje falaremos sobre como montar um altar dedicado aos elementos.

Devemos ter em consideração vários factores ao montar o nosso altar: Qual o espaço disponível? Tem privacidade ou partilha o quarto? As pessoas com quem vive aceitam a sua prática ou não? Consegue garantir que ninguém mexe/toca nas suas coisas? Ou é melhor algo mais escondido (dentro um armário ou gaveta)? 

Estas entre outras perguntas são essenciais de colocar a nós próprios antes de começar a organizar o nosso altar. Após tudo pronto e o local escolhido, é altura de criar o altar.

Altar aos Elementos

Um altar aos elementos deverá incluir representações dos cinco elementos: Água, Fogo, Terra, Ar e Espírito (ou Éter). Cada elemento está associado a um determinado aspecto, nomeadamente:

Água: Emoções, Intuição, Cura e Reflexão.
Fogo: Energia Criativa, Inspiração, Vontade e Sexualidade.
Terra: Segurança, Bens Materiais/Dinheiro e Ligação à Natureza.
Ar: Conhecimento, Poder da Mente e Coragem.
Espírito: A interpretação deste elemento é algo pessoal a cada praticante mas geralmente é associado ao renascimento e e à própria existência e equilíbrio.

Vamos falar do que poderá ser associado a cada elemento:

Água: Um cálice ou taça com água ou conchas do mar.
Fogo: Velas, sendo que a cor pode ficar à escolha do praticante ou pode optar por cor branca ou velas de cera de abelha.
Terra: Um prato com sal, um prato de terra, cristais, pedras ou flores.
Ar: Incenso, penas de aves ou até imagens de pássaros ou símbolos de pássaros.
Espírito: Espelho, bola de cristal ou velas brancas. 

É de referir que todos estes objectos podem ser adaptados à prática pessoal de cada um, sendo que aqui no artigo servem apenas como ponto de referência.

Os altares devem ter sempre um pano por baixo (pode ser de uma cor ou padrão que o praticante deseje) para definir que aquele espaço é um altar. É sempre recomendável colocar os elementos na posição dos pontos cardeais como Terra/Norte, Ar/Este, Água/Oeste e Fogo/Sul (e o altar, por norma, é colocado virado para o elemento pretendido sendo que tradiconalmente é o Norte/Terra). Em alternativa podem também dispor os elementos através do símbolo do pentagrama, em cada ponta colocando um elemento.

Há várias formas de montar altares e, acima de tudo, é preciso frisar que os altares devem ser algo bastante pessoal e, como tal, fica ao critério de cada um como deve ser o seu próprio altar. Pode ser algo simples como uma pequena caixa com símbolos ou uma mesa exclusiva e toda decorada. Não tenha vergonha do seu altar nem vergonha de não ser tão elaborado como alguns que veja na Internet e, no canto oposto, também não se gabe de ter altar melhor do que o vizinho. Todos os altares são válidos pois, acima da estética do mesmo, está a intenção e a dedicação com que o altar é feito.

Depois do altar montando é de relembrar que tem de se fazer a sua manutenção. Eu recomendo estabelecer um dia semanal (ou mensal, como preferir) para tratar do altar: limpar o pó, trocar a água e o sal ou a terra, limpar os instrumentos, limpar os restos de cera ou de oferendas e organizar tudo e dedicar algum tempo para o seu altar, afinal de contas, o altar é um dos centros principais da sua prática e a casa dos elementos em sua casa e deve ser visto como tal. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Magia no Outono


Com a chegada do Outono no Hemisfério Norte creio que é a altura ideal para abordarmos algumas coisas básicas a nível de Magia que podem ser feitas durante esta estação! O Outono é a estação do ano que as cores principais são o laranja, amarelo, castelo, vermelhos-escuros e pretos. As folhas estão a cair das árvores, o frio e o vento estão a chegar e no ar já sentimos o cheiro das lareiras acesas, das castanhas assadas e dos leites quentes com chocolate. Como tal, seguem algumas dicas para realizarem durante esta estação e aproveitar ao máximo o que temos ao nosso dispor!

  • Folhas caídas podem ser usadas em feitiços dependendo da árvore e do formato da folha;
  • Chocolate, chá ou café quente podem ser utilizados para diversos tipos de magia como Chocolate Quente para conforto, Cidra de Maçã para amor e saúde, Café para energia e pode sempre adicionar canela para dar uma força extra ou até desenhar sigilos com mel no fundo da caneca antes de beber;
  • Podem utilizar especiarias, frutos ou outros ingredientes da época nas vossas comidas (ou bebidas!) para imensos propósitos como canela para sorte e proteção, gengibre para amor, cravo-da-índia para dinheiro, entre outros;
  • Se gostam de "Pumpkin Spice" podem aproveitar dado que este sabor pode ser associado a protecção e amor familiar;
  • Podem fazer "Jack-O-Lanterns" e colocar velas com ervas a arder no interior para variados feitiços e propósitos;
  • Folhas, abóboras, ramos de árvores, cabaças e frutos secos são objectos óptimos para decorar o altar para esta estação;
  • Nesta altura começam a surgir as velas perfumadas à venda e em promoção, é a altura ideal para comprar e guardar para o ano inteiro e todas as necessidades que possamos ter;
  • Quando o vento começa a soprar com mais força, podemos aproveitar esse vento para fazer limpezas. Quando for na rua e o vento soprar, visualize que está a ser limpo de todas as energias negativas que tem; 
  • Aproveite esta altura do ano para fazer uma Limpeza de Outono em toda a sua casa ou quarto, tanto fisicamente como energeticamente
  • Nas manhãs mais frias em que consegue ver o seu próprio bafo, visualize toda a energia negativa a sair de si e, ao inspirar, visualize a positiva a entrar. 
Existem muitas coisas que podem ser feitas durante o Outono para além das referidas como cozinhar bolos para a família, celebrar os Sabbats (Mabon e Samhain), ler mitos sobre esta altura do ano, organizar almoços e jantares de família com comidas e bebidas encantadas para determinados propósitos, comer castanhas (estão associadas à energia masculina e podem encorajar a fertilidade e abundância) e imensas actividades típicas do Outono!


