Bem-Vindos. Sentem-se em volta da fogueira, peguem uma xícara de chá e comecemos a aprender os mistérios antigos e a desvendar segredos esquecidos. Trilhem connosco a floresta sobre o olhar atento da Lua...

Novos artigos serão sempre publicados à quinta-feira.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Interpretação dos Sonhos


Hoje iremos falar de um tema bastante popular e de que quase toda a gente já falou e lidou ao longo da sua vida, inclusive quem não segue nem Paganismo nem Bruxaria: Os Sonhos.

A interpretação de sonhos é algo antigo e já remonta ao tempo da sociedade egípcia e da sociedade grega em que os sonhos eram formas de contactar com os Deuses e com o divino, meios para receber mensagens das divindades. Em muitos contos da Antiguidade temos registos de pessoas que receberam mensagens dos Deuses através dos sonhos ou premonições do que iria acontecer no futuro. Os sonhos sempre tiveram um impacto no Homem, como sendo uma janela para o desconhecido, para o que está escondido dentro da própria existência humana.

Hoje em dia os sonhos são muito analisados na psicologia, principalmente na psicanálise, fundada por Sigmund Freud (autor do livro "The Interpretation of Dreams" um dos principais livros sobre a análise dos sonhos). Segundo Freud os sonhos são uma forma do subconsciente humano representar os desejos e lidar com as situações do quotidiano. Basicamente são a forma do nosso corpo processar diversas situações da nossa vida enquanto dormimos. Porém os sonhos funcionam a nível do nosso subconsciente, ou melhor, são originários de lá. E, segundo Freud, o conteúdo do nosso subconsciente é muito "cru" e até perturbador para que a nossa mente consciente e racional o consiga processar. Assim sendo, segundo o autor, a nossa mente possui um filtro através do qual as mensagens do subconsciente passam para o consciente. E, de forma a que as mensagens passem por esse filtro, os sonhos são constituídos por símbolos das coisas que acontecem no nosso dia a dia. Por exemplo podemos sonhar com umas escadas em direção ao último andar de um prédio que estamos a subir e isso não significar realmente o subir escadas mas sim o subir na hierarquia no trabalho através de uma promoção. Isto porque o nosso cérebro processou o desejo de ser promovido como uma subida, logo, subir umas escadas para atingir um patamar mais alto.

Freud referia-se aos sonhos como "The Royal Road to the Unconscious" ou seja "A Estrada Real para o Inconsciente". O autor indicada também a existência de três tipos de sonhos:
  1. Profecias que surgiram diretamente nos sonhos;
  2. Previsões de eventos futuros;
  3. Os sonhos simbólicos (abordados anteriormente);
Existem então diversos tipos de sonhos. Para este artigo iremos focar-nos principalmente no terceiro tipo, ou seja, os sonhos quotidianos e simbólicos. Para os dois primeiros tipos costumo recomendar o uso de método oraculares (como Tarot, Runas, etc.) para análise mais detalhe dos mesmos.

Então, com base no indicado por Freud conseguimos entender - e quem já tiver analisado os próprios sonhos irá constatar isso - que realmente a mente humana e o nosso subconsciente funcionam por símbolos. Graças a essa característica dos nossos sonhos, existem livros e websites criados com listas do que pode existir nos sonhos e ao que isso corresponde. Esse tipo de fontes levou a uma banalização dos sonhos como apenas um catálogo de objetos que são juntos e analisados e, na minha opinião e de muitos outros pagãos que se dedicam à análise dos próprios sonhos, esse não é o melhor método para abordar esta temática. Estas listas podem servir de auxílio sim mas nunca de verdade absoluta.
 
Os sonhos, tal como os sentimentos e os pensamentos, são individuais de cada pessoa. Eu posso afirmar que as aranhas são um sinal de dinheiro mas, garantidamente, alguém que sofra de aracnofobia não irá gostar nada de sonhar com aranhas. Os sonhos são pessoais e individuais e devem ser analisados como tal e dependendo de cada pessoa.
 
