Bem-Vindos. Sentem-se em volta da fogueira, peguem uma xícara de chá e comecemos a aprender os mistérios antigos e a desvendar segredos esquecidos.
Trilhem connosco a floresta sobre o olhar atento da Lua...

Novos artigos serão sempre publicados à segunda-feira e à sexta-feira.




segunda-feira, 27 de junho de 2016

Bruxaria sem Deuses



Apesar de o título soar meio estranho este artigo irá abordar a prática da Bruxaria e da Magia sem recorrer a divindades. Há muita gente que se sente atraída pela prática da Bruxaria e da Magia, nas suas diversas formas, mas sente-se desconfortável com a ideia de ter de lidar com Deuses, Deusas e/ou outras entidades (sejam elas mitológicas, elementares, etc.) e acaba por se afastar desta prática sem saber que a mesma não tem a obrigatoriedade de ter divindades ou entidades para se trabalhar. É possível trabalhar apenas com os elementos da Natureza e com as forças da mesma (trabalho com ervas, cristais, etc.) e até com a própria energia pessoal de cada pessoa. 

Quando alguém pretende começar a trabalhar com Magia sem divindades ou entidades o primeiro passo a tomar é verificar quais as alternativas e quais os tipos de Magia com que pretende lidar, dado que muitos são exclusivamente com entidades específicas ou divindades. Assim que escolher qual o caminho que pretende (por exemplo, Bruxaria Natural) basta começar a investigar e aprofundar o assunto. Quais os instrumentos utilizados, o que eles simbolizam, o que é praticado, onde encontrar os recursos necessários para a prática, etc. Tomando o exemplo da Bruxaria Natural a mesma funciona à base da Natureza trabalhando com os elementos (Ar, Fogo, Água e Terra) e com o que a Natureza nos fornece (pedras, cristais, ervas, água, fumo, etc.) sendo apenas necessário acreditar na sua energia pessoal (a qual irá moldar através da Magia) e na energia da Natureza que lhe rodeia. Também a Bruxaria do Mar segue os mesmos propósitos, o trabalho com o Mar e com aquilo que ele nos fornece (conchas, areia, pedras, água salgada, etc.) e com o que ele representa.

Outra das Bruxarias que se pode praticar sem ter de recorrer a divindades é, por exemplo, a Bruxaria de Cozinha. Nesta o praticante utiliza as suas capacidades de cozinhar para desenvolver pratos, poções, chás, entre outros com os determinados propósitos que pretende sem ter de recorrer a entidades externas. Também, caso se acredite em espíritos (não espíritos enquanto entidades específicas mas espíritos então aqueles que já passaram para lá desta vida) também se pode praticar a chamada Hedge Witchcraft utilizando o Xamanismo como ferramenta para trabalhar nos diversos planos de existência e com viagens astrais. Em alternativa existe ainda o caminho mais prático que será a Bruxaria Ecléctica. Através de um estudo aprofundado e diverso poderá criar o seu próprio caminho e seguir uma prática ecléctica, implementando várias características de muitas outras práticas e caminhos.

As opções são imensas e as formas de praticar este tipo de caminho são as mais variadas. Não é obrigatório, para um Bruxo, acreditar num Deus ou numa Deusa ou acreditar em entidades específicas. A Bruxaria é um ofício variado que permite um desenvolvimento pessoal e desenvolvimento do caminho individual de cada um. Sinta-se livre para explorar o que tem ao seu dispor e escolher aquilo com que se sente confortável de trabalhar no seu próprio caminho.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Ser Bruxa na Metrópole

Este é provavelmente um tema já muito 'batido' mas creio essencial realçá-lo, dado que é a realidade que a grande maioria dos pagãos de hoje enfrenta.

No nosso dia-a-dia estamos confrontados com imensos obstáculos: O trânsito de manhã a caminho do trabalho, o patrão a implicar com pequenos promenores que nem entendemos muito bem por que razão ele implica, a falta de comida na máquina de snacks, o trânsito da hora de almoço, a incompetência nos serviços públicos, o stress de exames, etc. Imensas situações que nos deixam stressados e com vontade de chegar a casa, comer e ir dormir automaticamente.

