Bem-Vindos. Sentem-se em volta da fogueira, peguem uma xícara de chá e comecemos a aprender os mistérios antigos e a desvendar segredos esquecidos.
Trilhem connosco a floresta sobre o olhar atento da Lua...

Novos artigos serão sempre publicados à segunda-feira e à sexta-feira.




sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Interpretação dos Sonhos


Hoje iremos falar de um tema bastante popular e de que quase toda a gente já falou e lidou ao longo da sua vida, inclusive quem não segue nem Paganismo nem Bruxaria: Os Sonhos.

A interpretação de sonhos é algo antigo e já remonta ao tempo da sociedade egípcia e da sociedade grega em que os sonhos eram formas de contactar com os Deuses e com o divino, meios para receber mensagens das divindades. Em muitos contos da Antiguidade temos registos de pessoas que receberam mensagens dos Deuses através dos sonhos ou premonições do que iria acontecer no futuro. Os sonhos sempre tiveram um impacto no Homem, como sendo uma janela para o desconhecido, para o que está escondido dentro da própria existência humana.

Hoje em dia os sonhos são muito analisados na psicologia, principalmente na psicanálise, fundada por Sigmund Freud (autor do livro "The Interpretation of Dreams" um dos principais livros sobre a análise dos sonhos). Segundo Freud os sonhos são uma forma do subconsciente humano representar os desejos e lidar com as situações do quotidiano. Basicamente são a forma do nosso corpo processar diversas situações da nossa vida enquanto dormimos. Porém os sonhos funcionam a nível do nosso subconsciente, ou melhor, são originários de lá. E, segundo Freud, o conteúdo do nosso subconsciente é muito "cru" e até perturbador para que a nossa mente consciente e racional o consiga processar. Assim sendo, segundo o autor, a nossa mente possui um filtro através do qual as mensagens do subconsciente passam para o consciente. E, de forma a que as mensagens passem por esse filtro, os sonhos são constituídos por símbolos das coisas que acontecem no nosso dia a dia. Por exemplo podemos sonhar com umas escadas em direção ao último andar de um prédio que estamos a subir e isso não significar realmente o subir escadas mas sim o subir na hierarquia no trabalho através de uma promoção. Isto porque o nosso cérebro processou o desejo de ser promovido como uma subida, logo, subir umas escadas para atingir um patamar mais alto.

Freud referia-se aos sonhos como "The Royal Road to the Unconscious" ou seja "A Estrada Real para o Inconsciente". O autor indicada também a existência de três tipos de sonhos:
  1. Profecias que surgiram diretamente nos sonhos;
  2. Previsões de eventos futuros;
  3. Os sonhos simbólicos (abordados anteriormente);
Existem então diversos tipos de sonhos. Para este artigo iremos focar-nos principalmente no terceiro tipo, ou seja, os sonhos quotidianos e simbólicos. Para os dois primeiros tipos costumo recomendar o uso de método oraculares (como Tarot, Runas, etc.) para análise mais detalhe dos mesmos.

Então, com base no indicado por Freud conseguimos entender - e quem já tiver analisado os próprios sonhos irá constatar isso - que realmente a mente humana e o nosso subconsciente funcionam por símbolos. Graças a essa característica dos nossos sonhos, existem livros e websites criados com listas do que pode existir nos sonhos e ao que isso corresponde. Esse tipo de fontes levou a uma banalização dos sonhos como apenas um catálogo de objetos que são juntos e analisados e, na minha opinião e de muitos outros pagãos que se dedicam à análise dos próprios sonhos, esse não é o melhor método para abordar esta temática. Estas listas podem servir de auxílio sim mas nunca de verdade absoluta.
 
Os sonhos, tal como os sentimentos e os pensamentos, são individuais de cada pessoa. Eu posso afirmar que as aranhas são um sinal de dinheiro mas, garantidamente, alguém que sofra de aracnofobia não irá gostar nada de sonhar com aranhas. Os sonhos são pessoais e individuais e devem ser analisados como tal e dependendo de cada pessoa.
 