Um dos melhores métodos para análise de sonhos é o “Diário de Sonhos”. Arranje um caderno e tenha o sempre junto à sua cama junto com um lápis e, assim que acordar, escreva tudo o que se lembre (se organização for um dos seus pontos fortes e não gostar de ver tudo escrito à pressa pode escrever a lápis e, posteriormente, escrever com caneta por cima já devidamente organizado). Mantenha o registo todos os dias, os dias em que sonhou e se lembra do que sonhou (e o que sonhou), dias em que sonhou mas não se recorda, dias em que não sonhou, etc. A partir deste registo começará a notar alguns padrões e semelhanças. E, a partir destes padrões, poderá iniciar a análise. Claro que poderá recorrer às listas indicadas como auxílio mas não dependa delas a 100% já que os seus sonhos é a forma do seu subconsciente comunicar e, como tal, ele tem a sua linguagem própria. Use as listas como um auxílio e não como regra.
 
Quanto mais tempo analisar os seus sonhos a sua técnica vai melhorar e tornar-se-á melhor nas suas análises e no que realmente as coisas significam. Poderá também, graças ao anotar os sonhos, começar a reparar na existência de certos eventos após determinados sonhos. Ou determinadas semelhanças da sua vida pessoal com o que sonha. E assim, com essas parecenças, irá estabelecer a ponte entre a sua mente consciente e o inconsciente.
 
Por fim, um último conselho: Evite pedir opinião a terceiros. Isto porque só você pode saber o que o seu sonho significa, afinal de contas, é o SEU subconsciente a falar. Pode claro pedir uma opinião a um amigo próximo mas não tome a opinião do seu amigo como regra pois a forma como ele analisa os sonhos e os símbolos poderá não ser igual à forma como o seu subconsciente os vê. Para mim as aranhas têm um significado e para a minha mãe, por exemplo, têm outro significado completamente diferente. Se eu for perguntar a uma amiga minha, terá outro significado e por aí adiante. Ao analisar o meu sonho o mais importante é o significado que o objecto sonhado tem para mim.
 
A interpretação de sonhos é algo fascinante e para além de permitir um melhor conhecimento do nosso subconsciente e das mensagens que este nos envia é também uma forma de autoconhecimento. Para além disso ao manter um registo dos sonhos e compará-los com o que realmente acontece na nossa vida em paralelo com o que sonhamos permite-nos entender melhor o funcionamento da nossa própria vida e saber o que devemos mudar para atingir a nossa felicidade e o nosso caminho.
 
Use todas as ferramentas ao seu dispor para contribuir para ser a melhor versão de si mesmo que conseguir!
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Tarot: Dicas Úteis



Lançar Tarot e trabalhar com o Tarot são coisas extremamente interessantes de fazer na prática mágica e até para quem nem pratica Bruxaria nem Paganismo. O Tarot, como vimos no artigo de História do Tarot, já existe à imensos séculos e existem mil e uma formas de trabalhar com ele desde caminhos individuais, caminhos associados a baralhos específicos como Thoth ou o Raider-Waite ou até o Caminho do Tarot. Neste artigo falo de algumas dicas que, pessoalmente, acho que auxiliam qualquer praticante que esteja a começar a trabalhar com o Tarot e até pode ser útil para quem já trabalha com esta arte à muito tempo!

Começando então pelas dicas que tenho para vocês:

  • Não devemos repetir perguntas
Esta é um dos principais conselhos que dou a nível de Tarot é não repetir perguntas. Não só é contra-produtivo pois já temos a resposta como também é desnecessário. Costumamos ter a tendência, após fazer uma leitura, em repetir a pergunta por vários motivos: ou para garantir que a resposta está certa, ou porque não compreendemos bem, ou apenas para reler novamente. Isto não é boa ideia. Apenas recomendo repetir perguntas muito pontualmente e de forma reformulada e somente em situações em que não tenha compreendido mesmo a resposta (preguiça de pensar no que significa não está incluído!) e, mesmo assim, se puder evitar ainda melhor. Algo que notei que acontece, e muita gente fala do mesmo, é que se forçarmos o Tarot a repetir as coisas muitas vezes ele começa a dar respostas incoerentes ou então sai uma resposta como se o próprio baralho estivesse a ralhar connosco! :)