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Limpeza Energética de Locais

Com a chegada do Outono no Hemisfério Sul e da Primavera no Hemisfério Norte estamos na altura ideal para proceder a uma limpeza energética nas nossas casas, quartos e espaços sagrados. Hoje trago-vos um pequeno ritual de limpeza de espaços, principalmente casas mas pode ser adaptado para qualquer tipo de espaço que necessite de uma limpeza. 

As limpezas devem ser feitas regularmente dado que, mesmo quando tentamos evitar que isso aconteça, há sempre energias a circular pelos espaços e muitas vezes acabam por existir energias negativas (provenientes de discussões, pensamentos negativos, medos, etc.) que ficam nos locais e prejudicam-nos no nosso quotidiano e até no nosso trabalho mágico. Dependendo de onde vivem as limpezas devem ser feitas uma vez por mês ou, se for em sítios mais calmos e afastados de centros urbanos, talvez de dois em dois ou três em três meses. Porém, se houver necessidade de limpezas entre esses períodos, faça! Não precisa de ter receio por fazer limpezas a mais do que as datas que inicialmente estabeleceu. Eu aconselho, por exemplo, a realizar limpezas mensais e, se tiver rendimentos frequentes (ordenado, subsídio, etc.) efectue as limpezas uns dias antes de receber esse dinheiro. Assim garante que o mesmo chega a uma casa positiva o que acaba por torná-lo também algo positivo. 

É ainda de recordar que as limpezas energéticas não libertam de espíritos ou entidades que possam estar agarradas aos locais e também não quebram qualquer tipo de trabalho mágico que tenha sido feito contra alguém. Para isso é necessário recorrer a outros métodos. 

Para começar, abra todas as janelas e portas para permitir um fluxo constante das energias e permitir que as energias negativas saiam do espaço onde estão. Isto vai também ajudar o ar a circular que não só é bom para a saúde mas também uma representação de como queremos que a casa fique limpa. As limpezas energéticas estão intimamente ligadas às limpezas em geral. Afinal de contas, não podemos querer ter uma casa limpa de energias negativas quando a nossa própria casa está suja e uma confusão certo? Então comecemos por limpar a casa, lavar o chão, limpar o pó, arrumar as coisas, lavar a roupa, etc. Enquanto fazemos isto tenha sempre consciente que está a limpar todas as energias negativas, todos os problemas e mágoas que estão no local. Tente visualizar esta limpeza ao máximo, tanto no aspecto físico como no aspecto energético. 

Após a limpeza física estar concluída, podemos passar para a parte ritualística. Existem vários rituais que podem ser utilizados, vou deixar aqui apenas dois: um simples e um mais complexo. 

Purificação dos Elementos 

Este ritual utiliza a energia dos quatro elementos (Terra, Fogo, Água e Ar) para limpar a casa. Pode ser realizado de forma solitária ou em grupo. 

Materiais necessários:

  • Uma tigela ou um prato com sal;
  • Um queimador de incenso;
  • Incenso de Olíbano (pode ser em pó, cone ou pauzinho);
  • Uma vela branca;
  • Uma tigela com água limpa (preferencialmente água corrente);

Coloque os materiais em cima de uma mesa. Acenda o incenso e a vela. Coloque-se em frente da mesa e tente abrir-se para a sua casa, sinta as suas energias e sintonize-se com o que rodeia. 
Após um momento coloque as mãos por cima dos instrumentos e diga:

Eu consagro-vos, instrumentos dos elementos,
Para limpar a minha casa de todo o mal e tristeza,
Assim é a minha vontade, que assim seja! 

Pegue no prato de sal e mova-se no sentido do ponteiro dos relógios dentro de sua casa, atirando um pedaço de sal para cada canto de cada quarto, enquanto diz:

Pelo poder da Terra, eu limpo esta casa. 

Visualize o sal a queimar as energias negativas enquanto o espalha. Tente visualizar o melhor possível, pois isso será o que dá poder à sua acção. Coloque também sal dentro de armários através de portas e janelas abertas. Inclua todas as divisões (incluindo sótão, cave e garagem se tiver). 

Quando terminar com o sal, pegue no incensário. Percorra o mesmo caminho que fez com o sal e visualize o fumo a limpar toda a negatividade e todo o mal da sua casa. Enquanto o faz, diga em intervalos regulares:

Pelo poder do Ar, eu limpo esta casa. 

Quando terminar com o incensário, pegue na vela e trace novamente o mesmo caminho e os mesmos locais. Continue a visualizar as energias negativas a serem queimadas. Em intervalos regulares, diga:

Pelo poder do Fogo, eu limpo esta casa.