Um dos melhores métodos para análise de sonhos é o “Diário de Sonhos”. Arranje um caderno e tenha o sempre junto à sua cama junto com um lápis e, assim que acordar, escreva tudo o que se lembre (se organização for um dos seus pontos fortes e não gostar de ver tudo escrito à pressa pode escrever a lápis e, posteriormente, escrever com caneta por cima já devidamente organizado). Mantenha o registo todos os dias, os dias em que sonhou e se lembra do que sonhou (e o que sonhou), dias em que sonhou mas não se recorda, dias em que não sonhou, etc. A partir deste registo começará a notar alguns padrões e semelhanças. E, a partir destes padrões, poderá iniciar a análise. Claro que poderá recorrer às listas indicadas como auxílio mas não dependa delas a 100% já que os seus sonhos é a forma do seu subconsciente comunicar e, como tal, ele tem a sua linguagem própria. Use as listas como um auxílio e não como regra.
 
Quanto mais tempo analisar os seus sonhos a sua técnica vai melhorar e tornar-se-á melhor nas suas análises e no que realmente as coisas significam. Poderá também, graças ao anotar os sonhos, começar a reparar na existência de certos eventos após determinados sonhos. Ou determinadas semelhanças da sua vida pessoal com o que sonha. E assim, com essas parecenças, irá estabelecer a ponte entre a sua mente consciente e o inconsciente.
 
Por fim, um último conselho: Evite pedir opinião a terceiros. Isto porque só você pode saber o que o seu sonho significa, afinal de contas, é o SEU subconsciente a falar. Pode claro pedir uma opinião a um amigo próximo mas não tome a opinião do seu amigo como regra pois a forma como ele analisa os sonhos e os símbolos poderá não ser igual à forma como o seu subconsciente os vê. Para mim as aranhas têm um significado e para a minha mãe, por exemplo, têm outro significado completamente diferente. Se eu for perguntar a uma amiga minha, terá outro significado e por aí adiante. Ao analisar o meu sonho o mais importante é o significado que o objecto sonhado tem para mim.
 
A interpretação de sonhos é algo fascinante e para além de permitir um melhor conhecimento do nosso subconsciente e das mensagens que este nos envia é também uma forma de autoconhecimento. Para além disso ao manter um registo dos sonhos e compará-los com o que realmente acontece na nossa vida em paralelo com o que sonhamos permite-nos entender melhor o funcionamento da nossa própria vida e saber o que devemos mudar para atingir a nossa felicidade e o nosso caminho.
 
Use todas as ferramentas ao seu dispor para contribuir para ser a melhor versão de si mesmo que conseguir!
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Tarot: Dicas Úteis



Lançar Tarot e trabalhar com o Tarot são coisas extremamente interessantes de fazer na prática mágica e até para quem nem pratica Bruxaria nem Paganismo. O Tarot, como vimos no artigo de História do Tarot, já existe à imensos séculos e existem mil e uma formas de trabalhar com ele desde caminhos individuais, caminhos associados a baralhos específicos como Thoth ou o Raider-Waite ou até o Caminho do Tarot. Neste artigo falo de algumas dicas que, pessoalmente, acho que auxiliam qualquer praticante que esteja a começar a trabalhar com o Tarot e até pode ser útil para quem já trabalha com esta arte à muito tempo!

Começando então pelas dicas que tenho para vocês:

  • Não devemos repetir perguntas
Esta é um dos principais conselhos que dou a nível de Tarot é não repetir perguntas. Não só é contra-produtivo pois já temos a resposta como também é desnecessário. Costumamos ter a tendência, após fazer uma leitura, em repetir a pergunta por vários motivos: ou para garantir que a resposta está certa, ou porque não compreendemos bem, ou apenas para reler novamente. Isto não é boa ideia. Apenas recomendo repetir perguntas muito pontualmente e de forma reformulada e somente em situações em que não tenha compreendido mesmo a resposta (preguiça de pensar no que significa não está incluído!) e, mesmo assim, se puder evitar ainda melhor. Algo que notei que acontece, e muita gente fala do mesmo, é que se forçarmos o Tarot a repetir as coisas muitas vezes ele começa a dar respostas incoerentes ou então sai uma resposta como se o próprio baralho estivesse a ralhar connosco! :)