  • O Tarot não é um método de prever o futuro
Este é algo que surge muitas vezes em conversas e ainda hoje expliquei a uns colegas. O Tarot não prevê o futuro. Aliás o futuro não pode ser previsto porque ele está em constante mudança. Como os nossos avós diziam "A única certeza na vida é a morte" isto porque nada é certo e tudo depende das acções e reacções que levam até determinado momento. O Tarot mostra-nos as variáveis. Ou seja estamos no ponto D e para lá chegar passamos pelo ponto A, B e C e fazemos um lançamento para saber o que esperar nos próximos três ou seis meses, por exemplo. O Tarot, claramente, vai indicar que no futuro temos o ponto E. Mas imaginemos que não queremos o E, que o E representa algo que não gostamos ou que estamos insatisfeitos com a nossa vida atualmente e preferíamos estar no ponto H. Cabe a nós próprios tomar as rédeas na nossa vida e mudar, agir, transformar. O que o Tarot diz não é regra, apenas é o mais provável. Tudo pode ser mudado, tudo se transforma. Por isso se o Tarot disser que vai ficar no emprego em que está durante mais dois anos mas você detestar esse emprego, procure outro e saia! Nada o impede excepto as circunstâncias à nossa volta e, acima de tudo, a nossa própria mente.

  • O ambiente e a preparação são chaves para o sucesso
Lançar cartas de tarot numa estação de metro movimentada, com imenso barulho à volta, fumos e cheiros que nos distraem não é apropriado. É necessário e aconselhável estabelecer uma rotina para lançar as cartas. Por exemplo eu, pessoalmente, tenho uma rotina para cada baralho. Com a versão de bolso faço de uma forma e com o meu baralho normal faço de outra. Como o de bolso é para viagens ou deslocações ou até momentos de emergência tento ser mais prática com esse e, com o baralho normal, tenho todo um procedimento com velas, incensos, toalha para lançar cartas, etc que faço. O ambiente e o estado de consciência são essenciais para assegurar bons resultados. Medite um pouco antes de lançar o baralho ou pelo menos centralize e foque-se no momento e no que está a fazer. Sinta as cartas e as suas energias nas suas mãos, foque-se. Desvie a mente da vida atarefada, da lista de compra ou da lista de tarefas. Foque-se na pergunta que está a fazer, acenda um incenso ou uma vela, estenda uma toalha. Se sentir necessidade tenha um cristal próprio consagrado para auxiliar no Tarot ou para manter as energias equilibradas no momento do lançamento. Mas garanta apenas que está no mindset necessário para a tarefa que está a desempenhar, não só por respeito a quem está a ser alvo de leitura mas também por respeito ao próprio baralho em si.

  • Manter registos
Principalmente para quem está a começar a estudar Tarot e a iniciar o trabalho com os baralhos eu acredito que manter um registo de todas as tiragens é essencial. Não só porque permite analisar o seu próprio desenvolvimento e o que tem vindo a melhorar mas também porque permite manter um registo prático para situações em que já não se recorda bem de qual foi a resposta de uma tiragem de à três meses atrás (e, também, é fascinante lançar as cartas para os próximos três meses, por exemplo, e após esse período voltar atrás e ler o que foi previsto e comparar com a realidade de como correu aqueles meses. Coincidiu? O que mudou? O que se esforçou para mudar?). Isto é também prático para lançamentos de cartas para outras pessoas que possam vir questionar sobre tiragens que você tenha feito para elas e as mesmas não se recordem. Outro motivo porque é essencial apontar as respostas do Tarot é porque o Tarot pode falar de forma meio encriptada e, no momento, não compreendermos a resposta (tal como indicado em cima, se possível, evitar lançar novamente sobre a mesma pergunta) então apontemos qual foi a resposta, mesmo que não a compreendamos. Isso fará com que no futuro as restantes peças do puzzle surjam e, eventualmente, a resposta que o Tarot deu vai acabar por fazer todo o sentido! Por isso aconselho a ter um pequeno caderno dedicado às tiragens de Tarot, coloque a data e hora em que foi feita a tiragem, qual a pergunta e qual a resposta. Se quiser até pode depois fazer jogadas com as tiradas e as horas astrológicas mas isso é algo mais complexo e fica ao critério do próprio praticante.