Estas rotinas, características das cidades e zonas urbanas, leva a um desligar da vida. Ou seja, a rotina torna-se tão constante que passamos a viver como se fôssemos robots, sem noção do resto. Passamos uma vida tão stressante e no meio de tanto cimento que nem notamos como o Mundo gira e a Natureza nasce e renasce sem parar.

A vida pagã pode tornar-se difícil quando nos deixamos cair nesta rotina viciante. Deixamos de ter contacto com a Natureza, o nosso altar passa a ficar apenas "ali" a apanhar pó e deixamos de ter tempo até para ler ou fazer qualquer coisa. É nestas alturas que devemos acordar. Acordar para a vida e reparar que existe mais do que a simples rotina que vivemos sem parar.

Devemos parar e olhar pela janela, sentir o ar fresco e as fragrâncias que ele traz. Me diga, quando foi a última vez que parou para reparar na flor que está a brotar no jardim? Ou nas árvores que se preparam para entrar na próxima estação?

Este contacto com a Natureza, que pode ser facilmente alcançado por nós, é a chave para quebrar a rotina e tornar o nosso quotidiano mais fácil e, também, mais saudável.

Como podem começar este contacto? Fácil.

Quando sair a rua para ir trabalhar de manhã, respire fundo antes de entrar no carro e preste atenção ao que o rodeia. Se tiver um parque perto de casa, vá dar um passeio de 5 minutos antes de sair. No trabalho, ao invés de ir comprar aquele croissant de chocolate, coma uma maçã ou outra peça de fruta. É mais saudável e natural. Ao almoço, aproveite para ir almoçar a um parque ou jardim ou, até, à beira rio ou mar, dependendo de onde você mora. Assim pode aproveitar essa pausa para não só se alimentar (e opte por comida saudável!) mas também para relaxar e estar na Natureza.

Quando chegar a casa, depois de todas suas tarefas, tire uns minutos e limpe seu altar, endireite ele, queime incenso, acenda uma vela e diga um 'Olá' aos Deuses. Mostre que se lembra deles e que eles estão presentes na sua vida, independentemente do quanto stressante ela possa ser.

Se tiver ainda mais tempo, pode aproveitar e meditar ou fazer alguma actividade (ler um livro de Paganismo, ensinar seus filhos ou sobrinhos ou netos algo sobre os Deuses, fazer algum artesanato, etc.)! No final do dia, tome um bom chá de ervas (feito por você!) e relaxe.

Estas pequenas mudanças no seu dia-a-dia poderão influenciar imenso a sua saúde, não só física mas também emocional e psicológica. A cidade consegue ser um dos piores sítios para viver com toda a poluição e todos os problemas que ela traz atrás, mas, se soubermos como viver nossa vida, conseguimos conciliar tudo o que é preciso para ter uma vida saudável e rica a nível espiritual.

Por isso, já sabe, não se deixe cair na rotina. Saia, se imponha na sua própria vida e tome rédeas do seu quotidiano! A mais pequena mudança, por insignificante que pareça, pode ter um impacto gigante!

terça-feira, 21 de junho de 2016

The Covenant of Hekate


O Covenant of Hekate é uma comunidade internacional de homens e mulheres que honram a Deusa Hekate nas suas várias formas, vindos de várias tradições e culturas unindo-se no culto à Deusa como "Soteira" e "Axis Mundi". 

Esta comunidade nasceu como parte do rito "Rite of Her Sacred Fires", um ritual realizado a nível internacional em honra de Hekate na Lua Cheia do mês de Maio que conta com centenas de participantes em todos os anos. Informações sobre o ritual podem ser encontradas aqui sendo que existe até a versão em português! 