  • O Tarot não é um método de prever o futuro
Este é algo que surge muitas vezes em conversas e ainda hoje expliquei a uns colegas. O Tarot não prevê o futuro. Aliás o futuro não pode ser previsto porque ele está em constante mudança. Como os nossos avós diziam "A única certeza na vida é a morte" isto porque nada é certo e tudo depende das acções e reacções que levam até determinado momento. O Tarot mostra-nos as variáveis. Ou seja estamos no ponto D e para lá chegar passamos pelo ponto A, B e C e fazemos um lançamento para saber o que esperar nos próximos três ou seis meses, por exemplo. O Tarot, claramente, vai indicar que no futuro temos o ponto E. Mas imaginemos que não queremos o E, que o E representa algo que não gostamos ou que estamos insatisfeitos com a nossa vida atualmente e preferíamos estar no ponto H. Cabe a nós próprios tomar as rédeas na nossa vida e mudar, agir, transformar. O que o Tarot diz não é regra, apenas é o mais provável. Tudo pode ser mudado, tudo se transforma. Por isso se o Tarot disser que vai ficar no emprego em que está durante mais dois anos mas você detestar esse emprego, procure outro e saia! Nada o impede excepto as circunstâncias à nossa volta e, acima de tudo, a nossa própria mente.

  • O ambiente e a preparação são chaves para o sucesso
Lançar cartas de tarot numa estação de metro movimentada, com imenso barulho à volta, fumos e cheiros que nos distraem não é apropriado. É necessário e aconselhável estabelecer uma rotina para lançar as cartas. Por exemplo eu, pessoalmente, tenho uma rotina para cada baralho. Com a versão de bolso faço de uma forma e com o meu baralho normal faço de outra. Como o de bolso é para viagens ou deslocações ou até momentos de emergência tento ser mais prática com esse e, com o baralho normal, tenho todo um procedimento com velas, incensos, toalha para lançar cartas, etc que faço. O ambiente e o estado de consciência são essenciais para assegurar bons resultados. Medite um pouco antes de lançar o baralho ou pelo menos centralize e foque-se no momento e no que está a fazer. Sinta as cartas e as suas energias nas suas mãos, foque-se. Desvie a mente da vida atarefada, da lista de compra ou da lista de tarefas. Foque-se na pergunta que está a fazer, acenda um incenso ou uma vela, estenda uma toalha. Se sentir necessidade tenha um cristal próprio consagrado para auxiliar no Tarot ou para manter as energias equilibradas no momento do lançamento. Mas garanta apenas que está no mindset necessário para a tarefa que está a desempenhar, não só por respeito a quem está a ser alvo de leitura mas também por respeito ao próprio baralho em si.

  • Manter registos
Principalmente para quem está a começar a estudar Tarot e a iniciar o trabalho com os baralhos eu acredito que manter um registo de todas as tiragens é essencial. Não só porque permite analisar o seu próprio desenvolvimento e o que tem vindo a melhorar mas também porque permite manter um registo prático para situações em que já não se recorda bem de qual foi a resposta de uma tiragem de à três meses atrás (e, também, é fascinante lançar as cartas para os próximos três meses, por exemplo, e após esse período voltar atrás e ler o que foi previsto e comparar com a realidade de como correu aqueles meses. Coincidiu? O que mudou? O que se esforçou para mudar?). Isto é também prático para lançamentos de cartas para outras pessoas que possam vir questionar sobre tiragens que você tenha feito para elas e as mesmas não se recordem. Outro motivo porque é essencial apontar as respostas do Tarot é porque o Tarot pode falar de forma meio encriptada e, no momento, não compreendermos a resposta (tal como indicado em cima, se possível, evitar lançar novamente sobre a mesma pergunta) então apontemos qual foi a resposta, mesmo que não a compreendamos. Isso fará com que no futuro as restantes peças do puzzle surjam e, eventualmente, a resposta que o Tarot deu vai acabar por fazer todo o sentido! Por isso aconselho a ter um pequeno caderno dedicado às tiragens de Tarot, coloque a data e hora em que foi feita a tiragem, qual a pergunta e qual a resposta. Se quiser até pode depois fazer jogadas com as tiradas e as horas astrológicas mas isso é algo mais complexo e fica ao critério do próprio praticante.

