Bem-Vindos. Sentem-se em volta da fogueira, peguem uma xícara de chá e comecemos a aprender os mistérios antigos e a desvendar segredos esquecidos. Trilhem connosco a floresta sobre o olhar atento da Lua...

Novos artigos serão sempre publicados à quinta-feira.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Paganismo & Bruxaria no Youtube


O Youtube é hoje uma das grandes ferramentas de aprendizagem a nível mundial, lá podemos encontrar vídeos para aprender fazer quase de tudo, vídeos de opiniões, vídeos de humor, vídeos de notícias, entre milhares de outras temáticas. Como boa ferramenta que é, o mais natural é também existirem canais pagãos e relacionados com a Bruxaria! É exactamente sobre isso que será o nosso artigo de hoje.

Pessoalmente adoro o Youtube e sigo vários canais atentamente. E algo que sempre quis foi seguir canais pagãos e de outros praticantes, ver outros métodos de praticar, outros métodos de cultuar as divindades e apreciar a diversidade dentro do Paganismo e da Bruxaria mas são poucas as listas de pagãos no Youtube que existem. É aí que nós entramos em acção!

Neste artigos vamos enumerar alguns canais de Youtube relacionados com Paganismo, Bruxaria, Wicca, Reconstrucionismo, Druidismo, entre outras temáticas interessantes e que possam ser úteis para os vossos caminhos mágicos/pagãos/espirituais. Então, vamos lá:

* Por Ordem Alfabética *

Canal Ascendente - Canal com conteúdo pagão e relacionado com Bruxaria, Astrologia, Tarot, entre outros assuntos. Conteúdo em Português (BR).  #Sugerido por Jhoe Lopes

CharmingPixieFlora - Canal sobre Paganismo Eclético e Wicca. Já não é actualizado á vários anos porém os vídeos continuam online e podem ser vistos. Conteúdo em inglês.

Covenant of Hekate - Canal oficial do Covenant of Hekate com conteúdos sobre Hekate, vídeos de celebrações e rituais associados a Hekate. Conteúdo em inglês.

Cutewitch772 - Canal pessoal de uma Pagã Eclética que fala sobre a suá prática e caminho pessoal. Conteúdo em inglês.

Danni Niles - Canal pessoal de uma praticante de Druidismo, vídeos sobre a sua prática, de aprendizagem, etc. Conteúdo em inglês.

Doreen Valiente Foundation - Canal oficial da Doreen Valiente Foundation com vídeos de temática Wiccana, relacionados com a Fundação e os seus eventos e algumas entrevistas de figuras importantes no movimento Wiccano Britânico. Conteúdo em inglês.

Laurie Cabot (Oficial) - Canal da Laurie Cabot com alguns vídeos da própria e de aprendizagem. Já não é actualizado à mais de um ano mas os vídeos encontram-se online. Conteúdo em inglês.

Leandra Witchwood - Canal sobre Bruxaria de Cozinha e com algumas lições de Bruxaria de Cozinha disponíveis para consulta. Conteúdo em inglês.

Pagan Perspective - Canal conjunto de vários pagãos/bruxos que abordam uma temática por semana mostrando a opinião de cada um e as diversidades existentes. Conteúdo em inglês.

Walonom - Canal oficial da Tradição Druídica de Walonom, vídeos de aprendizagem e alguns documentários. Conteúdo em Português (BR).

Tradição Caminho das Sombras - Canal oficial da Tradição Caminho das Sombras com vídeos de aprendizagem, hangouts, entre outros. Conteúdo em Português (BR).

Esta lista é pequena e poderá crescer com a vossa ajuda: 

Comentem os canais sobre Paganismo e Bruxaria que vocês conheçam e gostem para que todos possam conhecer e assistir!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Roda do Ano - Imbolc

Data Tradicional: 1 de Fevereiro (No Hemisfério Norte) e 1 de Agosto (No Hemisfério Sul)

Data Astrológica: Sol a 15º de Aquário (HN) ou Sol a 15º de Leão (HS)

Imbolc (pronuncia-se “Imólg”) também chamado de Oimelc, Dia da Senhora ou Candlemas, é um dos Sabbats maiores e é festejado, tradicionalmente, no dia 1 de Agosto (no HS) e no dia 1 de Fevereiro (HN). Astrologicamente ocorre quando o Sol está a 15º de Leão no Hemisfério Sul e a 15º de Aquário no Hemisfério Norte.