Esta comunidade aceita novos membros mediante a aceitação dos três objectivos da comunidade:
  1. Estabelecer uma sociedade internacional através da qual a história e mistérios da Deusa Hekate são estudados, explorados e partilhados.
  2. Para cada membro lutar para atingir o seu máximo potencial em tudo o que são e em tudo o que aspiram a ser.
  3. Para lutar para que todas as pessoas sejam tratadas de forma igual e justa com base no Código de Conduta.

O Código de Conduta também se encontra disponível no site do Covenant para consulta e, após concordar com todos os critérios obrigatórios (presentes e disponíveis no site oficial), é preenchido um formulário e basta aguardar contacto para dar seguimento. 

O Covenant of Hekate está presente em vários sites sendo que podem consultar o Site Oficial e ainda encontrar o Covenant no seu Grupo de Facebook e Página de Like de Facebook

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Doreen Valiente

Doreen Edith Dominy, nascida a 4 de Janeiro de 1922, em Mitcham no Sul de Londres. Doreen cresceu no Oeste de Inglaterra que é famoso pela sua dedicação ao rural e ainda hoje se vêm restos de culturas pagãs, como os dançarinos de folk, os poços de desejos e outras actividades.

Pouco se conhece sobre o inicio da sua a vida, a não ser uma pequena curiosidade. Doreen divirtia-se a brincar sozinha num jogo curioso: subir e descer a rua montada na vassoura. O motivo? Nunca se soube. Apenas que os seus pais temiam que se tornasse uma bruxa (os pais de Doreen, Harry e Edith, eram extremamente religiosos e condenavam a Bruxaria).

Nos seus anos de adolescente, Doreen vivia em New Forest e foi aqui que começou a desenvolver uma tendência para a Magia. Sabe-se que com 13 anos, fez um feitiço para ajudar a sua mãe num problema de assédio no trabalho. Espantosamente o feitiço resultou e Doreen foi enviada para um Convento Cristão, do qual saiu com 15 anos com o intuito de nunca lá voltar.

Em 1941 Doreen casou pela primeira com Joanis Vlachopoulos, porém cerca de 6 meses depois, Joanis foi dado como morto.

Mais tarde, em 1944, Doreen voltou a casar com Casimiro Valiente (do qual obteve o seu apelido/sobrenome) e mudou assim o seu nome e nacionalidade (passou a ter nacionalidade espanhola).

No Verão de 1952, Doreen Valiente conheceu uma mulher cujo nome (pseudónimo claro, afinal de contas a lei que fazia da Bruxaria crime, tinha sido abolida apenas um ano antes) era Dafo. Dafo tinha iniciado Gardner e era um membro importante no Coven New Forest. Numa ocasião, em 1952, Dafo apresentou Doreen a Gardner e aqui começou o caminho de Doreen Valiente na Wicca. Apenas um ano depois, Doreen foi iniciada por Gardner e veio a tornar-se a sua Alta-Sacerdotisa.

Gardner usou o seu Livro das Sombras desde 1953 até conhecer Doreen, afirmando sempre que o seu conteúdo era tirado das tradições do New Forest Coven. Doreen porém, ao ler o Livro das Sombras, reconheceu citações de Aleister Crowley. Quando confrontado, Gardner afirmou que devido à falta de algumas informações, em alguns lugares, ele teve de preencher da forma que achou melhor. Gardner nessa altura perguntou para Valiente: “Consegues fazer melhor?” e realmente, ela fez. Doreen Valiente reescreveu muito do Livro das Sombras, dando um toque especial e fazendo as coisas mais coerentes, dando origem à Wicca que conhecemos hoje.

Porém Gardner tinha um gosto pelo spotlight e a sua constante vontade de falar com jornalistas, deixou Doreen preocupada que ele estivesse a colocar a integridade do coven em risco. Portanto, foram criadas as “Proposed Rules for the Craft”. Porém Gardner a isto respondeu, dizendo que já existiam Leis. E então enviou para os membros as "Leis Wiccans". Doreen não acreditou que estas Leis fossem verdade nem gostou delas (tiravam poderes e denegriam a imagem da Alta-Sacerdotisa), afastando-se assim de Gardner cortando relações. Alguns anos depois, voltaram a falar, mas nunca como antes.