Por fim, coloque a vela na mesa e pegue na taça de água. Volte a realizar o mesmo percurso pela sua casa, na direcção do ponteiro do relógio, e borrife água pelo caminho. Atire também algumas gotas pelas janelas e portas. Visualize a água a lavar de todas as energias indesejadas, como a maré. Enquanto o faz, diga em intervalos regulares:

Pelo poder da Água, eu limpo esta casa. 

Volte a colocar a água na mesa e tente sintonizar-se com a sua casa e as suas energias positivas. Verá um ambiente mais leve e tranquilo. Caso não sinta, repita novamente até sentir. 

Por fim, feche as portas e janelas. Se o tempo permitir deixe o sal, o incenso, a vela e a água juntos até a vela e o incenso terminarem de queimar. 

Nota: Os textos e frases podem ser adaptados, tente apenas manter o objectivo semelhante ao descrito.

A Purificação da Vassoura

Este é um método mais simples de limpeza energética, utilizado no Sudeste dos Estados Unidos e México, principalmente no primeiro dia do mês. Antes do nascer do Sol pegue um falho de qualquer árvore (lembrando-se de agradecer à árvore e deixar uma oferenda como pagamento). 

De seguida, obtenha várias flores coloridas em talos longos e ate as mesmas ao galho para que fique uma espécie de uma vassoura. Depois varra o chão de todas as divisões da sua casa com esta vassoura, visualizando as energias negativas a serem absorvidas pelas flores. 

Assim que terminar, e ainda antes do nascer do Sol, deixe a vassoura numa Encruzilhada que tenha perto de casa. 

Fonte: Cunningham, S. (1983). Magical Household. In S. Cunningham, Magical Household (pp. 123, 124). Llewellyn Publications.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O Tarot: Os Arcanos Menores - Swords (Espadas)


Hoje trago o quarto e último artigo da série de Arcanos Menores. Gostaria de recapitular os dois pontos importantes do primeiro artigo, para quem não leu:

Dois pontos importantes:

  1. A maioria das pessoas não utiliza, por norma, as cartas invertidas. Ou seja não lhes aplica nenhum significado específico às mesmas, assumindo o significado normal das cartas na sua posição certa. Porém, e com o objectivo de ser o mais explícita possível e auxiliar independentemente do método, iremos incluir aqui a descrição da carta invertida. O seu uso depende da prática de cada um e fica ao critério do utilizador.
  2. O significado das cartas de Tarot não é algo preto no branco, X ou Y, sim ou não. É algo fluído e dependerá também do próprio leitor, da sua relação com o baralho, das imagens das cartas, da pessoa que está a ser alvo da consulta, etc. Não se guie a 100% por tudo o que lê, tente usar da sua própria intuição e ligação com o seu baralho. 
Em cada artigo iremos falar de um Naipe de forma a não fazer as postagens serem demasiado longas. Hoje falaremos pelo Naipe de Swords (Espadas).

  • Swords (Espadas)
Como o próprio nome indicada este naipe está associado ao naipe de Espadas no baralho comum. O elemento associado a este naipe é o Fogo e representa tudo relacionado a acção em força, o poder e as decisões firmes. Este naipe, numa leitura, normalmente representa uma resposta relacionada com acções necessárias ou já iniciadas, mudanças drásticas devido a necessidade ou circunstância, ambição, competição, defesa e outras coisas que possam requerer decisões mais ousadas.

Ás de Espadas
Significado: Esta carta é como um ponto de exclamação a nível das acções. Existe a necessidade de fazer algo, de agir. Representa o triunfo e é uma carta de grande força, em vários aspectos. Pode ou simbolizar uma grande prosperidade ou uma grande miséria. 

Invertida: Quando invertida tem o mesmo significado, porém, no sentido oposto, ou seja os resultados são quase sempre desastrosos e catastróficos. Pode implicar o fim de um casamento ou a impossibilidade de concepção. 

Dois de Espadas
Significado: A indecisão de qual caminho tomar. Pode representar a conformidade com algo ou, no sentido oposto, a coragem de agir. Há também quem associe a esta carta o simbolismo de carinho e intimidade, de entrega. Porém há que ter em atenção que o naipe de Espadas não é associado a assuntos benevolentes e carinhosos. 

Invertida: Representa a falsidade e pessoas com duas faces, dois objectivos opostos. 

Três de Espadas
Significado: Esta carta representa a quebra de algo, uma divisão, atraso e dispersão. Quando em leituras referentes a amor, como a própria imagem sugere, representa o rompimento de uma relação e término da mesma. 

Invertida: Alienação, perda, desordem, confunsão e erros cometidos.

Quatro de Espadas
Significado: Uma carta com teor negativo, representa a vigilância, solidão, exílio e, como a imagem demonstra, também associado aos caixões e túmulos. 

Invertida: Quando invertida esta carta tem um resultado mais positivo, nomeadamente representa sucesso em termos de administração de negócios. É favorável para a economia mas requer cuidado e cautela na mesma, principalmente dado que a mesma também pode simbolizar a chegada de um testamento. 

Cinco de Espadas
Significado: Esta é uma carta associação à traição, após a batalha. Representa a degredação de algo, destruição, desonra e perda. Nomeadamente que após a sorte e a batalha poderá vir a traição, é o fim ou um ataque/perturbação à sorte que tem vindo a ter.

Invertida: No seu formato invertida a carta tem o mesmo significado, podendo também ser um símbolo de tristeza e de luto. 

