Bem-Vindos. Sentem-se em volta da fogueira, peguem uma xícara de chá e comecemos a aprender os mistérios antigos e a desvendar segredos esquecidos. Trilhem connosco a floresta sobre o olhar atento da Lua...
Novos artigos serão sempre publicados à quarta-feira.




segunda-feira, 10 de julho de 2017

A Religião na Suméria


A civilização Suméria é considerada a primeira civilização na História da Humanidade. Localizada no Crescente Fértil esta civilização perdurou vários séculos, desde 3000 a.C. até cerca de 2350 a.C. 
Apesar de caracterizada por diversas inovações técnicas, decidi focar-me num aspecto importante das civilizações pristinas: A Religião. 

Na Suméria, durante o período denominado de proto-dinástico ou dinástico arcaico, a religião possuía um papel importante na sociedade, pois representava a sua estrutura social. Podemos, até, referir que as cidades sumérias eram caracterizadas pela presença de um templo central e grande parte do poder político de uma cidade estava nas mãos dos seus sacerdotes.

  • O Mito da Criação Sumério
Todas as civilizações possuem, nas suas crenças, um mito da criação, em que justificam a criação do Mundo e do Homem em si. A Suméria não é excepção. Analisando um excerto de um texto sumério, denominado pelos historiadores como “Gilgamesh, Enkidu e os Infernos”, podemos concluir como os sumérios acreditavam que o Mundo tinha sido criado:

Depois de o céu ter sido afastado da Terra, 
Depois da Terra ter sido separada do céu,
Depois de o homem ter sido fixado,
Depois de Án [o deus do céu] ter arrebatado o Céu,
Depois de Enlil [o deus do ar] ter arrebatado a Terra…” 

Assim sendo, podemos concluir, seguindo o raciocínio de Samuel Kramer, em determinada altura existia uma ligação entre a Terra e o Céu e que estes foram afastado, tendo o deus do Céu (Án) levado o Céu e o deus do Ar (Enlil) levado a Terra. Iremos explorar este momento da criação de seguida.

Primeiro, analisemos a questão: quem criou a Terra e o Céu? Esta resposta encontra-se numa placa que contém a lista dos deuses sumérios. Nesta encontramos a referência a Nammu, que está referida como sendo o “mar primordial” ou, mais detalhadamente, “a mãe que deu origem ao céu e à Terra”. 

Assim sendo, chegamos à conclusão que, inicialmente, tudo tinha sido criado pelo mar primordial, segundo os sumérios. Não se sabe ao certo qual a origem deste mar primordial, acreditando-se até que pode ter sido um conceito eternamente existente. 

Retornando ao mito da criação, quando se fala da separação da Terra e do Céu, é necessário entender como esta separação se processou. 

Comecemos primeiro por estabelecer que o mar primordial criou uma montanha, constituída pela união do Céu e da Terra. Porém, o conceito de Céu e Terra não era aquele que conhecemos, de algo físico, mas sim o de entidades. Céu (o deus Án) e Terra (a Deusa Ki) uniram-se e tiveram um filho chamado de Enlil, o deus do Ar. 

Assim, podemos prosseguir à separação do Céu e da Terra: Enlil, deus do ar, levou a sua mãe (Ki) enquanto o seu pai o Céu, Án, prosseguiu um caminho diferente. A união entre Enlil e sua mãe deu origem ao universo organizado: o homem, as plantas, os animais e a civilização.

E assim, se criou o mundo sumério.