  • Ligação com o Baralho
Algo que já falei em artigos anteriores e que reforço neste é que é essencial estabelecer uma ligação com o nosso próprio baralho. Isto pode ser feito através de meditação, através da Jornada do Louco (mais informações no Fórum da TCS) ou até apenas pelo uso regular do próprio baralho. Eu vejo meus baralhos como meus conselheiros, quase como se fossem entidades próprias a quem recorre a solicitar orientação e conselhos. Não estou a dizer que toda a gente deve encarar esta prática dessa forma, longe disso! Apenas que uma conexão com o seu baralho, como ele funciona, como as cartas são, o que representam, quais as simbologias, desenhos e pequenos detalhes essenciais à leitura é que existem. O tentar largar o livrinho de auxílio e intuitivamente saber o que cada carta representa e como o seu significado é alterado ao estar junto a outra carta. Como as combinações de cartas divergem do significado individual de cada carta. Como cada carta é constituída. E todos os outros cenários essenciais à compreensão do baralho. Isto é importante no trabalho com as cartas.


Outras coisas que pode fazer para ajudar no lançamento do Tarot (principalmente em análise de situações complicadas ou externas e que envolvem maior concentração) é banhos de limpeza e de energização, contacto com divindades associadas a métodos divinatórios (Hekate, Hermes, etc.) para facilitar a tiragem, queimar incenso ou óleos aromáticos para ajudar a entrar no mindset necessário, etc. Existem imensos truques pessoais que vai acabar por adquirir ao longo da sua prática e que irão facilitar todo o trabalho com o Tarot que desenvolve.

E, como se costumava dizer antigamente, a prática leva à perfeição por isso vamos começar a conectar com o nosso baralho (se ainda não sabe como escolher um baralho, leia o nosso artigo "O Tarot: Como Escolher um Baralho") e começar este caminho fascinante que é o mundo do Tarot.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Local - Vila Pagã



"Em uma área encravada na zona rural do município de José de Freitas, interior do estado do Piauí, no nordeste brasileiro, a Vila Pagã é uma comunidade formada por colonos pagãos, reunidos em prol do desenvolvimento social e econômico da região, com o objetivo de preservar as tradições pagãs na atualidade."

Localização: Munícipio José de Freitas, Piauí, Brasil
Coordenadas: 4°52'57.5"S 42°41'27.7"W
Contacto: rafaellugh@gmail.com Rafael Nolêto (Coord. Vila Pagã/ Administrador Geral VP)

A Vila Pagã é um local de destaque no Paganismo brasileiro e creio que merece lugar aqui no nosso blog! Fundada e criada por Rafael Nolêto (fundador do antigo Jornal "O Bruxo" que muitos conheceram) a Vila encontra-se no nordeste brasileiro, no estado do Piauí numa zona rural do município José de Freitas e é constituída por sete hectares. O acesso ao local é bastante fácil e conta com visitantes tanto brasileiros como internacionais. Apesar de partes da Vila ainda se encontrarem em construção a mesma já está aberta ao público para visitar e é local de organização de vários eventos, incluindo alguns abertos ao público em geral! Na página de Facebook, inclusive, temos a listagem de algumas celebrações como as recentes Celebração da Festa das Almas 2016 e a Celebração da Festa da Carnaúba 2016, entre muitas outras organizadas no passado desde 2014!

Esta colónia tem várias missões sendo que as principais são a integração dos pagãos e a preservação cultural da tradição pagã local, denominado Paganismo Piaga. O culto a divindades deste ramo do Paganismo, celebrações do mesmo e costumes estão muito presentes em toda a Vila, tanto a nível decorativo e estético como também a nível dos eventos e celebrações realizadas no local. Este detalhe, o foco no culto das tradições locais, é de louvar pois não só permite a difusão de conhecimento sobre tradições e culturas já quase esquecidas mas também reaviva a chama de culto a Divindades e o estudo e paixão pela área onde se vive e de onde são as raízes de cada um.