Seis de Espadas
Significado: Como a própria imagem demonstra esta carta representa uma viagem, um caminho, muito provavelmente que vá incluir água (viagem de barco, por exemplo). Esta viagem, com base nesta carta, irá também ser agradável e com resultados positivos.

Invertida: Neste sentido a carta desempenha um papel diferente, representando declarações ou confissões, sendo que há quem considere que pode até representar uma proposta de amor. Waite indicava que a mesma representava, enquanto invertida, um assunto legal pouco favorável.

Sete de Espadas
Significado: Esta carta fala-nos de tentativas, desejos, esperança e confiança. Pode também representar ambém brigas e conflitos e planos que podem falhar. Ao interpretar esta carta num lançamento é preciso ter em consideração as cartas que rodeiam. 

Invertida: Invertida a mesma representa conselhos e instruções que podem não ser ouvidos. E também calúnias. 

Oito de Espadas
Significado: O oito de espadas trás consigo más notícias, violência, censura, crise e conflitos. Também pode representar calúnias e doenças. 

Invertida: Quando invertida esta carta representa dificuldade, oposição, acidentes, traição e inquietação. 

Nove de Espadas
Significado: Esta carta fala-nos de ruína absoluta. Pode representar morte, falhanços, abortos, atrasos, decepção,  desilusão e despero. É uma das cartas mais negativas e que traz consigo um mau presságio, segundo o próprio Waite. 

Invertida: Mesmo enquanto invertida esta carta representa aspectos negativos de uma situação nomeadamente dúvida, vergonha, prisão e suspeitas. 

Dez de Espadas
Significado: Para analisar o significado desta carta deveremos ter em consideração as cartas que rodeiam durante o lançamento. Esta carta representa, geralmente, aflição e pânico, tristeza e lágrimas. A origem desta tristeza dependerá do resto da leitura.

Invertida: Vantagem, sucesso e lucro mas tudo temporário. Pode também representar poder e autoridade que é também temporária. 

Pajem de Espadas
Significado: Esta é uma carta que solicita atenção ao que se passa em nosso redor. Por norma representa vigilância, segredos, espionagem, alguém que está a tentar saber mais sobre os assuntos pessoais do alvo da nossa leitura. É também uma representação de autoridade.

Invertida: Invertida representa o lado negativo nomeadamente que o imprevisto e o estar sem preparação. Pode também representar doenças.

Cavaleiro de Espadas
Significado: Esta carta representa a bravura, a destreza, capacidade de nos defendermos, a guerra, destruição, oposição e a resistência. Pode também representar ruína e, dependendo de quais as cartas que a rodeiam, poderá também significar morte.

Invertida: No seu estado invertida representa falta de prudência, incapacidade e extravagâncias. 

Rainha de Espadas
Significado: Esta Rainha traz consigo a tristeza e vergonha feminina, viuvez, ausência de algo ou de alguém, luto, separação e até esterilidade. 

Invertida: Por norma esta carta invertida representa uma má mulher ou má figura feminina, que tem más intenções para com o alvo da leitura. Representa a malícia, bigotria e fraude.

Reis de Espadas
Significado: O Rei de Espadas fala-nos de tudo o que surge do conceito de julgamento como poder, comando, autoridade, inteligência militante e direito. Poderá representar um advogado, senador ou médico na vida pessoal do alvo da leitura. 

Invertida: Quando invertida fala-nos de crueldade, de um homem falso e com más intenções, perverso e bárbaro. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A Religião na Suméria


A civilização Suméria é considerada a primeira civilização na História da Humanidade. Localizada no Crescente Fértil esta civilização perdurou vários séculos, desde 3000 a.C. até cerca de 2350 a.C. 
Apesar de caracterizada por diversas inovações técnicas, decidi focar-me num aspecto importante das civilizações pristinas: A Religião. 

Na Suméria, durante o período denominado de proto-dinástico ou dinástico arcaico, a religião possuía um papel importante na sociedade, pois representava a sua estrutura social. Podemos, até, referir que as cidades sumérias eram caracterizadas pela presença de um templo central e grande parte do poder político de uma cidade estava nas mãos dos seus sacerdotes.

  • O Mito da Criação Sumério
Todas as civilizações possuem, nas suas crenças, um mito da criação, em que justificam a criação do Mundo e do Homem em si. A Suméria não é excepção. Analisando um excerto de um texto sumério, denominado pelos historiadores como “Gilgamesh, Enkidu e os Infernos”, podemos concluir como os sumérios acreditavam que o Mundo tinha sido criado:

Depois de o céu ter sido afastado da Terra, 
Depois da Terra ter sido separada do céu,
Depois de o homem ter sido fixado,
Depois de Án [o deus do céu] ter arrebatado o Céu,
Depois de Enlil [o deus do ar] ter arrebatado a Terra…” 

Assim sendo, podemos concluir, seguindo o raciocínio de Samuel Kramer, em determinada altura existia uma ligação entre a Terra e o Céu e que estes foram afastado, tendo o deus do Céu (Án) levado o Céu e o deus do Ar (Enlil) levado a Terra. Iremos explorar este momento da criação de seguida.

Primeiro, analisemos a questão: quem criou a Terra e o Céu? Esta resposta encontra-se numa placa que contém a lista dos deuses sumérios. Nesta encontramos a referência a Nammu, que está referida como sendo o “mar primordial” ou, mais detalhadamente, “a mãe que deu origem ao céu e à Terra”. 