  • As Divindades Sumérias
Uma das principais características das divindades sumérias é o seu carácter antropomórfico. Em semelhança ao homem, a divindade suméria possuía características humanas. Bebiam, comiam, agiam, planeavam, casavam e constituíam família e tinham uma vida quotidiana, como se tratassem de humanos. Para os sumérios, as divindades viviam na “Montanha do céu e da terra, o lugar onde o Sol nasce”. Quanto à sua deslocação, acreditava-se que dependia de divindade para divindade. O Deus da Lua, por exemplo, deslocava-se através de barco. Mas, já o deus do Sol viajava de carro ou a pé. Apesar de existirem centenas divindades na religião, existiam quatro divindades principais.
  1. An: Segundo os estudos dos especialistas na sociedade suméria, acredita-se que o deus An, deus do Céu, foi, por longos anos, o considerado deus supremo do panteão. Porém, eventualmente, An perdeu a sua importância, passando a ocupar o lugar de segundo plano no panteão sumério, dando lugar a seu filho, o deus Enlil. Este era responsável pelo céu, pelas constelações, espíritos e demónios e acreditavam que reinava pelas zonas mais altas da região. Ele tinha o poder de julgar crimes e de castigar os criminosos.
  2. Enlil: Enlil era considerado o deus patrono da cidade Nippur, o centro religioso da Suméria. Este cargo dava-lhe bastante importância no panteão, sendo actualmente considerado por especialistas como sendo a divindade mais importante do panteão, o que é confirmado também pela sua presença assídua em orações, oferendas, etc. O que levou a esta ascensão de Enlil, é ignorado pela maioria dos arqueólogos e investigadores, mas, segundo Kramer, existem diversos textos antigos sumérios que se referem a Enlil como “Pai dos Deuses”, o “Rei do Céu e da Terra” e o “Rei de Todos os Países”. Segundo os registos arqueológicos mais recentes, era Enlil que fazia “nascer o dia”, que tinha a piedade dos homens e que controlava o crescimento do Mundo, nomeadamente das plantas e dos animais. Segundo a opinião de Samuel Kramer, Enlil era um deus bondoso, fonte de fartura e de abundância, ao contrário da imagem que é espalhada nas enciclopédias sobre esta divindade, caracterizando-a como sendo violenta e destruidora.
  3. Enki: Este é o terceiro dos principais deuses do panteão sumério. Deus das águas, do artesanato, inteligência e da criação, foi quem organizou inicialmente a Terra, de acordo com as decisões de Enlil. Enki fica também responsável pela criação de diversos aspectos importantes na sociedade suméria tal como o alvião, o molde dos tijolos, instrumentos de construção e ainda enche a planície de vida vegetal e animal. É também considerado o deus de toda a sabedoria e magia, daí o seu cargo elevado na hierarquia do panteão sumério.
  4. Ninhursag: Esta divindade, considerada como deusa-mãe, e muitas vezes conhecida pelo nome de Ninmah (que significa “a dama majestosa”) chegou em tempos a ocupar um cargo mais elevado do que Enlil ou An. Muitos especialistas, acreditam que este se trata de um nome mais recente para Ki (A Terra) que foi esposa de An. Outro nome por que esta deusa é conhecida é Nintu (“a dama que dava à luz”). Esta divindade era considerada como a mãe de todas as criaturas, havendo registos de governadores sumérios afirmarem que eram alimentados pelo “leite de Ninhursag”.
  • O Culto Sumério
Os sacerdotes sumérios desde cedo associaram às diversas cidades diferentes deuses protectores, conforme as suas semelhanças. Um dos exemplos já falados anteriormente, é o da cidade de Nippur, cujo deus patrono era Enlil.

À semelhança do que aconteceria mais tarde na civilização grega, em cada cidade era dado um maior ênfase ao seu deus patrono. Porém, sempre foi dado um maior destaque às cidades de Nippur (com o deus Enlil) e à cidade de Uruk (com o deus An).

Segundo estudos, acredita-se que os deuses patronos de cada cidade são um sinal de que, antes da formação das cidades, os deuses eram espíritos protectores das tribos ou clãs que se localizavam em cada área e, posteriormente, deram origem às cidades sumérias.  

Na Suméria, cada templo era considerado como a casa dos Deuses e estava consagrado a um deus específico, por norma, o deus patrono daquela cidade. Era a sua moradia e o seu palácio, constituído – no caso dos templos maiores, como de Uruk e de Nippur - por um pátio principal, em redor do qual se erguiam divisões particulares, reservado aos seus sacerdotes. Neste templo localizavam-se todas as divisões necessárias para o quotidiano dos sacerdotes e para a realização dos ritos e das celebrações necessárias.

Existiam nas outras cidades também os templos para cada divindade patrono, porém de um tamanho mais reduzido do que aqueles referidos anteriormente. 
Os primeiros templos que surgiram na Suméria eram extremamente simples, estruturas de apenas uma divisão com pouco desenvolvimento arquitectónico, em que a entrada era permitida a toda a população e o altar era localizado no centro da divisão.

Apenas mais tarde se começa a assistir a um desenvolvimento na arquitectura que levou à construção de templos mais complexos. Com a complexidade da arquitectura a desenvolver-se, também a complexidade do sistema religioso sumério foi progredindo, levando a que o templo se tornasse somente acessível aos sacerdotes dos deuses.