O fundador, coordenadores e o conselho de secretários da Vila definiram como bases do projecto da Vila Pagã os seguintes pontos importantes: 
  • A valorização do culto Piaga;
  • O respeito ao meio ambiente;
  • O incentivo ao empreendedorismo, como factores fundamentais para a consolidação da economia, sustentabilidade e organização ideológica da comunidade.
A Vila é um espaço que tem como pilares o desenvolvimento da espiritualidade, da ecologia e da integração social. Este é um espaço simplesmente fantástico e recomendo a leitura atenta do site oficial e, em destaque, a página de Princípios onde podem verificar todos os princípios que regem o funcionamento desta comunidade pioneira no Paganismo Brasileiro que luta por uma comunidade pagã inclusiva, sem dependências, harmoniosa e onde o culto aos Deuses e o trilho pagão sejam caminhos a seguir para o desenvolvimento pessoal e a felicidade de cada um.

Por fim, a bandeira da Vila Pagã, conforme mostra na imagem abaixo, tem o seu próprio simbolismo e, como indica no site oficial (pois quem melhor do que quem criou a explicar?):


"As folhas representam as vertentes pagãs, que apesar das diferenças, são unidas por um mesmo galho (ou seja, as características básicas do paganismo), disposto como uma coroa de louros, simbolo da vitória e da cultura clássica pagã. O pentagrama aqui simboliza o próprio homem, com o pensamento conectado ao poder divino, com os braços abertos para abraçar o conhecimento, e com os pés firmados no chão, ou seja, consciente de seu papel na Terra, como um instrumento divino. Além disso, também representa a magia da natureza e dos quatro elementos básicos, em equilíbrio com o espírito."

Por isso já sabem: Se estiverem de visita pelo Brasil ou pelo estado de Piauí contactem a Administração da Vila Pagã e façam uma visita a este espaço fantástico, único no Brasil e raríssimo de encontrar no mundo de hoje. Dedique algum do seu tempo a explorar novos caminhos do Paganismo e novos locais, conhecer novas culturas e novos espaços. Visite a Vila Pagã e conheça um local inesquecível. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Roda do Ano - Yule

Data Tradicional: 21 de Junho (No Hemisfério Sul) e 21 de Dezembro (No Hemisfério Norte)

Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer (HS) ou Sol a 0º de Capricórnio (HN)

Yule (pronuncia-se “i-ú-le”), também denominado de Solstício de Inverno, Natal (na fé Cristã), Ritual de Inverno, Meio do Inverno e Alban Arthan é um dos Sabbats menores e é realizado quando o Sol está em 0º de Capricórnio (no Hemisfério Norte) e 0º de Cancer (no Hemisfério Sul) o que, por norma, ronda os 20/21/22 ou 23 de Dezembro (HN) / Junho (HS). Yule, ou Solstício de Inverno, é a altura do ano em que o Sol atinge o seu ponto mais baixo e se prepara, a partir daqui, para subir no céu e voltar a erguer-se fortemente e brilhar bem alto. Este é o dia em que a duração do dia é mais curta e a duração da noite é mais longa.

É um momento de renascimento. Tanto do Sol que morre e nasce (simbolicamente) como de um renascimento pessoal, de nós mesmos. E, para além disso, também se refere à promessa de fecundidade dos campos que, com os raios de luz do Sol e os dias que vão começar a crescer gradualmente, garantem a fertilidade dos pastos e das hortas.

Uma das grandes tradições deste festival é acender um cepo na fogueira (seja de carvalho ou outra madeira sagrada). Isto é uma forma de contribuir, simbolicamente, para o reforço da Luz Solar e a sua vitória sobre as trevas. As brasas resultantes desta fogueira podem ser usadas como amuletos ou talismãs que carregam o poder da vitória do Sol (Sol Invictus), resultante do poder da água (representada pela madeira fresca e cheia de salva) e do fogo (na labareda da fogueira).

Este é um festival que está cheio de cultos ao fogo e aos Antepassados. No jantar reúnem-se os familiares, incluindo os antepassados. Um costume é, após o jantar, deixar a comida na mesa para que os que já passaram para o outro lado possam vir e celebrarem também esta época de alegria.