Doreen continuou a praticar, sempre com discrição e sem gostar de publicidade, ao contrário de Gardner. Um dos motivos para esta discrição era o facto da sua mãe não saber do seu caminho. Como já referi os pais de Doreen eram muito religiosos.

Com a morte de Gardner da sua mãe no ano de 1964, Doreen deitou para trás o seu Gardnerianismo e seguiu caminho para se juntar a Robert Cochrane num caminho tradicionalista da Bruxaria.

Em 1960 começaram as revoluções. Revolução Sexual, Contraceptivos, Inovações, Direitos… E a Bruxaria não foi uma excepção. Pessoas como o Alex Sanders e Sybil Leek tornaram-se famosos mostrando-se ao Mundo. Porém, outros wiccanos preferiam manter-se no secretismo.

Quanto a Doreen, ela tomava um caminho mais no meio desses dois. Ela não negava a sua religião e vinha em ajuda do Paganismo e da Bruxaria sempre que necessário mas ao mesmo tempo, mantinha-se discreta.

A iniciação com Cochrane apenas ajudou a este factor, mantendo-a longe dos problemas políticos que surgiam em volta da Wicca Gardneriana.

Porém esta associação com Cochrane não durou muito tempo. Doreen rapidamente se apercebeu da tendência de Cochrane para as poções mágicas que o levariam a ter um fim infeliz em Litha de 1966.

Na década de 70, a sua vida mudou de forma dramática. Logo em Abril o seu marido, Casimiro, faleceu. Nas palavras de Doreen Valiente, ao sentir-se sozinha ela decidiu focar-se na escrita de livros. “ABC of Witcraft”, em 1973, e “Natural Magic" em 1975, tornaram-na numa autoridade quanto à Wicca e à magia.

 A década de 1980 foi dedicada à busca por Old Dorothy. Gardner afirmou que foi iniciado por Old Dorothy, em 1939. Em 1980 um historiador chamado de Jeffrey B. Russell afirmou que Gardner teria inventado essa pessoa. Doreen, tentando mostrar o contrário, iniciou uma busca por Old Dorothy, que a acabaria na descoberta da certidão de nascimento de Old Dorothy Clutterbuck em 1982.

A sua última década de vida, foi dedicada às comunidades pagãs, escrevendo livros e dando palestras, ajudando a Wicca, e os valores da Era de Aquário, a desenvolverem. Porém, um dos medos de Doreen era o facto de os charlatães estarem a aumentar. Como tal, quando confrontada com a ideia de criar o Center for Pagan Studies, um centro dedicada ao ensino do Paganismo, Doreen aceitou e tornou-se a Matrona do local.

Apesar do seu último ano de vida ter sido recheado de problemas a níveis físicos, de nenhuma forma isto afectou a sua mentalidade e capacidade a nível mágico. Doreen manteve-se uma mulher poderosa e sábia até ao fim da sua vida.

Nos seus últimos dias de vida, Doreen foi colocada num lar. Ela sofria de diversos problemas de saúde, sendo cancro o principal. Os amigos mantiveram-se ao lado dela o tempo todo até ao dia da sua morte. A 1 de Setembro de 1999, precisamente às 6:55 da madrugada, Doreen partiu rumo à Terra do Sol.

Todas as posses mágicas foram deixadas na mão de John (Dagda). Um dos seus últimos desejos foi que os seus poemas fossem publicados ao Mundo. Esses poemas encontram-se hoje num livro chamado de “Charge of the Goddess”, juntamente com memórias dos seus amigos e artefactos.

"And thou who thinkest to seek for me, know thy seeking and yearning shall avail thee not, unless thou know this mystery:

that if that which thou seekest thou findest not within thee, thou wilt never find it without thee.