Em termos estruturais, os templos mais avançados encontravam-se divididos em áreas, dando destaque a três áreas principais: adytum (chamado de “ki-ku” ou “espaço sagrado”) , abzu (que também era denominado de “santuário sagrado") e o duku (que significa “monte sagrado”). O adytum era o local onde era colocada a estátua da divindade. Eram feitas refeições como forma de oferenda e colocadas em frente à estátua (é importante referir que os sumérios não acreditavam que os deuses eram realmente as estátuas, estas eram apenas representações das suas divindades). 

O abzu e o duku são os locais mais misteriosos dos templos sumérios, tanto relativamente à sua função como à sua localização no interior do templo. Sendo que o nome abzu deriva do termo de fonte de água subterrânea, associada ao deus Enki, acredita-se que esta área estaria de alguma forma relacionada com a água, como uma pequena piscina ou poço e que esta água representaria a ligação com o subterrâneo.

Quanto ao duku, não se sabe ao certo nem existem fontes que nos confirmem, quais as suas características, mas é possível afirmar que se tratava de um local de julgamento.

Outra função associada ao duku será o de local para algum tipo de comida cerimonial. A dúvida da maioria dos investigadores é a ligação entre o local de julgamento e o local de alimentação, pois não existem fontes que nos possam esclarecer relativamente a este assunto. 

Os festivais religiosos na Suméria, devido à presença de deuses patronos em cada cidade, dependiam do calendário de cada cidade que, por norma, era organizado com base no ano agrícola, devido à importância da agricultura na sociedade suméria. 

Para além do calendário agrícola, os festivais sumérios estavam também dependentes das fases da Lua: os festivais mensais eram iniciados na Lua Nova, que era um símbolo de abundância e crescimento enquanto a Lua Minguante era associada à morte e retrocesso.

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Nota: Este artigo é uma adaptação de um trabalho referente à Religião na Suméria para a Unidade Curricular "Civilizações Pré-Clássicas" na Licenciatura de História da Universidade do Minho no ano 2011/2012.

Bibliografia:
Bottéro, J. (2004). La Religión más Antigua: Mesopotamia. Madrid: Editorial Trotta.
Grande História Universal III - O Egipto e os Grandes Impérios. Alfragide: Ediclube.
História Universal - A Antiguidade: Egipto e Médio Oriente. (2005). Editorial Salvat.
Kramer, S. N. A História começa na Suméria. Círculo de Leitores.
Kramer, S. N. (2010). Sumerian Mithology: A Study of Spiritual and Literacy Achievement in the Third Millennium B.C. Forgotten Books.
Religion in Mesopotamia and Primary Gods. (s.d.). Obtido em 13 de Janeiro de 2012, de Ancient Civilizations History Web Site: http://www.anciv.info/mesopotamia/religion-in-mesopotamia-and-primary-gods.html
Wilson, E. J. (s.d.). Inside a Sumerian Temple: The Ekishnugal at Ur. Obtido em 21 de Novembro de 2011, de Brigham Young University: http://maxwellinstitute.byu.edu/publications/books/?bookid=21&chapid=112 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

As Leis do Retorno: Para todos?


O tema que trago hoje é um pouco controverso, porém, necessário de debater pois só através do debate e das conversas se chegamos a conclusão produtivas. Espero conseguir ser clara no que escrevo.

Vários são os caminhos dentro do Paganismo e da Bruxaria que lidam com Leis do Retorno, como a Wicca por exemplo. É do conhecimento geral que a Wicca tem a Lei Tríplice na qual indica que tudo o que um praticante fizer voltará para si três vezes, seja bom ou mau. Outros caminhos têm leis semelhantes mas existe a tendência, dentro das nossas comunidades, de tentar aplicar leis que são específicas de uma tradição (como é o caso da Lei Tríplice) a todos os praticantes de Bruxaria e Paganismo no geral, mesmo que estes não sejam Wiccanos. O que, claramente, é uma abordagem errada. Não só estamos a tentar impor um valor que não pertence ao caminho que a pessoa segue como estamos a tirar o valor à prática daquela pessoa apenas porque ela não segue o mesmo tipo de conduta do que nós.

Este acusar o próximo tornou-se bastante predominante e visível durante, por exemplo, a controvérsia de bruxos que fizeram rituais contra o Donald Trump nos EUA ou contra o Temer no Brasil. Muitos recorreram às redes sociais para condenar outros praticantes pelo uso de magia contra uma determinada pessoa e argumentando que irão receber de volta tudo o que eles enviaram e que irão sofrer na pele as consequências, apesar de as pessoas que praticaram estes ritos, em grande parte dos casos, nem seguem qualquer lei do retorno ou, se a seguem, têm consciência do que fizeram. Quando abríamos a caixa de comentários no Facebook, por exemplo, grande parte dos comentários eram a insultar pessoas, condenar, discriminar e exactamente o oposto do que nós, como comunidades, devemos fazer. Eu própria tive pessoas a insultarem-me apenas por afirmar que nem todos se regem pelas mesmas leis. Eu, por exemplo, não sigo as Leis do Satanismo LaVey mas há quem as siga. Elas não se aplicam a mim mas aplicam aos praticantes desse caminho.