Imbolc, etimologicamente, significa “lactação de ovelha”. Era nesta altura que nasciam os pequenos cordeiros e, como tal, iniciava-se o processo de lactação das ovelhas em que estas forneciam leite, tanto às suas crias como à população que delas dependia. Como tal, o leite tem um papel bastante importante neste festival e pode ser utilizado e incluindo nos seus ritos. 
Imbolc é, como eu referi na Tríade nº 3 (Fevereiro ’10), a polaridade de Lughnassadh pois enquanto em Imbolc estamos na altura em que se lança as sementes para a Terra, em Lughnassadh irá colher-se os frutos.

Imbolc é um festival do Fogo e da Luz. O Deus Sol nasceu em Yule e agora começa a subir alto nos céus e, apesar da sua presença não se fazer notar ainda, sabemos que ele está a erguer-se lentamente do frio e escuro do Inverno.

Este festival é de origem Celta e, para os celtas, a lareira era algo bastante importante principalmente num festival como Imbolc que, devido ao frio que se fazia sentir no exterior, era celebrado acima de tudo a nível mais familiar e mais íntimo. O fogo é um factor importante neste festival. Referimo-nos ao Fogo que desencadeia a inspiração poética e que cura os males do corpo e da alma e que força e cria e molda as armas e os instrumentos agrícolas tão necessários para a sobrevivência das populações. Este, simboliza também a Luz que venceu as Sombras do Inverno e o Sol que se ergue no Céu e que irá, futuramente, fertilizar as terras com o seu brilho e calor para fazer nascer as sementes do seu interior.

Um dos costumes de Imbolc, é acender velas e fogueiras, como forma de iluminar a noite e assim dar energia ao Sol para subir mais e mais alto no Céu.

Imbolc, como muitos outros costumes pagãos, também foi adoptado para a prática cristã e recebeu o nome de “Candlemas” ou, em português, “Candelária”. Este tornou-se um festival enraizado na cultura cristã e, inclusive, na Península Ibérica existe um ditado que profetiza o tempo, relacionado com esta celebração, que diz “Se a Senhora sorrir, muita chuva está p’ra vir! Se a Senhora chorar, o Verão está a chegar!”.

Em muitas regiões pela Europa, tendo em conta que este festival ocorre em Fevereiro, este marca o começo do Carnaval, como uma espécie de grande festival que celebra a emergência da Primavera. Nesta altura as trevas do Inverno ainda predominam e a força Solar, o Deus Sol, ainda está dependente da Deusa na sua figura de Mãe. O Carnaval, vem tratar disso mesmo, de despedir dessa imagem maternal e acolher a Primavera, a altura em que a Deusa se torna a Donzela.

Existe uma tradição de construir uma Cruz de Brighid (ou Brígida), em nome da Deusa Brígida, da Cultura Celta, bastante presente neste festival. Esta Cruz tem o propósito de servir protecção para as pessoas. São tradicionalmente colocadas algures na casa, para a proteger.

Imbolc é também uma altura apropriada para purificações e limpeza, sendo que estamos num momento de renovação. O Inverno chegou ao fim e a Primavera começa. Portanto, pode aproveitar este festival para limpar a sua casa, tanto fisicamente quanto energeticamente e a mesma coisa com o seu próprio corpo.

Quanto ao seu altar, pode ter bastantes velas, como referi, a Luz é um ponto fulcral deste Sabbat. E pode predominar, em termos de cores, rosas, vermelhos, marrons, brancos, etc.