Assim sendo, chegamos à conclusão que, inicialmente, tudo tinha sido criado pelo mar primordial, segundo os sumérios. Não se sabe ao certo qual a origem deste mar primordial, acreditando-se até que pode ter sido um conceito eternamente existente. 

Retornando ao mito da criação, quando se fala da separação da Terra e do Céu, é necessário entender como esta separação se processou. 

Comecemos primeiro por estabelecer que o mar primordial criou uma montanha, constituída pela união do Céu e da Terra. Porém, o conceito de Céu e Terra não era aquele que conhecemos, de algo físico, mas sim o de entidades. Céu (o deus Án) e Terra (a Deusa Ki) uniram-se e tiveram um filho chamado de Enlil, o deus do Ar. 

Assim, podemos prosseguir à separação do Céu e da Terra: Enlil, deus do ar, levou a sua mãe (Ki) enquanto o seu pai o Céu, Án, prosseguiu um caminho diferente. A união entre Enlil e sua mãe deu origem ao universo organizado: o homem, as plantas, os animais e a civilização.

E assim, se criou o mundo sumério.

  • As Divindades Sumérias
Uma das principais características das divindades sumérias é o seu carácter antropomórfico. Em semelhança ao homem, a divindade suméria possuía características humanas. Bebiam, comiam, agiam, planeavam, casavam e constituíam família e tinham uma vida quotidiana, como se tratassem de humanos. Para os sumérios, as divindades viviam na “Montanha do céu e da terra, o lugar onde o Sol nasce”. Quanto à sua deslocação, acreditava-se que dependia de divindade para divindade. O Deus da Lua, por exemplo, deslocava-se através de barco. Mas, já o deus do Sol viajava de carro ou a pé. Apesar de existirem centenas divindades na religião, existiam quatro divindades principais.
  1. An: Segundo os estudos dos especialistas na sociedade suméria, acredita-se que o deus An, deus do Céu, foi, por longos anos, o considerado deus supremo do panteão. Porém, eventualmente, An perdeu a sua importância, passando a ocupar o lugar de segundo plano no panteão sumério, dando lugar a seu filho, o deus Enlil. Este era responsável pelo céu, pelas constelações, espíritos e demónios e acreditavam que reinava pelas zonas mais altas da região. Ele tinha o poder de julgar crimes e de castigar os criminosos.
  2. Enlil: Enlil era considerado o deus patrono da cidade Nippur, o centro religioso da Suméria. Este cargo dava-lhe bastante importância no panteão, sendo actualmente considerado por especialistas como sendo a divindade mais importante do panteão, o que é confirmado também pela sua presença assídua em orações, oferendas, etc. O que levou a esta ascensão de Enlil, é ignorado pela maioria dos arqueólogos e investigadores, mas, segundo Kramer, existem diversos textos antigos sumérios que se referem a Enlil como “Pai dos Deuses”, o “Rei do Céu e da Terra” e o “Rei de Todos os Países”. Segundo os registos arqueológicos mais recentes, era Enlil que fazia “nascer o dia”, que tinha a piedade dos homens e que controlava o crescimento do Mundo, nomeadamente das plantas e dos animais. Segundo a opinião de Samuel Kramer, Enlil era um deus bondoso, fonte de fartura e de abundância, ao contrário da imagem que é espalhada nas enciclopédias sobre esta divindade, caracterizando-a como sendo violenta e destruidora.
  3. Enki: Este é o terceiro dos principais deuses do panteão sumério. Deus das águas, do artesanato, inteligência e da criação, foi quem organizou inicialmente a Terra, de acordo com as decisões de Enlil. Enki fica também responsável pela criação de diversos aspectos importantes na sociedade suméria tal como o alvião, o molde dos tijolos, instrumentos de construção e ainda enche a planície de vida vegetal e animal. É também considerado o deus de toda a sabedoria e magia, daí o seu cargo elevado na hierarquia do panteão sumério.
  4. Ninhursag: Esta divindade, considerada como deusa-mãe, e muitas vezes conhecida pelo nome de Ninmah (que significa “a dama majestosa”) chegou em tempos a ocupar um cargo mais elevado do que Enlil ou An. Muitos especialistas, acreditam que este se trata de um nome mais recente para Ki (A Terra) que foi esposa de An. Outro nome por que esta deusa é conhecida é Nintu (“a dama que dava à luz”). Esta divindade era considerada como a mãe de todas as criaturas, havendo registos de governadores sumérios afirmarem que eram alimentados pelo “leite de Ninhursag”.
  • O Culto Sumério
Os sacerdotes sumérios desde cedo associaram às diversas cidades diferentes deuses protectores, conforme as suas semelhanças. Um dos exemplos já falados anteriormente, é o da cidade de Nippur, cujo deus patrono era Enlil.

À semelhança do que aconteceria mais tarde na civilização grega, em cada cidade era dado um maior ênfase ao seu deus patrono. Porém, sempre foi dado um maior destaque às cidades de Nippur (com o deus Enlil) e à cidade de Uruk (com o deus An).

Segundo estudos, acredita-se que os deuses patronos de cada cidade são um sinal de que, antes da formação das cidades, os deuses eram espíritos protectores das tribos ou clãs que se localizavam em cada área e, posteriormente, deram origem às cidades sumérias.  