Todo o Bruxo tem consciência das suas acções e quais as consequências das mesmas, segundo o seu código pessoal de ética e de trabalho. Estarmos a impor as nossas crenças (mesmo que sejam éticas, como a Lei Tríplice) noutros praticantes que não fazem parte do nosso caminho ou tradição é a mesma coisa do que Cristãos impondo a Pagãos que eles irão para o Inferno. Como pode ir um pagão para o Inferno se nem acreditamos nele? E como pode um Bruxo sofrer efeitos de uma Lei na qual não acredita nem segue?

Com isto eu não quero dizer que a Lei do Retorno ou a Lei Tríplice está bem ou mal e que deve ou não ser utilizada, pelo contrário! Quero apenas dizer que ela apenas se aplica a quem a tem presente na sua prática e ética. Pessoalmente tenho a Lei do Retorno nas minhas práticas, não sobre o conceito de Lei Tríplice mas diferente. Porém tenho plena consciência que muitos praticantes não seguem qualquer tipo de lei de retorno e, como tal, não tenho nada que falar acerca da mesma ou de possíveis consequências com eles. Não se aplica.

Ou seja, a conclusão deste artigo, não é que as Leis do Retorno são más ou boas, não é o facto de elas existirem ou não mas sim o facto de que não são dogmas absolutos e que devem ser adoptados por todos os que praticam Bruxaria ou seguem caminhos dentro do Paganismo. As Leis devem ser aplicadas aos caminhos às quais elas correspondem e, cabe a cada um de nós, respeitar isso e respeitar que há quem não partilhe o mesmo estilo de prática do que eu. O que eu mais amo dentro do Paganismo e da Bruxaria em geral é a diversidade, é o quanto conseguimos ser diferentes uns dos outros e seguir caminhos tão variados e cheios de vida e de conteúdo. E, parte dessa diversidade, é também na forma como encaramos o Mundo e as nossas acções nele.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Como ser discreto?

Todos sabemos como é complicado ter de restringir a nossa prática porque vivemos num local (com a família, em dormitório de universidade, com colegas de casa/quarto, etc) que não nos permite expressar a nossa prática. Acabamos por sentir-nos desmotivados, sem energia e sem vontade de fazer as coisas e eventualmente isso começa a prejudicar o nosso desenvolvimento pois acabamos por dedicar menos tempo à nossa prática e ao nosso estudo. Uma boa técnica para resolver esta situação é tentar adaptar as nossas práticas e as coisas que fazemos diariamente de forma a se tornarem algo muito discreto e que mal se note que é parte da nossa prática (isto é particularmente útil quando estamos a viver com familiares ou amigos que não aprovem o nosso caminho religioso).

Por exemplo um dos pensamentos mais comuns da maioria dos praticantes é: "Onde posso montar o meu altar"? E sentem-se logo desanimados quando notam que não têm condições ou espaço ou forma de criar um altar sem que seja descoberto. É aqui que a imaginação deve entrar em jogo: Porque não fazer o seu altar numa gaveta? Numa caixa de madeira, por exemplo? Pode sempre fechar à chave e guardar debaixo da cama. Pode fazer o seu altar de adaptações. Por exemplo ao invés de ter os símbolos tradicionais dos elementos pode encontrar uma pequena pedra e desenhar um símbolo para o Fogo, outra pedra com símbolo do Ar, etc. São coisas discretas e que por norma passam despercebidas. Se gostar de Pop Magic, por exemplo, pode até utilizar figuras de filmes ou séries para representar os elementos ou as divindades, dependendo de como a sua prática pessoal e caminho pessoal são. A chave para a adaptação é a imaginação e a forma como esta é posta em prática.

Por exemplo estava a ler um livro recentemente em que o autor falava como uma conhecida dele criou um altar dentro de um guarda-fato! As portas impediam que as pessoas de fora soubessem o que estava lá dentro mas, ao abrir as portas, revelava um altar com um Deus e uma Deusa e elementos, as paredes estavam pintadas com os tons do céu e com estrelas, Lua e Sol e todas as decorações que ela gostaria de ver no seu espaço sagrado. E aí ela fazia as suas práticas diárias, os seus cultos e, ao fechar as portas, ninguém saberia o que lá estava dentro sendo que até pode ser fechado à chave. 