Quanto as simbologias deste festival e que podem estar presentes, tanto no ritual quanto no seu altar pessoal, podemos salientar a presença da vassoura, as cruzes de Brígida, velas e outros símbolos de Luz e flores, como amarelas e brancas, para simbolizar o Sol.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Celebrações Lunares


Desde os tempos antigos que a Lua desempenha um papel fundamental nas sociedades, chegando a ter um papel importantíssimo nas religiões da Antiguidade sendo associada a várias divindades como Artémis, Hécate, Selene, Tsukuyomi, Thoth, entre outras ao longo dos anos. Ainda hoje em dia a Lua é celebrada em vários caminhos do Neo-Paganismo como a Wicca e as suas tradições, por exemplo.

À Lua estão atribuídos diversas características e áreas de influência como o subconsciente, a intuição, os sonhos, a inspiração, a sensibilidade, o feminino (devido à ligação do ciclo menstrual da mulher com o ciclo lunar e à influência da mesma sobre os partos), as marés (as quais são influenciadas pelas diversas fases da Lua), os mistérios, o conhecimento, entre outros. A Lua ainda hoje desempenha um papel misterioso nas pessoas, inclusive as que não são pagãs. Quantas vezes não se ouviu já dizer que a Lua Cheia influencia os partos? Ou que é melhor cortar o cabelo em Quarto Crescente para ele crescer mais rápido? E, mais famoso de todos, quem não sabe a lenda do lobisomem influenciado pela Lua Cheia? Ou até dos contos antigos das Bruxas dançando nas colinas sobre a luz da Lua? Todos já ouvimos algumas histórias do quando misteriosa e mágica é o nosso satélite natural. E hoje vamos analisar algumas das celebrações que são feitas em sua honra, principalmente na Wicca.

Começando pelo ciclo lunar, podemos ver que a Lua tem várias fases ao longo do seu ciclo (29 a 30 dias) nomeadamente:


Fonte: Wikipédia, 17-01-2017

Muitas culturas como os babilónicos, os gregos e os egípcios utilizaram calendários lunares na antiguidade, guiando-se pelas fases da Lua para marcar o ínicio e o fim de cada mês. Actualmente as fases mais reverenciadas no Paganismo actual são o Quarto Crescente, Lua Cheia, Quarto Minguante, Lua Negra (que ocorre durante aprox. 3 dias antes da Lua Nova) e a Lua Nova. Para cada uma delas existem várias associações e características e cada uma delas é a altura ideal para fazer algo. O truque é escolher em que altura devemos fazer. Por exemplo:

  • Quarto Crescente: Esta Lua está associada à Donzela, a fase mais nova da Deusa. Está associada a novos crescimentos, novos começos. É a época para realizar magia relacionada com melhoramentos lentos, aumentar as oportunidades ou até criá-las. Ao repetir feitiços durante esta altura estará a energizá-los mais com a energia crescente da Lua.
  • Lua Cheia: Esta é a principal fase de celebração, principalmente na Wicca. Nesta data costuma ser celebrado o Esbat de Lua Cheia que consiste um rito de culto à Deusa (na Wicca associada à Lua). Esta Lua é propícia para qualquer tipo de Magia dado ser o auge da Lua (contando-se três dias na mesma, o dia antes, o dia da Lua Cheia, e o dia após) e, como tal, a altura perfeita para energizar cristais, instrumentos, águas, etc. Esta associada à face da Mãe Deusa e à maturidade, fertilidade e criatividade. Cada Lua Cheia tem um nome específico, dependendo do seu mês, sendo que já abordamos esse assunto no artigo Os Vários Nomes da Lua.
  • Quarto Minguante: A Lua Minguante é uma das fases que representa a face Anciã da Deusa. É a altura ideal para fazer banimentos, feitiços ou rituais para cortes de laços e cortes energéticos. Fazer rituais para perder hábitos ou livrar-se de pensamentos negativos, limpezas energéticas serão perfeitos para serem feitos nesta altura do mês.
  • Lua Negra: Muitos, principalmente na Wicca, recomendam que não se faça nada nesta noite pois é uma noite de muita magia no ar. Isto é verdade, porém, nada impede celebrações nesta data. Aliás o culto à Deusa Hékate, por exemplo, tem nesta data uma celebração importantíssima chamada do Deipnon de Hékate.