O Bolo-Rei, uma grande tradição desta época do ano, é outro elemento importante neste festival. Ele é o símbolo do Sol pela sua forma redonda e branca e, ao mesmo tempo, ele é também a terra com as suas frutas cristalizadas dentro de si (em semelhança à Terra que está agora com as sementes dentro de si, à espera do momento ideal para germinarem). 
Nas festas do Solstício participam duas forças: A do passado, representada pelos antepassados que vêm ao nosso encontro e a do futuro que é representada pelo Sol que se renova e prepara para fertilizar a Terra com o seu brilho e esplendor.

Nesta época a Terra encontra-se ainda adormecida, coberta pelas camadas de neve que enchem as ruas e as montanhas. Os animais e as plantas hibernam e esperam, ansiosamente, pelo começo do brilho do Sol, após esta data, que dita o aproximar da Primavera. É este acordar do Sol, símbolo do gradual aparecimento da Primavera, que celebramos nesta data. 
Yule é outra das várias das festividades pagãs que foi adoptada pelos cristãos, conhecida actualmente como o Natal e simbolizando o nascimento de Jesus Cristo. Grande parte das tradições associadas ao Natal têm origem pagã, tal como o azevinho, o visco e o bolo-rei que são costumes pagãos.

O visco é, como mencionei anteriormente, uma das tradições pagãs que foi adoptada para o Catolicismo e incorporada na festividade do Natal. O visco era considerado, nos tempos antigos, algo extremamente mágico. Acreditava-se que possuía grandes poderes curadores e que concedia o acesso ao Submundo e, como tal, o contacto com aqueles que já passaram. O significado fálico e sexual do visco teve origem na ideia de que os frutos brancos que caracterizam a planta eram, na verdade, gotas do sémen divino do Deus, que fazia contraste com os frutos vermelhos do azevinho, que eram representantes do sangue menstrual da Deusa.

Uma árvore de Yule pode ser construída para simbolizar a alegria e alegrar a casa (decorada com azevinho e visco e cores entre o dourado, verde e vermelho – cores estas que também decoram o altar durante este período). Uma fogueira com cepos das árvores sagradas, bolo-rei e um caldeirão são grandes recomendações para esta altura.

Quanto às comidas, seguem ao lado algumas receitas que podem ser realizadas neste festival para alegrar a casa e a família. Este é um momento de família (como já referi) então aproveite para contar histórias aos mais novos sobre os seus antepassados, jogue uns jogos e festeje o nascimento do Deus Sol que agora se prepara para iluminar e aquecer a Terra!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Tarot: Como Escolher um Baralho


Uma das principais questões para quem está a começar a trabalhar com o Tarot é qual o baralho escolher e como escolher um baralho. Este artigo tem como objectivo responder a estas questões e ajudar quem está à procura de um baralho, seja ele o primeiro ou apenas mais um para a colecção!
Existem vários pontos a ter em conta quando adquirirmos um baralho para trabalhar com ele, que são:

  • Siga a Intuição
  • Tradicional ou Moderno?
  • Veja a Arte dos Baralhos
  • Tamanhos
  • Iniciante ou Experiente?
  • Qual o uso para o Tarot?
  • Qualidade e Preço
Vamos analisá-los um a um.

  • Siga a Intuição
Esta é a forma mais certa de ter um baralho com o qual se goste de trabalhar. Por exemplo, no meu caso, é raríssimo arranjar um baralho com o qual eu consiga trabalhar porque não me identifico com as cartas e detesto ter de andar a ler o "livrinho" cada vez que faço uma tiragem até porque acabo por ter dificuldade em decorar os significados. Mas há um baralho que, para mim, é instantâneo que é o Pagan Tarot. Eu lanço e sei logo, só de olhar, ler exactamente o que está lá. Tive uma conexão imediata com este baralho e consigo trabalhar rapidamente e eficazmente com ele. Mas, por exemplo, se tiver de usar um Baralho de Marselha não consigo, simplesmente não dá.