Outra solução é também, por exemplo, ter vasos com plantas. Há várias plantas são associadas aos vários elementos e também a divindades, se a sua prática as incluir. Pode sempre cultivar essas plantas dentro de casa e falar com elas, colocar oferendas (como adubo, água, nutrientes de plantas, etc.) para as entidades as quais elas estão ligadas e, dessa forma, ter um altar improvisado sem que ninguém desconfie porque, afinal de contas, são só plantas né? 

Em casos mais complicados, em que não tem mesmo possibilidade nenhuma de ter nada físico para representar o seu altar ou o seu espaço mágico, pode também recorrer ao Templo Astral ou então a outros métodos como criar um objecto que ande sempre consigo (colar, pulseira, anel, rosário de divindade ou de elementos, etc) e que esteja consagrado para o transportar e representar a sua prática. Um exemplo prático disto , por exemplo, é a criação de um rosário a uma divindade. O rosário, apesar de ser uma prática tipicamente cristã, pode ser adaptada para a nossa realidade criando-o ligado a uma divindade (ou aos elementos, depende da sua prática) através de combinação de cristais e materiais. Após a consagração desse rosário, ele acaba por servir como ponte de ligação a essa divindade e, cada vez que meditar com ele ou se concentrar nele, estará estabelecendo ligação com a divindade ou entidade em questão. Este método é bastante prático pois ninguém vai suspeitar de uma simples pulseira ou colar.

Outro método para ser discreto, e aqui já falando mais a nível de trabalhos mágicos, é a utilização de sigilos ou de alfabetos mágicos para estudos. Pode colocar sigilos nas suas coisas, pode utilizar sigilos ou símbolos discretos no trabalho (por baixo do seu teclado ou dentro do seu uniforme). Hoje em dia muitos dos símbolos relacionados com a Bruxaria e com o Paganismo estão a tornar-se como símbolos da moda. Isto pode ser tanto mau (a banalização do símbolo) como também pode ser bom pois permite o seu uso de forma mais pública sem que exista um estigma logo associado à sua utilização. Por exemplo é comum ver hoje em dia pessoas com colares de luas, conchas, pássaros, entre outros símbolos que podem ser utilizados para representar divindades, elementos ou entidades com as quais estabeleça relação na sua prática pessoal.

No caso de banhos de purificação, por exemplo, imagine que vive com a família e que não pode utilizar sal para tomar banho ou ervas. Isto é comum porque muitos pais não aceitam esta prática, achando-a estranha ou até perigosa (para os mais religiosos). Uma alternativa discreta a isto será tomar banho com cristais. Pode consagrar um cristal para atuar como método de limpeza energética e tê-lo presente quando toma banho. Ou, em alternativa, pode apenas utilizar a própria água em si, sem qualquer aditivo, para realizar a sua limpeza energética (isto nunca descartando o trabalho de visualização, é claro).

Uma das características que mais gosto na Magia, no Paganismo e até na Bruxaria é a fantástica capacidade de adaptação que estes caminhos nos permitem. A prática pode ser adaptada ao caminho de cada um, dependendo das dificuldades ou facilidades que cada um tem mas nada torna uma prática menos válida do que a outra, desde que a mesma seja válida para quem a pratica. Por isso seja criativo, veja como pode adaptar a sua prática para ela não se perca nas limitações. Afinal de contas o nosso caminho é trilhado não só pelos fáceis caminhos da planície mas também pelos escuros trilhos da floresta.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fellowship of Isis


A Fellowship of Isis (FOI) é uma organização internacional dedicada a promover a consciência da Deusa. O seu nome é dedicado à Deusa egípcia Isis, dado que os fundadores da FOI acreditavam que esta divindade é a que melhor representa as energias da Era de Aquário. A FOI é uma organização multi-religiosa, multi-racial e multicultural, e apesar de adorar divindades pagãs, não se considera uma fé neo-pagã.

É de frisar que o nome Fellowship of Isis em nada está associado à ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) conforme pode ser confirmado no comunicado oficial.