For behold, I have been with thee from the beginning; and I am that which is attained at the end of desire."

- Charge of the Goddess by Doreen Valiente

Pirâmide das Bruxas


Para muitos praticantes da Bruxaria, principalmente da Bruxaria Moderna, existem Quatro Pilares (também denominados, em Português, dos Quatro Pilares da Magia) que são essenciais para uma vida mágica e de Bruxa. Estes pilares são também denominados de Pirâmide das Bruxas ou Witches' Pyramid. É exactamente disso que iremos falar no artigo de hoje.

Estes Quatro Pilares são normalmente associados aos Quatro Elementos sendo que estão também relacionados com as direcções (Norte, Sul, Este e Oeste). Eles são:
  • Saber
  • Querer
  • Ousar
  • Calar
  • Saber (nescere)
O "Saber" está associado ao elemento Ar e ao conhecimento da Bruxa. É referente ao conhecimento da Bruxa para compreender a Arte em todos os seus níveis, compreender os rituais, os feitiços, as ervas, os incensos, a magia na suas diversas formas, invocações, cerimónias, correspondências, divinação, instrumentos, etc. Quanto maior for o conhecimento, maior é o poder e também maior é a competência e aptidão para lidar com esse conhecimento. Uma Bruxa tem de saber lidar com as energias com que trabalha e conhecer-se a si mesma. Tem de dominar o seu próprio conhecimento. Conhecer se a si própria, conhecer a sua Arte e o seu caminho. Conhecer os seus Deuses e as entidades com que trabalha. O Saber é um pilar importante para o desenvolvimento do caminho mágico. 
Palavras-chave: Conhecimento, Razão, Intelecto, Intuição, Capacidades Psíquicas, Conhecimento Mágico e Místico, Raciocínio. 
  • Querer (velle)
O "Querer" está associado ao elemento Fogo e à vontade da Bruxa. Este pilar está relacionado à forma como a Bruxa conduz a sua vida e a sua dedicação para com a sua prática e caminho mágico. É necessário querer e ter força de vontade e disciplina para seguir um certo caminho na vida principalmente um caminho árduo como a Bruxaria. Também nos trabalhos mágicos é necessário o factor de querer para que os mesmos tenham resultados positivos. É necessário ter a capacidade de conduzir a energia para o objectivo pretendido, para o que se quer. Uma Bruxa necessita de saber como trabalhar com as energias para os seus devidos propósitos e como criar energias. Este é uma das características fulcrais para o trabalho mágico. 
Palavras-chave: Vontade, Sistema de Crenças, Caminho Mágico, Disciplina, Capacidades Mágicas.
  •  Ousar (audere)
O "Ousar" está associado ao elemento Água e à coragem da Bruxa. A audácia é um das características de uma Bruxa. Ter a audácia de experimentar novas coisas, novos caminhos, novos ritos e feitiços. Ousar seguir em frente, ousar invocar, ousar experimentar. Sem a audácia e a coragem uma Bruxa não consegue se desenvolver nem desenvolver o seu próprio caminho mágico. De forma a evoluir e explorar novos caminhos e novos planos (astrais ou físicos) é necessária uma dose de coragem e de audácia. Aqui está a relevância do Ousar na Pirâmide. Ele representa a coragem da Bruxa em desenvolver-se e em assumir o seu papel enquanto Bruxa. Transcender os seus medos e vê-los não como barreiras mas como ferramentas que devem ser utilizadas para atingir os objectivos. Devemos sempre ousar ir mais longe no nosso caminho. 
Palavras-chave: Audácia, Emoções, Sensação de Desafio, Vontade de Superar, Coragem. 
  • Calar (tacere)
O "Calar" está associado ao elemento Terra e ao Silêncio da Bruxa. Nem todos os aspectos do caminho pessoal e mágico de cada um deverão ser partilhados. Uma Bruxa deve saber o que deve e não deve dizer e, acima de tudo, quando dizê-lo. Há que ter tacto nas palavras pois todas as palavras têm poder e magia associada. Há coisas que podem ser partilhadas com todos, outras com membros da comunidade, outra com parceiros próximos e, algumas, entre nós e os Deuses! Saber adoptar o silêncio, quando necessário, é uma das características de uma Bruxa, não só sobre a sua vida pessoal e mágica mas, também, para garantir o correcto funcionamento dos seus rituais e feitiços. Não falar dos mesmos até que hajam resultados irá garantir que influências externas não afectem os trabalhos efectuados. Existe poder no silêncio e a Bruxa deve saber usá-lo.
Palavras-chave: Calma interior, Conhecimento Silencioso, Silêncio, Proteger o Conhecimento Sagrado.