  • Lua Nova: A Lua Nova simboliza a Morte da Lua e, ao mesmo tempo, o seu renascimento pois a partir deste momento a Lua voltará a crescer. É uma excelente altura para introspecção, meditações, conhecimentos interiores, etc. É também uma boa altura para métodos divinatórios e para começar a organizar o que quer fazer durante o próximo mês e durante a fase de Quarto Crescente.
Em todas as Luas pode também energizar instrumentos com a energia de cada fase (Exemplo: pode energizar água da Chuva na luz da Lua de Quarto Minguante para que a mesma sirva para rituais de banimento ou então pode consagrar cristais em Quarto Crescente para que auxiliem em crescimento de um projecto ou nos seus estudos) e, a partir daí, ter essa energia lunar disponível em qualquer altura do mês.

A sincronização de ritos específicos com as fases da Lua não é, de todo, obrigatório nas práticas de Magia dentro da Wicca e, muito menos, na prática de Magia no geral. É uma recomendação se pretender utilizar as energias da Lua para dar aquele boost extra à sua prática mágica. Pessoalmente adoro trabalhar com a Lua e faço esforço de sincronizar os meus rituais com as fases da Lua apropriadas mas esta escolha parte do próprio praticante em si. Por isso já sabe, aproveite as energias da Lua na sua prática e traga um pouco desta magia antiga para o seu lar!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A Roda do Ano nas Nossas Vidas

 

O Paganismo tem como ritos as Celebrações Sazonais. Estas mudam de aspecto, de nome e de costumes conforme as tradições pagãs a que nos referimos mas o objectivo é o mesmo: Ligar-nos e festejar os ciclos e mudanças da Natureza.

E é disso que vou falar e neste artigo específico irei restringir-me à Roda do Ano Wiccana, com as suas 8 Celebrações.

A Roda do Ano é algo essencial e bastante presente na vida de um Wiccano. Festejamos os seus rituais e as suas mudanças, dançamos, rimos, acendemos fogueiras e fazemos bonecas de milho. Oito vezes por ano reunimo-nos com os nossos amigos e companheiros ou então sozinhos na presença dos Deuses e realizamos mais um rito em honra de um festival sazonal.

 Mas quantos de nós já pararam para pensar a importância e a influência que esses ritos têm nas nossas vidas? A Roda do Ano não é somente oito vezes por Ano, mas sim a todo o instante. Sentimos as mudanças em nós mesmos, sem precisar de olhar para o calendário. Em nosso redor vemos a Natureza mudar e tomar outras formas. Vemos as flores florescerem e crescerem, os pássaros a chilrear, o tempo a aquecer e o Sol a erguer-se mais alto no Céu… E depois, vemos as árvores a deixarem cair as suas folhas, o o chão coloridos de folhas de todas as cores outonais, o vento a soprar mais forte e a chuva a cair fortemente nos vidros das janelas enquanto nós estamos enrolados nos lençóis com uma boa caneca de chocolate quente.

 A Roda do Ano faz parte do nosso quotidiano e não somente de oito ocasiões. É assim que nos ligamos à Natureza, vendo as suas mudanças na nossa vida.

O Homem moderno acostumou-se à rotina. Acorda, toma banho, toma café da manhã, sai de casa, mete-se no carro, vai trabalhar, sai do trabalho, mete-se no carro, vai para casa, senta-se no sofá a ver TV e depois vai dormir. Todos os dias repete o processo. E para ele todos os dias são iguais, todos os dias são a mesma coisa.