A FOI foi fundada no Equinócio da Primavera em 1976 por Olivia Robertson, Lawrence Durdin-Robertson e a sua esposa Pamela. O objectivo inicial era criar uma comunidade que ajudasse a Deusa a manifestar-se e a reapresentar-se ao mundo. Os seus membros são das mais diversas fés desde Pagãos, Católicos, Hindus, Budistas, Protestantes entre muitos outros, contando com cerca de 21 mil membros em 2002. Cada membro mantém as suas práticas pessoais e são encorajados a introduzir a liturgia da FOI nas suas práticas pessoais, a única condição para se juntar à FOI é a concordância com os prínicipios do Manifesto da FOI (versão em português).  A inscrição na FOI não tem qualquer custo porém pode ser cobrado valor nos centros por cursos, treinos ou livros. Este custo é aplicado pelo próprio centro em si e depende do centro.

Existem centenas de centros da Fellowship of Isis pelo mundo inteiro e em qualquer um é possível juntar-se à organização para conhecer novos membros e até para desenvolver os seus estudos nos vários cursos e formações que a FOI disponibiliza. É ainda possível ser praticante solitário, realizando a inscrição em formato eletrónico ou carta.

Curiosamente existe também a opção de registar os seus animais na Família Animal da FOI. As inscrições na FOI são para a vida excepto se for enviada uma carta de rescisão de laços (por correio ou e-mail) para onde foi inicialmente efetuado o pedido de registo.

Esta é uma fantástica organização que disponibiliza imensos recursos, cursos e liturgia útil para qualquer praticante, solitário ou de grupo. Existem centros da FOI pelo mundo inteiro e muitos até permitem treinos e realização de cursos à distância para quem não consegue encontrar um perto de casa (como é o caso de Portugal, em que os centros mais próximos são na Espanha).

Recomendo a leitura atenta do site da FOI para esclarecer quaisqueres dúvidas adicionais. Gostaram desta organização?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Tarot: Os Arcanos Menores - Cups (Copas)


Hoje trago o terceiro artigo da série de Arcanos Menores. Gostaria de recapitular os dois pontos importantes do primeiro artigo, para quem não leu:

Dois pontos importantes:

  1. A maioria das pessoas não utiliza, por norma, as cartas invertidas. Ou seja não lhes aplica nenhum significado específico às mesmas, assumindo o significado normal das cartas na sua posição certa. Porém, e com o objectivo de ser o mais explícita possível e auxiliar independentemente do método, iremos incluir aqui a descrição da carta invertida. O seu uso depende da prática de cada um e fica ao critério do utilizador.
  2. O significado das cartas de Tarot não é algo preto no branco, X ou Y, sim ou não. É algo fluído e dependerá também do próprio leitor, da sua relação com o baralho, das imagens das cartas, da pessoa que está a ser alvo da consulta, etc. Não se guie a 100% por tudo o que lê, tente usar da sua própria intuição e ligação com o seu baralho. 
Em cada artigo iremos falar de um Naipe de forma a não fazer as postagens serem demasiado longas. Hoje falaremos pelo Naipe de Cups (Copas).

  • Cups (Copas)
Como o próprio nome indicada este naipe está associado ao naipe de Copas no baralho comum. O elemento associado a este naipe é a Água e representa tudo relacionado o lado emocional (o que sentimos e se conseguimos, ou não, vivenciá-lo) e também com o espiritual e religioso. Este naipe, numa leitura, normalmente representa uma resposta relacionada preocupações, satisfações, tentações, esperanças, afectos, desilusões e semelhantes actos relacionados com emoções fortes.

Às de Cups
Significado: Esta carta é como um ponto de exclamação na vida emocional. A felicidade está mesmo a chegar, o amor está a triunfar. É uma carta bastante positiva e que traz consigo boas notícias. Abundância, fertilidade, alegria e contentamento.
Invertida: Falsidade de coração, instabilidade, revolução. Uma mudança rápida de posição/opinião.

Dois de Cups
Significado: O dois de Cups vem representar uma união amorosa, companheiros ou amantes. Representa o amor, paixão, afinidade, união, simpática, amizade e a ligação entre as pessoas. É sinal favorável nos campos do prazer, dos negócios e do amor.
Invertida: Mesmo no sentido invertida esta carta acaba por ter um simbolismo positivo representando a paixão.

Três de Cups
Significado: Com esta carta temos a celebração e o convívio com amigos próximos. Tempos memoráveis e de criar novas memórias. Representa o alcance de algo e o fim de um projecto (fim positivo, no sentido de se ter alcançado o objectivo final). É também um representante do excesso de diversão ou animação física.
Invertida: Quando invertida esta carta representa a cura, a consolação e o fim de um negócio (aqui já não com a mesma intenção que a sua pose original).