A ligação com o nosso baralho é essencial pois permite-nos um trabalho mais fluído e mais ligado ao próprio Tarot. Ao invés de se tornar um lançamento torna-se uma conversa entre nós e o baralho, como se ele tivesse vida própria, personalidade própria e nos aconselha-se. Eu considero o meu Tarot um "amigo conselheiro" pois estabeleci um fantástica ligação com ele, dada a conexão que tenho o baralho.

Veja vários baralhos (existem sites como Aecletic Tarot que permitem investigar os baralhos existentes e até ter uma pré-visualização das cartas que fazem parte do mesmo) e veja qual lhe atrai mais, qual chama mais a atenção. Depois investigue sobre esse baralho e se realmente sente a ligação com ele. Caso sinta, força nisso então!

  • Tradicional ou Moderno
 Outro passo importante é entender que tipo de baralho quer. Algo mais tradicional como o Rider Waite ou o Tarot de Thoth? Ou talvez até o Tarot de Marselha? Ou será que prefere algo mais moderno como o Tarot das Fadas ou o Tarot Pagão? Existem imensos decks hoje em dia no mercado, alguns mais tradicionais com imagens clássicas (cavaleiros, símbolos medievais e antigos, etc.) e imagens mais modernas (carros, computadores, etc.). Um dos pontos principais é também estabelecer com o que se sente mais confortável: moderno ou tradicional? Investigue os tarots e as suas imagens para entender qual a sua preferência.

  • Veja a Arte dos Baralhos
No seguimento do ponto anterior é importante também gostarmos da arte dos nossos baralhos. Há quem tenha, por exemplo, vários baralhos com diferentes usos para cada um deles. O de Thoth para auto-conhecimento por exemplo. O de Marselha para adivinhação. O das Fadas para ligação com o povo das Fadas. É importante gostar da arte do nosso baralho, dos desenhos e do trabalho do artista que dedicou tempo a personalizar e criar aquelas imagens.

  • Tamanhos
Sei que este ponto pode parecer estranho para alguns mas existem vários tamanhos de baralhos. Por exemplo, no meu caso, tenho o Pagan Tarot em duas versões: uma versão pequena (versão de bolso) para quando vou viajar ou para algum sítio que queira levar o baralho de forma discreta e tenho a versão em tamanho grande, normal, para estar no meu altar e para trabalhos mais complexos ou sessões mais aprofundadas e localizadas. Existem diversos tamanhos de baralhos e até da espessura do material de que é feito as cartas. É importante garantir que o tamanho do baralho é um tamanho ao qual nos adaptamos pois é fulcral que consigamos baralhar as cartas sem que elas saltem ou caiam (no meu caso demorei imenso tempo a habituar-me à versão grande do meu baralho pois já estava tão acostumada ao versão de bolso).

  • Iniciante ou Experiente?
Para quem está a começar é importante ter em conta o tipo de baralho que está a escolher. Como falado no Thoth vs Waite o baralho de Thoth, por exemplo, é um baralho bastante complexo para quem está a começar. Por vezes é preferível escolher um baralho mais simples ou até que venha com um bom livro a acompanhar de forma a se iniciar no trabalho com o Tarot. O começo da aprendizagem do Tarot com um baralho mais complexo pode levar a uma frustração e eventualmente a desistir do trabalho com a arte do Tarot ou até a nunca mais decidir pegar no baralho devido à primeira má impressão. Tenha sempre em conta a complexidade do baralho, é preferível começar com um simples e mais tarde avançar para algo mais avançado, se assim desejar.

  • Qual o uso para o Tarot?
Como falei à pouco há quem tenha vários baralhos para diversos usos e há quem use apenas um baralho para várias coisas. É importante, ao escolher o baralho, saber qual o uso que vamos dar e adaptar o baralho ao respectivo uso. É um baralho para melhorar a ligação com um Elemental específico, para comunicação com esse elemental? Então talvez seja preferível escolher um baralho cujas imagens e Arte esteja, de alguma forma, relacionada com este uso. O uso será mais dedicado ao auto-conhecimento e desenvolvimento próprio? Algo mais semelhante ao Tarot de Thoth ou um baralho mais abstrato poderá ser o ideal. E se for para previsões e consultas? Algo mais claro e com o qual consigamos ler claramente as suas mensagens. Adapte sempre o tipo de Tarot ao uso que lhe está a dar ou, se preferir, escolha um baralho que lhe chame mais a atenção e com o qual mantenha uma ligação mais profunda e adapte a sua prática a ele, no que precisar de o usar claro.