Na Suméria, cada templo era considerado como a casa dos Deuses e estava consagrado a um deus específico, por norma, o deus patrono daquela cidade. Era a sua moradia e o seu palácio, constituído – no caso dos templos maiores, como de Uruk e de Nippur - por um pátio principal, em redor do qual se erguiam divisões particulares, reservado aos seus sacerdotes. Neste templo localizavam-se todas as divisões necessárias para o quotidiano dos sacerdotes e para a realização dos ritos e das celebrações necessárias.

Existiam nas outras cidades também os templos para cada divindade patrono, porém de um tamanho mais reduzido do que aqueles referidos anteriormente. 
Os primeiros templos que surgiram na Suméria eram extremamente simples, estruturas de apenas uma divisão com pouco desenvolvimento arquitectónico, em que a entrada era permitida a toda a população e o altar era localizado no centro da divisão.

Apenas mais tarde se começa a assistir a um desenvolvimento na arquitectura que levou à construção de templos mais complexos. Com a complexidade da arquitectura a desenvolver-se, também a complexidade do sistema religioso sumério foi progredindo, levando a que o templo se tornasse somente acessível aos sacerdotes dos deuses.

Em termos estruturais, os templos mais avançados encontravam-se divididos em áreas, dando destaque a três áreas principais: adytum (chamado de “ki-ku” ou “espaço sagrado”) , abzu (que também era denominado de “santuário sagrado") e o duku (que significa “monte sagrado”). O adytum era o local onde era colocada a estátua da divindade. Eram feitas refeições como forma de oferenda e colocadas em frente à estátua (é importante referir que os sumérios não acreditavam que os deuses eram realmente as estátuas, estas eram apenas representações das suas divindades). 

O abzu e o duku são os locais mais misteriosos dos templos sumérios, tanto relativamente à sua função como à sua localização no interior do templo. Sendo que o nome abzu deriva do termo de fonte de água subterrânea, associada ao deus Enki, acredita-se que esta área estaria de alguma forma relacionada com a água, como uma pequena piscina ou poço e que esta água representaria a ligação com o subterrâneo.

Quanto ao duku, não se sabe ao certo nem existem fontes que nos confirmem, quais as suas características, mas é possível afirmar que se tratava de um local de julgamento.

Outra função associada ao duku será o de local para algum tipo de comida cerimonial. A dúvida da maioria dos investigadores é a ligação entre o local de julgamento e o local de alimentação, pois não existem fontes que nos possam esclarecer relativamente a este assunto. 

Os festivais religiosos na Suméria, devido à presença de deuses patronos em cada cidade, dependiam do calendário de cada cidade que, por norma, era organizado com base no ano agrícola, devido à importância da agricultura na sociedade suméria. 

Para além do calendário agrícola, os festivais sumérios estavam também dependentes das fases da Lua: os festivais mensais eram iniciados na Lua Nova, que era um símbolo de abundância e crescimento enquanto a Lua Minguante era associada à morte e retrocesso.

--------
Nota: Este artigo é uma adaptação de um trabalho referente à Religião na Suméria para a Unidade Curricular "Civilizações Pré-Clássicas" na Licenciatura de História da Universidade do Minho no ano 2011/2012.

Bibliografia:
Bottéro, J. (2004). La Religión más Antigua: Mesopotamia. Madrid: Editorial Trotta.
Grande História Universal III - O Egipto e os Grandes Impérios. Alfragide: Ediclube.
História Universal - A Antiguidade: Egipto e Médio Oriente. (2005). Editorial Salvat.
Kramer, S. N. A História começa na Suméria. Círculo de Leitores.
Kramer, S. N. (2010). Sumerian Mithology: A Study of Spiritual and Literacy Achievement in the Third Millennium B.C. Forgotten Books.
Religion in Mesopotamia and Primary Gods. (s.d.). Obtido em 13 de Janeiro de 2012, de Ancient Civilizations History Web Site: http://www.anciv.info/mesopotamia/religion-in-mesopotamia-and-primary-gods.html
Wilson, E. J. (s.d.). Inside a Sumerian Temple: The Ekishnugal at Ur. Obtido em 21 de Novembro de 2011, de Brigham Young University: http://maxwellinstitute.byu.edu/publications/books/?bookid=21&chapid=112 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

As Leis do Retorno: Para todos?


O tema que trago hoje é um pouco controverso, porém, necessário de debater pois só através do debate e das conversas se chegamos a conclusão produtivas. Espero conseguir ser clara no que escrevo.

Vários são os caminhos dentro do Paganismo e da Bruxaria que lidam com Leis do Retorno, como a Wicca por exemplo. É do conhecimento geral que a Wicca tem a Lei Tríplice na qual indica que tudo o que um praticante fizer voltará para si três vezes, seja bom ou mau. Outros caminhos têm leis semelhantes mas existe a tendência, dentro das nossas comunidades, de tentar aplicar leis que são específicas de uma tradição (como é o caso da Lei Tríplice) a todos os praticantes de Bruxaria e Paganismo no geral, mesmo que estes não sejam Wiccanos. O que, claramente, é uma abordagem errada. Não só estamos a tentar impor um valor que não pertence ao caminho que a pessoa segue como estamos a tirar o valor à prática daquela pessoa apenas porque ela não segue o mesmo tipo de conduta do que nós.