Quatro de Cups
Significado: Aqui temos a representação da melancolia, do pós-prazer. Representa a aversão a algo, o cansaço de algo que lhe é dado (na imagem vemos um jovem com copos de vinho em sua frente e descontente, sendo que também não aceita o que lhe está a ser dado pois não vê motivo nem consolo no que lhe é oferecido).
Invertida: Quando invertida toma um significado oposto representando as novidades, presságios, novas instruções ou relacionamentos e pressentimentos. Deveremos analisar as cartas junto a esta de forma a apurar a forma como esta irá influenciar.

Cinco de Cups
Significado: Esta carta representa a perda mas uma perda da qual resta algo. Apresenta-nos a herança, o património, a transmissão mas sem corresponder às expectativas. Segundo Waite esta carta representa também legados, património, prendas e sucesso em termos empresariais.
Invertida: Esta carta invertida representa novidades, alianças, afinidade e consanguinidade e também ancestralidade. Pode representar o retorno de um familiar que já não se vê à muito tempo.

Seis de Cups
Significado: Com o seis de cups retornamos às memórias da nossa vida. Esta é uma carta associada às memórias e ao olhar para o passado (principalmente os momentos felizes).
Invertida: Na sua posição invertida representa heranças, o futuro, a renovação e aquilo que virá a passar no presente, ou seja, o que está prestes a terminar. Deverá ser complementada pelas cartas em redor.

Sete de Cups
Significado: Esta é uma carta de tentação, que nos faz reflectir sobre o que desejamos. É uma carta de reflexão e contemplação. De obtenção de algo, num certo nível, mas nada permanente.
Invertida: Desejo, vontade, determinação e projectos. Quando acompanhada pelo 3 de Cups, conforme indicado por Waite, representa sucesso.

Oito de Cups
Significado: Com esta carta temos a representação do abandono de projectos e empreendimentos e preocupações anteriores. É comum a associação do declínio de uma matéria a esta carta.
Invertida: Grande felicidade e satisfação, um banquete ou representação de abundância.

Nove de Cups
Significado: O Nove de Cups traz-nos contentamento e concordância. Sucesso, vitória e vantagem. É uma carta que representa a abundância presente e, ao mesmo tempo, mostra-nos que essa abundância estará presente no futuro.
Invertida: Verdade, Lealdade e Liberdade. Porém, dependendo das cartas que se encontram em seu redor, poderá também implicar erros e imperfeições.

Dez de Cups
Significado: Com esta carta chega-nos a felicidade familiar e a estabilidade do coração. Uma espécie de momento perfeito para a família. Dependendo das cartas que estejam em redor pode também simbolizar a chegada de alguém importante ou a cidade/local onde a pessoa reside.
Invertida: Indignação e discussão, por norma será uma discussão ou conflitos sérios e que poderão envolver alguma violência.

Pajem de Cups
Significado: O Pajem representa uma juventude estudiosa e também novidades, mensagens, reflexões e meditações porém estas relacionadas com o campo profissional, acima de tudo se houver negócios envolvidos. É uma carta positiva e que traz consigo boas notícias.
Invertida: Quando invertida fala-nos de gostos pessoais e inclinações. Porém também significa decepções e seduções.

Cavaleiro de Cups
Significado: Esta carta fala-nos da chegada de um mensageiro ou alguém que trará uma mensagem. Poderá ser um convite ou uma proposta de projectos ou acções. Poderá também implicar chegada de dinheiro.
Invertida: Quando invertida representa também a chegada de um mensagem mas, neste caso, o que chegará será em forma de truque, fraude, duplicado ou de forma a enganar a pessoa envolvida.

Rainha de Cups
Significado: A Rainha de Cups vem representar uma mulher, uma boa esposa e boa mulher de excelente carácter. Fala-nos também de inteligência, virtude, felicidade, sucesso e prazer.
Invertida: Quando invertida refere-se a vícios, desonra e uma mulher que não pode ser confiável.

Rei de Cups
Significado: O Rei de Cups representa um homem justo, de negócios. Responsável porém, segundo Waite, poderá ser alguém que seja falso ou aparente ser simpático e queira ajudar sem realmente querer. Esta carta representa também o gosto pela arte, ciência e leis.
Invertida: Na sua forma invertida fala-nos de injustiça, rebeldia, vícios, escândalos e grandes perdas monetárias.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

The Witches' Voice


Hoje venho falar-vos do "The Witches' Voice" que é um website comunitário existente já desde Fevereiro de 1997. É um website que conta com a participação de pagãos e bruxos de todo o Mundo e tem milhares de artigos disponíveis gratuitamente para leitura (conta, actualmente, mais de 6 milhões de palavras de vários membros!) e aceita participação para submeter novos artigos.