Todos estes pilares se unem entre si e trabalham em conjunto para atingir um propósito: auxiliar o crescimento pessoal de todos os envolvidos na Bruxaria e na Arte. Mas, claro, nada estaria completo sem o quinto elemento. Apesar de não estar incluído nos Quatro Pilares da Bruxaria há quem defenda que o Quinto Elemento (Espírito/Éter) personifique o pilar de "Ir/Seguir" ou seja de seguir em frente, de avançar, de desenvolver, unindo todos os pilares anteriores e, com os mesmos, caminhar em rumo ao desenvolvimento e crescimento pessoal.

Estes pilares devem ser aplicados na nossa vida quotidiana (podendo até ser aplicados ao quotidiano normal  e não apenas ao mágico!) sendo que são uma mais valia para o trabalho mágico.

Não são aplicáveis a todos os ramos mágicos nem todos os ramos do Paganismo sendo mais predominantes na Wicca e na Bruxaria Moderna mas, quem seguir um caminho ecléctico e assim o pretender, poderá também incluir na sua prática pessoal.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Roda do Ano - Litha

Data Tradicional: 21 de Dezembro (No Hemisfério Sul) e 21 de Junho (No Hemisfério Norte)

Data Astrológica: Sol a 0º de Capricórnio (HS) ou Sol a 0º de Cancer (HN)

Litha (pronuncia-se “litá”), também chamado de “Meio de Verão” e “Alban Hefin” ocorre na data do Solstício de Verão, mais especificamente, quando o Sol está em 0º de Câncer.

Neste dia o Sol atinge o seu pico mais alto e o Deus está no seu auge acompanhado pela Deusa. A partir desta data a duração dos dias começa a diminuir. Tal como os dias também o Deus enfraquece para mais tarde morrer, no Outono.

As noites são curtas e tradicionalmente cheias de luzes: as estrelas brilhantes do céu nocturno, os vaga-lumes, as fogueiras e decorações que caracterizam as ruas. A noite do solstício é, na Europa, tradicionalmente chamada pelas pessoas mais idosas de “noite dos aromas”, já que várias cidades portuguesas têm o costume de espalhar o cheiro de diversas plantas aromáticas, sagradas e inclusive mágicas pela população, como o alecrim, cravo e manjericão.

O fogo é divinizado e tal aspecto notasse nas fogueiras que se acendiam antigamente pelas ruas e à porta das casas como também pelas iluminações que enfeitam as cidades. É uma forma de simbolizar a força do Sol que, apesar de começar a declinar, continua nos próximos meses a iluminar o céu e a aquecer a terra.

Para além do fogo, também a água representa um grande papel neste festival, servindo de exemplo a água nova ou água da meia-noite – que o povo dizia que possuía poderes mágicos e que fazia renascer a energia das pessoas. Outro exemplo será o orvalho e a água da alvorada. Como tal, uma boa ideia para este festival, será dançar, festejando o auge do Sol, durante toda a noite até de madrugada para ser banhado pela água do orvalho ou então dar um mergulho no mar, de madrugada.

Em termos de comida, algumas das comidas desta época são as laranjas, limões, sementes de girassol, abacate, saladas de frutas e frutos da época (Verão).