Este acusar o próximo tornou-se bastante predominante e visível durante, por exemplo, a controvérsia de bruxos que fizeram rituais contra o Donald Trump nos EUA ou contra o Temer no Brasil. Muitos recorreram às redes sociais para condenar outros praticantes pelo uso de magia contra uma determinada pessoa e argumentando que irão receber de volta tudo o que eles enviaram e que irão sofrer na pele as consequências, apesar de as pessoas que praticaram estes ritos, em grande parte dos casos, nem seguem qualquer lei do retorno ou, se a seguem, têm consciência do que fizeram. Quando abríamos a caixa de comentários no Facebook, por exemplo, grande parte dos comentários eram a insultar pessoas, condenar, discriminar e exactamente o oposto do que nós, como comunidades, devemos fazer. Eu própria tive pessoas a insultarem-me apenas por afirmar que nem todos se regem pelas mesmas leis. Eu, por exemplo, não sigo as Leis do Satanismo LaVey mas há quem as siga. Elas não se aplicam a mim mas aplicam aos praticantes desse caminho.

Todo o Bruxo tem consciência das suas acções e quais as consequências das mesmas, segundo o seu código pessoal de ética e de trabalho. Estarmos a impor as nossas crenças (mesmo que sejam éticas, como a Lei Tríplice) noutros praticantes que não fazem parte do nosso caminho ou tradição é a mesma coisa do que Cristãos impondo a Pagãos que eles irão para o Inferno. Como pode ir um pagão para o Inferno se nem acreditamos nele? E como pode um Bruxo sofrer efeitos de uma Lei na qual não acredita nem segue?

Com isto eu não quero dizer que a Lei do Retorno ou a Lei Tríplice está bem ou mal e que deve ou não ser utilizada, pelo contrário! Quero apenas dizer que ela apenas se aplica a quem a tem presente na sua prática e ética. Pessoalmente tenho a Lei do Retorno nas minhas práticas, não sobre o conceito de Lei Tríplice mas diferente. Porém tenho plena consciência que muitos praticantes não seguem qualquer tipo de lei de retorno e, como tal, não tenho nada que falar acerca da mesma ou de possíveis consequências com eles. Não se aplica.

Ou seja, a conclusão deste artigo, não é que as Leis do Retorno são más ou boas, não é o facto de elas existirem ou não mas sim o facto de que não são dogmas absolutos e que devem ser adoptados por todos os que praticam Bruxaria ou seguem caminhos dentro do Paganismo. As Leis devem ser aplicadas aos caminhos às quais elas correspondem e, cabe a cada um de nós, respeitar isso e respeitar que há quem não partilhe o mesmo estilo de prática do que eu. O que eu mais amo dentro do Paganismo e da Bruxaria em geral é a diversidade, é o quanto conseguimos ser diferentes uns dos outros e seguir caminhos tão variados e cheios de vida e de conteúdo. E, parte dessa diversidade, é também na forma como encaramos o Mundo e as nossas acções nele.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Como ser discreto?

Todos sabemos como é complicado ter de restringir a nossa prática porque vivemos num local (com a família, em dormitório de universidade, com colegas de casa/quarto, etc) que não nos permite expressar a nossa prática. Acabamos por sentir-nos desmotivados, sem energia e sem vontade de fazer as coisas e eventualmente isso começa a prejudicar o nosso desenvolvimento pois acabamos por dedicar menos tempo à nossa prática e ao nosso estudo. Uma boa técnica para resolver esta situação é tentar adaptar as nossas práticas e as coisas que fazemos diariamente de forma a se tornarem algo muito discreto e que mal se note que é parte da nossa prática (isto é particularmente útil quando estamos a viver com familiares ou amigos que não aprovem o nosso caminho religioso).

Por exemplo um dos pensamentos mais comuns da maioria dos praticantes é: "Onde posso montar o meu altar"? E sentem-se logo desanimados quando notam que não têm condições ou espaço ou forma de criar um altar sem que seja descoberto. É aqui que a imaginação deve entrar em jogo: Porque não fazer o seu altar numa gaveta? Numa caixa de madeira, por exemplo? Pode sempre fechar à chave e guardar debaixo da cama. Pode fazer o seu altar de adaptações. Por exemplo ao invés de ter os símbolos tradicionais dos elementos pode encontrar uma pequena pedra e desenhar um símbolo para o Fogo, outra pedra com símbolo do Ar, etc. São coisas discretas e que por norma passam despercebidas. Se gostar de Pop Magic, por exemplo, pode até utilizar figuras de filmes ou séries para representar os elementos ou as divindades, dependendo de como a sua prática pessoal e caminho pessoal são. A chave para a adaptação é a imaginação e a forma como esta é posta em prática.

Por exemplo estava a ler um livro recentemente em que o autor falava como uma conhecida dele criou um altar dentro de um guarda-fato! As portas impediam que as pessoas de fora soubessem o que estava lá dentro mas, ao abrir as portas, revelava um altar com um Deus e uma Deusa e elementos, as paredes estavam pintadas com os tons do céu e com estrelas, Lua e Sol e todas as decorações que ela gostaria de ver no seu espaço sagrado. E aí ela fazia as suas práticas diárias, os seus cultos e, ao fechar as portas, ninguém saberia o que lá estava dentro sendo que até pode ser fechado à chave. 

Outra solução é também, por exemplo, ter vasos com plantas. Há várias plantas são associadas aos vários elementos e também a divindades, se a sua prática as incluir. Pode sempre cultivar essas plantas dentro de casa e falar com elas, colocar oferendas (como adubo, água, nutrientes de plantas, etc.) para as entidades as quais elas estão ligadas e, dessa forma, ter um altar improvisado sem que ninguém desconfie porque, afinal de contas, são só plantas né? 