Aqui podem encontrar pagãos e bruxos do Mundo inteiro organizados pelo país/estado onde vivem e também muito mais dependendo da zona onde vive o que torna este site uma fantástica ferramenta para encontrar mais participantes, grupos, eventos, lojas/negócios e até websites, comunidades online, recursos (online e físicos) entre outros.

O registo no The Witches' Voice é completamente gratuito mas também existe a possibilidade de ser Sponsor e auxiliar, monetariamente, o The Witches' Voice (as doações podem ser de qualquer valor, porém, para ter o título de Sponsor  a doação deve ser mínima de 25$).

Qualquer pessoa pode contribuir com artigos (que podem ser do mais variado formato desde artigos normais, poemas, descrição de eventos, notícias, entre outros) apenas sendo necessário o registo e a aprovação do artigo por parte da Administração do site (que poderá demorar entre 1 a 3 meses, dependendo da época e do tema/categoria em que o artigo se insere).

É ainda possível inserir registo de sites que se possua, comunidades (onlines ou físicas), eventos a realizar para publicitar e notícias locais acerca dos movimentos pagãos. Esta é uma ferramenta genial para manter contacto com pagãos na nossa zona, conhecer novas pessoas (inclusive de outros países, dado que é possível enviar mensagem para qualquer utilizador. As mensagens funcionam por formato de e-mail, não existe fórum de discussão nem funcionalidade de mensagem privada) e, ao mesmo tempo, explorar as diversas opiniões e pontos de vista através do vasto leque de artigos que se encontra disponível para consultar.

Eu, pessoalmente, adoro esta comunidade e contribuo com alguns artigos sempre que possível. E vocês? Espero ver-vos por lá! :)


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Artesanato de Verão


Com o Verão mesmo a chegar, no Hemisfério Norte, vamos falar de alguns tipos de artesanato que podem ser criados durante esta estação quente! Novamente isto são actividades que podem ser realizadas também por criança, por isso, não tenha medo de as incluir!

Paraquedistas

Material Necessário:

  •  24-30cm2 de tecido leve ou papel de seda, branco ou de cor. 
  • Linhas com 35cm de comprimento, quatro por paraquedas. 
  • Cera ou Barro
Realização:

Prenda a linha aos quatro cantos do tecido, amarrotando cada canto, enrolando uma ponta da linha à volta dele algumas vezes e dando um nó. Deixe a outra ponta do fio livre.

Prenda os outros três fios. Junte as pontas soltas e dê-lhes um nó.

Envolva o nó numa bola de cera ou barro e, se quiser, molde uma pessoa pequena. Dê-lhe apenas uma forma muito geral, sem acrescentar grandes pormenores. 

Ilhas de Musgo

Material Necessário:

  • Musgo (apanhe um pouco num sítio onde cresça naturalmente: áreas úmidas, margens de regatos, etc.)
  • Pá pequena ou pá de jardinagem
  • Recipiente grande para água (lençol de água ou areia, banheira, bacias, etc).
  • Pedras de tamanho médio e grande
  • Areia
  • Água
  • Barcos de noz ou rolhas, palitos, etc.
  • Pulverizador de plantas
Realização:

Retire o musgo com cuidado, juntamente com uma camada de terra, e conserve-o úmido enquanto o transporta. Proteja a área donde retirou o musgo, preenchendo os espaços e calcando a terra solta com cuidado. Nunca retire demasiado de um só sítio.

Disponha as pedras ao centro e nos cantos do recipiente da água, firmando-as para fazerem pequenos rochedos ou montanhas (crie cavernas, deixando espaços entre as rochas). Faça uma pequena praia perto da base de um rochedo colocando alguma areia em cima de uma rocha rasa. 

Junte cuidadosamente o musgo às ilhas rochosas, torando-as verdes e cheias de vida. Veja bem se o musgo tem uma boa base de terra, juntando alguma se for necessário. Calque o musgo nos espaços rochosos. Não precisa de cobrir completamente as rochas.

Encha o contentor de água quase até meio. Necessita de água suficiente para que as crianças possam-se divertir sem inundar as praias e as ilhas. Pode criar barcos de noz, pequenos homens de cera ou barquinhos com rolhas, velas, palitos e muito mais para que as crianças se possam entreter durante horas a fio!

Espero que tenham gostado e fico a aguardar as vossas fotos!

Fonte: Petrash, Carol (1992). Os Tesouros da Terra. Lisboa: Instituto Piaget.