Não devemos ser assim. Devemos ver como os dias são diferentes e sente essas mudanças. Quando saímos de casa olha para o céu e vê a Lua a esconder-se e o Sol a nascer. Vemos os pássaros nas árvores e reparamos nos seus ramos nus ou nas suas folhas verdes. Quando vamos no carro, não focar apenas somente no rádio ou no carro da frente e tenta ver ao mesmo as paisagens e tudo o que encontra pelo caminho até ao trabalho. E mesmo quando estamos a trabalhar, repara em pormenores que lhe mostram como a Natureza está a mudar, como o facto do colega de trabalho ter deixado as luvas em casa porque já não está frio ou a companheira de carteira ter trazido gorro porque o frio começou a apertar.

São pequenas coisas como estas, que no nosso dia-a-dia podem ser consideradas tão insignificantes mas que na verdade importam. Mostram como a Natureza tem influência em nós e permite-nos ver o quanto a nossa vida muda conforme Ela muda.

Portanto, veja. Olhe em seu redor, pense fora da caixa e da sua rotina e veja os pequenos detalhes da sua vida. Tire uma tarde e dê um passeio pela cidade ou pelo campo, se tiver perto de casa. E veja as mudanças. Repare nos animais. Nos passarinhos e nos animais selvagens. Que fazem eles? Estão a sair agora das suas tocas em busca de alimento e socializando com outros? Ou estão a recolher mantimentos para o Inverno rigoroso e a emigrar para locais mais quentes? E as árvores? Estão nuas e com os seus ramos expostos ao vento e frio ou estão abundantes em folhas verdes e saudáveis e cheias de vivacidade?

Sinta o calor do Sol. O calor dos seus raios a bater na sua pele. Como é o calor? Rápido a chegar e aquece bastante ou pequenino e que ainda tem dificuldade em se fazer notar? Olhe para as pessoas. Veja os seus comportamentos e como elas reagem aos ciclos naturais. As pessoas da sua cidade estão caminhando com roupas quentes e agasalhos? Equipados de luvas, gorros e várias camadas de roupa? Ou estão com roupas finas e prontas para ir dar um mergulho na praia ou na piscina?

 Repare no Mundo em seu redor. Repare como a Mãe Natureza influencia tudo e tudo é influenciado por Ela. Não precisa de decorar todas as datas bonitinhas e saber aquilo tudo de cor, fazer todos os rituais certinhos com os melhores instrumentos e melhores orações, se não vive os ciclos da Natureza na sua vida diária.

 O Paganismo, seja que vertente for, requer ser não só um caminho religioso mas também uma filosofia de vida. O ser pagão irá influenciar não só a sua vida religiosa como toda a sua vida. Irá ver o Mundo e sentir o Mundo de forma diferente e irá lidar com ele de outra forma também.

 Portanto meu único conselho é: Esteja atento. Olhe para lá do óbvio e veja a Natureza como ela é. Algo belo e em constante mudança, num ciclo sem fim. Veja esse ciclo. Viva com ele. Cresça com ele. Sinta-o na sua vida, na vida dos que o rodeiam e em tudo. Seja participante do Mundo e não um mero observador.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Convidado: O Pentagrama

Os símbolos são sinais que as culturas adotam para diversas representações, entre elas várias crenças religiosas bastante abordadas entre os neopagãos, como também entre vários cristãos. Fazem parte de tudo que é representativo e abordado religiosamente. Ao longo da matéria, haverá a explicação de signos e costumes usados e praticados por vários povos dentre várias culturas. Neste artigo, falarei sobre o Pentagrama e suas várias representações conforme o tempo, as circunstâncias e as crenças. Você vai ver as evoluções que o pentagrama começou a tomar, passando de um símbolo cristão de máxima veneração para a atual representação cristã demonizadora e neopagã de equilíbrio.

Pentagrama – Representações culturais


Não se sabe a origem do pentagrama, mas pode-se conhecer uma de suas mais antigas representações.

Os hebreus consideravam o pentagrama como o símbolo da Verdade, representando o Pentateuco (os cinco livros atribuídos a Moisés no Antigo Testamento). Na Grécia Antiga, tal símbolo ganhou o nome de Pentalpha, tendo como vista cinco letras A entrelaçadas.