Na Europa (mais especificamente na Península Ibérica) tem bastante importância na gastronomia a Sardinha Assada e o Cabrito Assado. Ambas estas comidas têm significados: O Cabrito simboliza a Cabra ou o Bode de Capricórnio que, desde Yule (Solstício de Inverno), no ângulo aposto da Roda do Ano, ascendeu até ao cume do Verão e é sacrificado e consumido pelo povo para receber as forças solares. Já a sardinha, por sua vez, devido à sua cor prateada e à sua ligação, enquanto peixe, com a água é um símbolo da mesma e da Lua, que é consumida para equilibrar o Sol e a ele se unir e fortificar.

Um elemento típico do Paganismo moderno é a celebração da transferência de Poder do Sol do Rei Carvalho para o Rei Deus Azevinho, num modelo que o casal Farrar tornou famoso. Esta celebração é vivida por uma luta entre os dois princípios do Sol: O Princípio de Vida (Rei Carvalho) - o Sol esta no seu auge e brilha no céu proporcionando dias mais longos - que tem a duração de 6 meses – de Yule a Litha – e o Princípio da Consciência (Rei Azevinho) - em que os dias começam a diminuir e a sombra instala-se - que vai de Litha até Yule.

Quanto ao altar, este deve ser decorado com cores da época (amarelos, vermelhos, brancos, etc.) e também, se o praticante assim preferir, com flores e símbolos do Festival (Roda com fitas coloridas amarradas, símbolos de aves ou de animais com chifres e talismãs relativos ao Sol). 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Como Consagrar um Instrumento Mágico


Um dos primeiros passos quando se obtém um novo instrumento mágico é a sua consagração. Há muitas formas de consagrar um objecto e a forma usada irá depender do caminho seguido por cada Bruxo. Irei colocar aqui uma forma simples e prática para quem está a começar a praticar Bruxaria ou para quem, de momento, tem poucos recursos.

Materiais Necessários:

  • Incenso de Mirra
  • Tigela de Água
  • Tigela de Sal
  • Vela Branca
  • Instrumento a ser consagrado


Método:
Para começar deverá ser aceso o incenso e a vela, de forma a que o incenso já esteja a deitar fumo. De seguida, o objecto a ser consagrado deverá ser colocado na tigela de sal e coberto de sal. Coloque a sua mão dominante por cima da tigela e visualize uma luz branca a sair da sua mão e a atravessar a tigela, como se estivesse a expulsar todas as energias negativas e a tornar-se unicamente seu. 

Enquanto isso diga: "Abençoados sejam os Deuses. Com Sal e Fumo consagrado este [nome do objecto] em vosso nome. Que este instrumento me sirva bem e que me auxilia na minha prática mágica e no meu culto aos Deuses".

Pegue novamente no objecto e passe pelo fumo do incenso, visualizando as energias a trabalharem. Faça o mesmo com a água (salpique um pouco de água no instrumento) e aproxime-o da chama da vela, garantindo que não queima o mesmo!

Este é apenas um dos muitos métodos disponíveis, podendo ser adaptado à prática de cada um. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dias Planetares e Horas Astrológicas

Os planetas sempre foram um assunto de interesse pelo Homem ao longo da História, tendo sido estudada e utilizada por imensas civilizações antigas e ainda hoje, na actualidade do século XXI. A Astrologia defende que estes astros têm influências sobre o comportamento e vida das populações. A Astrologia é também incorporada na prática de muitos pagãos e magos. Como tal, decidi fornecer informações acerca dos Dias Planetares (a regência de cada planeta num dia da semana) e as horas astrológicas (que podem influenciar as situações do dia a dia (tornar mais ou menos propícia a realização de algo, etc.).


Essa tabela mostra os Dias Planetares. É possível observarmos nela o dia da semana e o planeta que o rege (vemos também o símbolo do Planeta).


Aqui observamos as Horas Astrológicas. Para quem não conhece o símbolo de cada planeta, segue um pequeno quadro que irá ajudar a compreender.