  • Ligação com o Baralho
Algo que já falei em artigos anteriores e que reforço neste é que é essencial estabelecer uma ligação com o nosso próprio baralho. Isto pode ser feito através de meditação, através da Jornada do Louco (mais informações no Fórum da TCS) ou até apenas pelo uso regular do próprio baralho. Eu vejo meus baralhos como meus conselheiros, quase como se fossem entidades próprias a quem recorre a solicitar orientação e conselhos. Não estou a dizer que toda a gente deve encarar esta prática dessa forma, longe disso! Apenas que uma conexão com o seu baralho, como ele funciona, como as cartas são, o que representam, quais as simbologias, desenhos e pequenos detalhes essenciais à leitura é que existem. O tentar largar o livrinho de auxílio e intuitivamente saber o que cada carta representa e como o seu significado é alterado ao estar junto a outra carta. Como as combinações de cartas divergem do significado individual de cada carta. Como cada carta é constituída. E todos os outros cenários essenciais à compreensão do baralho. Isto é importante no trabalho com as cartas.


Outras coisas que pode fazer para ajudar no lançamento do Tarot (principalmente em análise de situações complicadas ou externas e que envolvem maior concentração) é banhos de limpeza e de energização, contacto com divindades associadas a métodos divinatórios (Hekate, Hermes, etc.) para facilitar a tiragem, queimar incenso ou óleos aromáticos para ajudar a entrar no mindset necessário, etc. Existem imensos truques pessoais que vai acabar por adquirir ao longo da sua prática e que irão facilitar todo o trabalho com o Tarot que desenvolve.

E, como se costumava dizer antigamente, a prática leva à perfeição por isso vamos começar a conectar com o nosso baralho (se ainda não sabe como escolher um baralho, leia o nosso artigo "O Tarot: Como Escolher um Baralho") e começar este caminho fascinante que é o mundo do Tarot.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Local - Vila Pagã



"Em uma área encravada na zona rural do município de José de Freitas, interior do estado do Piauí, no nordeste brasileiro, a Vila Pagã é uma comunidade formada por colonos pagãos, reunidos em prol do desenvolvimento social e econômico da região, com o objetivo de preservar as tradições pagãs na atualidade."

Localização: Munícipio José de Freitas, Piauí, Brasil
Coordenadas: 4°52'57.5"S 42°41'27.7"W
Contacto: rafaellugh@gmail.com Rafael Nolêto (Coord. Vila Pagã/ Administrador Geral VP)

A Vila Pagã é um local de destaque no Paganismo brasileiro e creio que merece lugar aqui no nosso blog! Fundada e criada por Rafael Nolêto (fundador do antigo Jornal "O Bruxo" que muitos conheceram) a Vila encontra-se no nordeste brasileiro, no estado do Piauí numa zona rural do município José de Freitas e é constituída por sete hectares. O acesso ao local é bastante fácil e conta com visitantes tanto brasileiros como internacionais. Apesar de partes da Vila ainda se encontrarem em construção a mesma já está aberta ao público para visitar e é local de organização de vários eventos, incluindo alguns abertos ao público em geral! Na página de Facebook, inclusive, temos a listagem de algumas celebrações como as recentes Celebração da Festa das Almas 2016 e a Celebração da Festa da Carnaúba 2016, entre muitas outras organizadas no passado desde 2014!