O pentagrama também aparece na cultura chinesa, em que os cinco elementos (fogo, terra, metal, água e madeira) se envolvem em um sistema de criação e inibição entre si, formando um circulo e uma estrela em sua sistematização.

Pitágoras acabou por explorar o pentagrama em seus cálculos, levando-o como símbolo de perfeição matemática. Sua escola tinha tal símbolo e seus seguidores o usavam para se identificarem.

Os primeiros cristãos usavam o pentagrama como representação das cinco chagas de Cristo (mãos e pés encravados e a coroa de espinhos), e nos tempos medievais ainda era usado como amuleto contra os demônios.

Os próprios Templários, vistos como monges da Igreja, utilizavam  o Pentagrama em muitos vitrais de seus templos. Mas conforme foram ganhando dinheiro, prestígio e solidariedade com seus irmãos de Ordem, a Igreja começava a se voltar contra seus próprios servidores. Houve então a Inquisição, junto à Era das Trevas, quando a Igreja mergulhou em seu próprio diabolismo. Os Templários foram torturados e mortos, e o pentagrama agora foi distorcido e transformado em símbolo de perversão e maldade pela Igreja, simbolizando a cabeça de um bode, ou diabo, a mesma do Baphomet, pelo qual a Igreja havia acusado a Ordem dos Cavaleiros Templários de adorar. Assim, o pentagrama se transformou em símbolo representativo do mal, e a perseguição da Igreja às antigas religiões acabou forçando-as a se esconderem nas sombras, na clandestinidade.

Já no final da Era das Trevas, a paz estava renascendo. As sociedades já secretas agora saem das sombras, retomando seus estudos sem medo da pressão adquirida da Igreja. Numa era de desenvolvimento, em que surgem o hermetismo, e a ciência que mistura misticismo, o Pentagrama agora gera uma nova representação: O Microcosmo. O símbolo do homem em um círculo, com braços e pernas abertos, representando O Homem individual.

Há também a representação do Macrocosmo, em que se ganha a mesma figura, porém há os cinco planetas, um em cada membro, e a Lua em sua genitália. Após isso, o pentagrama ganha um novo conceito: Os cinco elementos. Agora ele também representa Água, Fogo, Terra, Ar e Espírito (Espírito como a quinta essência, implantada pelos alquimistas e gnósticos).

Na Maçonaria, o pentagrama era visto como o Laço Infinito (por ser traçado com uma mesma linha), representando a virtude e o dever, e era endereçado ao trono do Mestre da Loja, já que também tinha a ligação ao homem macrocósmico.

Eliphas Levi usou o Pentagrama para fazer uma ilustração do Bem e do Mal, colocando o Pentagrama Macrocósmico ao lado do Pentagrama Invertido.

Em 1940, Gerard Gardner implantou o Pentagrama na religião Wicca, colocando-o para representar os três aspectos da Deusa (Lua, Mãe e Tripla ou Donzela, Mãe e Anciã) e os dois aspectos do Deus (O Cornífero e o Da Colheita, ou Rei do Carvalho e do Azevinho), devolvendo ao símbolo a força como talismã. Tal adoção do símbolo gerou uma reação à Igreja que chegou ao auge quando Anton LaVey adota o Pentagrama Invertido para representar sua Igreja de Satanás. A Igreja Católica, então, começa a considerar o Pentagrama (invertido ou não) como símbolo do diabo. Assim, os wiccanos, para se protegerem dos extremistas religiosos, se opuseram ao uso do pentagrama.

Hoje sabemos muitas representações que o Pentagrama pode ter, e também sabemos que ele é adorado por muitos, utilizado por muitos, e sagrado para muitos. Sua simbologia pode ir muito além.

Sabemos hoje que ele retoma sua simbologia de proteção e equilíbrio para muitos, e para outros ele ressurge como microcosmo e macrocosmo. Independente de suas representações, o Pentagrama adquiriu muitas, pode ser usado em várias simbologias, e isso é um fato.

Artigo escrito por Felipe Ferreira