Em casos mais complicados, em que não tem mesmo possibilidade nenhuma de ter nada físico para representar o seu altar ou o seu espaço mágico, pode também recorrer ao Templo Astral ou então a outros métodos como criar um objecto que ande sempre consigo (colar, pulseira, anel, rosário de divindade ou de elementos, etc) e que esteja consagrado para o transportar e representar a sua prática. Um exemplo prático disto , por exemplo, é a criação de um rosário a uma divindade. O rosário, apesar de ser uma prática tipicamente cristã, pode ser adaptada para a nossa realidade criando-o ligado a uma divindade (ou aos elementos, depende da sua prática) através de combinação de cristais e materiais. Após a consagração desse rosário, ele acaba por servir como ponte de ligação a essa divindade e, cada vez que meditar com ele ou se concentrar nele, estará estabelecendo ligação com a divindade ou entidade em questão. Este método é bastante prático pois ninguém vai suspeitar de uma simples pulseira ou colar.

Outro método para ser discreto, e aqui já falando mais a nível de trabalhos mágicos, é a utilização de sigilos ou de alfabetos mágicos para estudos. Pode colocar sigilos nas suas coisas, pode utilizar sigilos ou símbolos discretos no trabalho (por baixo do seu teclado ou dentro do seu uniforme). Hoje em dia muitos dos símbolos relacionados com a Bruxaria e com o Paganismo estão a tornar-se como símbolos da moda. Isto pode ser tanto mau (a banalização do símbolo) como também pode ser bom pois permite o seu uso de forma mais pública sem que exista um estigma logo associado à sua utilização. Por exemplo é comum ver hoje em dia pessoas com colares de luas, conchas, pássaros, entre outros símbolos que podem ser utilizados para representar divindades, elementos ou entidades com as quais estabeleça relação na sua prática pessoal.

No caso de banhos de purificação, por exemplo, imagine que vive com a família e que não pode utilizar sal para tomar banho ou ervas. Isto é comum porque muitos pais não aceitam esta prática, achando-a estranha ou até perigosa (para os mais religiosos). Uma alternativa discreta a isto será tomar banho com cristais. Pode consagrar um cristal para atuar como método de limpeza energética e tê-lo presente quando toma banho. Ou, em alternativa, pode apenas utilizar a própria água em si, sem qualquer aditivo, para realizar a sua limpeza energética (isto nunca descartando o trabalho de visualização, é claro).

Uma das características que mais gosto na Magia, no Paganismo e até na Bruxaria é a fantástica capacidade de adaptação que estes caminhos nos permitem. A prática pode ser adaptada ao caminho de cada um, dependendo das dificuldades ou facilidades que cada um tem mas nada torna uma prática menos válida do que a outra, desde que a mesma seja válida para quem a pratica. Por isso seja criativo, veja como pode adaptar a sua prática para ela não se perca nas limitações. Afinal de contas o nosso caminho é trilhado não só pelos fáceis caminhos da planície mas também pelos escuros trilhos da floresta.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fellowship of Isis


A Fellowship of Isis (FOI) é uma organização internacional dedicada a promover a consciência da Deusa. O seu nome é dedicado à Deusa egípcia Isis, dado que os fundadores da FOI acreditavam que esta divindade é a que melhor representa as energias da Era de Aquário. A FOI é uma organização multi-religiosa, multi-racial e multicultural, e apesar de adorar divindades pagãs, não se considera uma fé neo-pagã.

É de frisar que o nome Fellowship of Isis em nada está associado à ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) conforme pode ser confirmado no comunicado oficial.

A FOI foi fundada no Equinócio da Primavera em 1976 por Olivia Robertson, Lawrence Durdin-Robertson e a sua esposa Pamela. O objectivo inicial era criar uma comunidade que ajudasse a Deusa a manifestar-se e a reapresentar-se ao mundo. Os seus membros são das mais diversas fés desde Pagãos, Católicos, Hindus, Budistas, Protestantes entre muitos outros, contando com cerca de 21 mil membros em 2002. Cada membro mantém as suas práticas pessoais e são encorajados a introduzir a liturgia da FOI nas suas práticas pessoais, a única condição para se juntar à FOI é a concordância com os prínicipios do Manifesto da FOI (versão em português).  A inscrição na FOI não tem qualquer custo porém pode ser cobrado valor nos centros por cursos, treinos ou livros. Este custo é aplicado pelo próprio centro em si e depende do centro.

Existem centenas de centros da Fellowship of Isis pelo mundo inteiro e em qualquer um é possível juntar-se à organização para conhecer novos membros e até para desenvolver os seus estudos nos vários cursos e formações que a FOI disponibiliza. É ainda possível ser praticante solitário, realizando a inscrição em formato eletrónico ou carta.

Curiosamente existe também a opção de registar os seus animais na Família Animal da FOI. As inscrições na FOI são para a vida excepto se for enviada uma carta de rescisão de laços (por correio ou e-mail) para onde foi inicialmente efetuado o pedido de registo.

Esta é uma fantástica organização que disponibiliza imensos recursos, cursos e liturgia útil para qualquer praticante, solitário ou de grupo. Existem centros da FOI pelo mundo inteiro e muitos até permitem treinos e realização de cursos à distância para quem não consegue encontrar um perto de casa (como é o caso de Portugal, em que os centros mais próximos são na Espanha).

Recomendo a leitura atenta do site da FOI para esclarecer quaisqueres dúvidas adicionais. Gostaram desta organização?