Esta colónia tem várias missões sendo que as principais são a integração dos pagãos e a preservação cultural da tradição pagã local, denominado Paganismo Piaga. O culto a divindades deste ramo do Paganismo, celebrações do mesmo e costumes estão muito presentes em toda a Vila, tanto a nível decorativo e estético como também a nível dos eventos e celebrações realizadas no local. Este detalhe, o foco no culto das tradições locais, é de louvar pois não só permite a difusão de conhecimento sobre tradições e culturas já quase esquecidas mas também reaviva a chama de culto a Divindades e o estudo e paixão pela área onde se vive e de onde são as raízes de cada um.

O fundador, coordenadores e o conselho de secretários da Vila definiram como bases do projecto da Vila Pagã os seguintes pontos importantes: 
  • A valorização do culto Piaga;
  • O respeito ao meio ambiente;
  • O incentivo ao empreendedorismo, como factores fundamentais para a consolidação da economia, sustentabilidade e organização ideológica da comunidade.
A Vila é um espaço que tem como pilares o desenvolvimento da espiritualidade, da ecologia e da integração social. Este é um espaço simplesmente fantástico e recomendo a leitura atenta do site oficial e, em destaque, a página de Princípios onde podem verificar todos os princípios que regem o funcionamento desta comunidade pioneira no Paganismo Brasileiro que luta por uma comunidade pagã inclusiva, sem dependências, harmoniosa e onde o culto aos Deuses e o trilho pagão sejam caminhos a seguir para o desenvolvimento pessoal e a felicidade de cada um.

Por fim, a bandeira da Vila Pagã, conforme mostra na imagem abaixo, tem o seu próprio simbolismo e, como indica no site oficial (pois quem melhor do que quem criou a explicar?):


"As folhas representam as vertentes pagãs, que apesar das diferenças, são unidas por um mesmo galho (ou seja, as características básicas do paganismo), disposto como uma coroa de louros, simbolo da vitória e da cultura clássica pagã. O pentagrama aqui simboliza o próprio homem, com o pensamento conectado ao poder divino, com os braços abertos para abraçar o conhecimento, e com os pés firmados no chão, ou seja, consciente de seu papel na Terra, como um instrumento divino. Além disso, também representa a magia da natureza e dos quatro elementos básicos, em equilíbrio com o espírito."

Por isso já sabem: Se estiverem de visita pelo Brasil ou pelo estado de Piauí contactem a Administração da Vila Pagã e façam uma visita a este espaço fantástico, único no Brasil e raríssimo de encontrar no mundo de hoje. Dedique algum do seu tempo a explorar novos caminhos do Paganismo e novos locais, conhecer novas culturas e novos espaços. Visite a Vila Pagã e conheça um local inesquecível. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Roda do Ano - Yule

Data Tradicional: 21 de Junho (No Hemisfério Sul) e 21 de Dezembro (No Hemisfério Norte)

Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer (HS) ou Sol a 0º de Capricórnio (HN)

Yule (pronuncia-se “i-ú-le”), também denominado de Solstício de Inverno, Natal (na fé Cristã), Ritual de Inverno, Meio do Inverno e Alban Arthan é um dos Sabbats menores e é realizado quando o Sol está em 0º de Capricórnio (no Hemisfério Norte) e 0º de Cancer (no Hemisfério Sul) o que, por norma, ronda os 20/21/22 ou 23 de Dezembro (HN) / Junho (HS). Yule, ou Solstício de Inverno, é a altura do ano em que o Sol atinge o seu ponto mais baixo e se prepara, a partir daqui, para subir no céu e voltar a erguer-se fortemente e brilhar bem alto. Este é o dia em que a duração do dia é mais curta e a duração da noite é mais longa.

É um momento de renascimento. Tanto do Sol que morre e nasce (simbolicamente) como de um renascimento pessoal, de nós mesmos. E, para além disso, também se refere à promessa de fecundidade dos campos que, com os raios de luz do Sol e os dias que vão começar a crescer gradualmente, garantem a fertilidade dos pastos e das hortas.