  • Qualidade e Preço
Por fim, a qualidade é essencial num baralho, principalmente se queremos que ele seja utilizado durante bastantes anos. Mais vale pagar um pouco mais e ter um baralho de boa qualidade e que dure longos anos do que pagar pouco por um baralho cuja qualidade faça com que se deteriore em poucos anos ou até meses! Investir num bom baralho é sempre algo ideal, ainda mais no começo. Confirme bem onde faz a compra e que o vendedor é de confiança, leia críticas e avaliações ao produto antes de comprar caso seja online ou, se for numa loja física, toque nas cartas e veja a espessura da página, a qualidade do material, etc. Garanta que é uma compra que valha a pena. Após adquirir o Baralho confirme que o guarda num local seguro e sem humidade. Se possível arranja até uma bolsa ou uma caixa para o guardar, a manutenção é a chave para um baralho duradouro.

No fim a escolha é sempre sua. Escolha de forma informada e decidida e, acima de tudo, escolha o que for melhor para si, aquele que sentir ligação e sentir que é o ideal para o uso destinado. Há imensos baralhos à venda é uma questão de começar e escolher o baralho (ou baralhos...) certo para si! :)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Receita - Tronco de Yule


O Solstício de Inverno aproxima-se e com ele vem várias celebrações nas religiões mais famosas do Mundo, principalmente o Natal. Aqui, no Paganismo, muito celebram o Solstício de Inverno ou Yule. Para assinalar este festival e de forma a preparar-nos para a época festiva, hoje venho com uma receita fantástica que a mãe costuma cozinhar e é simplesmente uma delícia!

Os ingredientes podem facilmente ser trocados por alternativas vegetarianas e veganas se pretender, basta investigar quais as doses apropriadas das alternativas para as doses indicadas na receita.

Ingredientes para a Torta:
  • 3 Ovos
  • 3 Colheres (de sopa) de Açúcar
  • 3 Colheres (de sopa) de Farinha
  • Manteiga para untar a forma
Ingredientes para o Recheio:
  • 3 Ovos separados
  • 250g de Manteiga
  • 125g de Açúcar Amarelo
  • 2 Colheres (de sopa) de café solúvel
Preparação: Para começar é necessário bater os ovso com o açúcar e juntar a farinha. Bater bem a mistura até ficar homogénea e depois deverá ser esticada a massa num tabuleiro já untado com manteiga e ser levado ao forno por aproximada 10 minutos. Pode ir espetando com um palito para garantir que já está cozido e não está húmido por dentro. Assim que estiver pronto basta retirar do forno e desenformar sobre um pano polvilhado com açúcar e enrolar para fazer uma torta. 

Agora, vamos ao recheio. Deverá ser colocada a manteiga, o açúcar, as gemas de ovoso e o café e misturar bem. Quando estiver bem misturado é altura de adicionar então a claras em castelo. Misture até ficar uniforme e vamos partir para a decoração! Agora desenrole o bolo e barre com parte do creme e volte a enrolar. Agora é altura de barrar em volta da torta e cobrir toda a torta. Se quiser até pode cortar uma parte do fundo e "colar" com o recheio para fazer um tronco adicional. Assim que estiver tudo bem barrado na torta poderá adicionar decorações como Árvores de Yule (poderá usar as de Natal, dado serem parecidas) ou figuras de azevinho ou semelhantes. Estas podem ser compradas em lojas online como no eBay ou em lojas de pastelaria. Em alternativa, se tiver jeito e quiser experimentar, também pode moldar as suas próprias figuras com maçapão. Para ajudar à decoração pode ainda adicionar um pouco de açúcar em pó por cima a imitar neve! 

Esta receita é simplesmente deliciosa e espero que gostem e que alegre os vossos jantares ou almoços da época