Uma das grandes tradições deste festival é acender um cepo na fogueira (seja de carvalho ou outra madeira sagrada). Isto é uma forma de contribuir, simbolicamente, para o reforço da Luz Solar e a sua vitória sobre as trevas. As brasas resultantes desta fogueira podem ser usadas como amuletos ou talismãs que carregam o poder da vitória do Sol (Sol Invictus), resultante do poder da água (representada pela madeira fresca e cheia de salva) e do fogo (na labareda da fogueira).

Este é um festival que está cheio de cultos ao fogo e aos Antepassados. No jantar reúnem-se os familiares, incluindo os antepassados. Um costume é, após o jantar, deixar a comida na mesa para que os que já passaram para o outro lado possam vir e celebrarem também esta época de alegria.

O Bolo-Rei, uma grande tradição desta época do ano, é outro elemento importante neste festival. Ele é o símbolo do Sol pela sua forma redonda e branca e, ao mesmo tempo, ele é também a terra com as suas frutas cristalizadas dentro de si (em semelhança à Terra que está agora com as sementes dentro de si, à espera do momento ideal para germinarem). 
Nas festas do Solstício participam duas forças: A do passado, representada pelos antepassados que vêm ao nosso encontro e a do futuro que é representada pelo Sol que se renova e prepara para fertilizar a Terra com o seu brilho e esplendor.

Nesta época a Terra encontra-se ainda adormecida, coberta pelas camadas de neve que enchem as ruas e as montanhas. Os animais e as plantas hibernam e esperam, ansiosamente, pelo começo do brilho do Sol, após esta data, que dita o aproximar da Primavera. É este acordar do Sol, símbolo do gradual aparecimento da Primavera, que celebramos nesta data. 
Yule é outra das várias das festividades pagãs que foi adoptada pelos cristãos, conhecida actualmente como o Natal e simbolizando o nascimento de Jesus Cristo. Grande parte das tradições associadas ao Natal têm origem pagã, tal como o azevinho, o visco e o bolo-rei que são costumes pagãos.

O visco é, como mencionei anteriormente, uma das tradições pagãs que foi adoptada para o Catolicismo e incorporada na festividade do Natal. O visco era considerado, nos tempos antigos, algo extremamente mágico. Acreditava-se que possuía grandes poderes curadores e que concedia o acesso ao Submundo e, como tal, o contacto com aqueles que já passaram. O significado fálico e sexual do visco teve origem na ideia de que os frutos brancos que caracterizam a planta eram, na verdade, gotas do sémen divino do Deus, que fazia contraste com os frutos vermelhos do azevinho, que eram representantes do sangue menstrual da Deusa.

Uma árvore de Yule pode ser construída para simbolizar a alegria e alegrar a casa (decorada com azevinho e visco e cores entre o dourado, verde e vermelho – cores estas que também decoram o altar durante este período). Uma fogueira com cepos das árvores sagradas, bolo-rei e um caldeirão são grandes recomendações para esta altura.

Quanto às comidas, seguem ao lado algumas receitas que podem ser realizadas neste festival para alegrar a casa e a família. Este é um momento de família (como já referi) então aproveite para contar histórias aos mais novos sobre os seus antepassados, jogue uns jogos e festeje o nascimento do Deus Sol que agora se prepara para iluminar e aquecer a Terra!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Tarot: Como Escolher um Baralho


Uma das principais questões para quem está a começar a trabalhar com o Tarot é qual o baralho escolher e como escolher um baralho. Este artigo tem como objectivo responder a estas questões e ajudar quem está à procura de um baralho, seja ele o primeiro ou apenas mais um para a colecção!
Existem vários pontos a ter em conta quando adquirirmos um baralho para trabalhar com ele, que são:

  • Siga a Intuição
  • Tradicional ou Moderno?
  • Veja a Arte dos Baralhos
  • Tamanhos
  • Iniciante ou Experiente?
  • Qual o uso para o Tarot?
  • Qualidade e Preço
Vamos analisá-los um a um.

  • Siga a Intuição
Esta é a forma mais certa de ter um baralho com o qual se goste de trabalhar. Por exemplo, no meu caso, é raríssimo arranjar um baralho com o qual eu consiga trabalhar porque não me identifico com as cartas e detesto ter de andar a ler o "livrinho" cada vez que faço uma tiragem até porque acabo por ter dificuldade em decorar os significados. Mas há um baralho que, para mim, é instantâneo que é o Pagan Tarot. Eu lanço e sei logo, só de olhar, ler exactamente o que está lá. Tive uma conexão imediata com este baralho e consigo trabalhar rapidamente e eficazmente com ele. Mas, por exemplo, se tiver de usar um Baralho de Marselha não consigo, simplesmente não dá.

A ligação com o nosso baralho é essencial pois permite-nos um trabalho mais fluído e mais ligado ao próprio Tarot. Ao invés de se tornar um lançamento torna-se uma conversa entre nós e o baralho, como se ele tivesse vida própria, personalidade própria e nos aconselha-se. Eu considero o meu Tarot um "amigo conselheiro" pois estabeleci um fantástica ligação com ele, dada a conexão que tenho o baralho.

Veja vários baralhos (existem sites como Aecletic Tarot que permitem investigar os baralhos existentes e até ter uma pré-visualização das cartas que fazem parte do mesmo) e veja qual lhe atrai mais, qual chama mais a atenção. Depois investigue sobre esse baralho e se realmente sente a ligação com ele. Caso sinta, força nisso então!

  • Tradicional ou Moderno
 Outro passo importante é entender que tipo de baralho quer. Algo mais tradicional como o Rider Waite ou o Tarot de Thoth? Ou talvez até o Tarot de Marselha? Ou será que prefere algo mais moderno como o Tarot das Fadas ou o Tarot Pagão? Existem imensos decks hoje em dia no mercado, alguns mais tradicionais com imagens clássicas (cavaleiros, símbolos medievais e antigos, etc.) e imagens mais modernas (carros, computadores, etc.). Um dos pontos principais é também estabelecer com o que se sente mais confortável: moderno ou tradicional? Investigue os tarots e as suas imagens para entender qual a sua preferência.

  • Veja a Arte dos Baralhos
No seguimento do ponto anterior é importante também gostarmos da arte dos nossos baralhos. Há quem tenha, por exemplo, vários baralhos com diferentes usos para cada um deles. O de Thoth para auto-conhecimento por exemplo. O de Marselha para adivinhação. O das Fadas para ligação com o povo das Fadas. É importante gostar da arte do nosso baralho, dos desenhos e do trabalho do artista que dedicou tempo a personalizar e criar aquelas imagens.

  • Tamanhos
Sei que este ponto pode parecer estranho para alguns mas existem vários tamanhos de baralhos. Por exemplo, no meu caso, tenho o Pagan Tarot em duas versões: uma versão pequena (versão de bolso) para quando vou viajar ou para algum sítio que queira levar o baralho de forma discreta e tenho a versão em tamanho grande, normal, para estar no meu altar e para trabalhos mais complexos ou sessões mais aprofundadas e localizadas. Existem diversos tamanhos de baralhos e até da espessura do material de que é feito as cartas. É importante garantir que o tamanho do baralho é um tamanho ao qual nos adaptamos pois é fulcral que consigamos baralhar as cartas sem que elas saltem ou caiam (no meu caso demorei imenso tempo a habituar-me à versão grande do meu baralho pois já estava tão acostumada ao versão de bolso).

  • Iniciante ou Experiente?
Para quem está a começar é importante ter em conta o tipo de baralho que está a escolher. Como falado no Thoth vs Waite o baralho de Thoth, por exemplo, é um baralho bastante complexo para quem está a começar. Por vezes é preferível escolher um baralho mais simples ou até que venha com um bom livro a acompanhar de forma a se iniciar no trabalho com o Tarot. O começo da aprendizagem do Tarot com um baralho mais complexo pode levar a uma frustração e eventualmente a desistir do trabalho com a arte do Tarot ou até a nunca mais decidir pegar no baralho devido à primeira má impressão. Tenha sempre em conta a complexidade do baralho, é preferível começar com um simples e mais tarde avançar para algo mais avançado, se assim desejar.

  • Qual o uso para o Tarot?
Como falei à pouco há quem tenha vários baralhos para diversos usos e há quem use apenas um baralho para várias coisas. É importante, ao escolher o baralho, saber qual o uso que vamos dar e adaptar o baralho ao respectivo uso. É um baralho para melhorar a ligação com um Elemental específico, para comunicação com esse elemental? Então talvez seja preferível escolher um baralho cujas imagens e Arte esteja, de alguma forma, relacionada com este uso. O uso será mais dedicado ao auto-conhecimento e desenvolvimento próprio? Algo mais semelhante ao Tarot de Thoth ou um baralho mais abstrato poderá ser o ideal. E se for para previsões e consultas? Algo mais claro e com o qual consigamos ler claramente as suas mensagens. Adapte sempre o tipo de Tarot ao uso que lhe está a dar ou, se preferir, escolha um baralho que lhe chame mais a atenção e com o qual mantenha uma ligação mais profunda e adapte a sua prática a ele, no que precisar de o usar claro.

  • Qualidade e Preço
Por fim, a qualidade é essencial num baralho, principalmente se queremos que ele seja utilizado durante bastantes anos. Mais vale pagar um pouco mais e ter um baralho de boa qualidade e que dure longos anos do que pagar pouco por um baralho cuja qualidade faça com que se deteriore em poucos anos ou até meses! Investir num bom baralho é sempre algo ideal, ainda mais no começo. Confirme bem onde faz a compra e que o vendedor é de confiança, leia críticas e avaliações ao produto antes de comprar caso seja online ou, se for numa loja física, toque nas cartas e veja a espessura da página, a qualidade do material, etc. Garanta que é uma compra que valha a pena. Após adquirir o Baralho confirme que o guarda num local seguro e sem humidade. Se possível arranja até uma bolsa ou uma caixa para o guardar, a manutenção é a chave para um baralho duradouro.

No fim a escolha é sempre sua. Escolha de forma informada e decidida e, acima de tudo, escolha o que for melhor para si, aquele que sentir ligação e sentir que é o ideal para o uso destinado. Há imensos baralhos à venda é uma questão de começar e escolher o baralho (ou baralhos...) certo para si! :)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Receita - Tronco de Yule


O Solstício de Inverno aproxima-se e com ele vem várias celebrações nas religiões mais famosas do Mundo, principalmente o Natal. Aqui, no Paganismo, muito celebram o Solstício de Inverno ou Yule. Para assinalar este festival e de forma a preparar-nos para a época festiva, hoje venho com uma receita fantástica que a mãe costuma cozinhar e é simplesmente uma delícia!

Os ingredientes podem facilmente ser trocados por alternativas vegetarianas e veganas se pretender, basta investigar quais as doses apropriadas das alternativas para as doses indicadas na receita.

Ingredientes para a Torta:
  • 3 Ovos
  • 3 Colheres (de sopa) de Açúcar
  • 3 Colheres (de sopa) de Farinha
  • Manteiga para untar a forma
Ingredientes para o Recheio:
  • 3 Ovos separados
  • 250g de Manteiga
  • 125g de Açúcar Amarelo
  • 2 Colheres (de sopa) de café solúvel
Preparação: Para começar é necessário bater os ovso com o açúcar e juntar a farinha. Bater bem a mistura até ficar homogénea e depois deverá ser esticada a massa num tabuleiro já untado com manteiga e ser levado ao forno por aproximada 10 minutos. Pode ir espetando com um palito para garantir que já está cozido e não está húmido por dentro. Assim que estiver pronto basta retirar do forno e desenformar sobre um pano polvilhado com açúcar e enrolar para fazer uma torta. 

Agora, vamos ao recheio. Deverá ser colocada a manteiga, o açúcar, as gemas de ovoso e o café e misturar bem. Quando estiver bem misturado é altura de adicionar então a claras em castelo. Misture até ficar uniforme e vamos partir para a decoração! Agora desenrole o bolo e barre com parte do creme e volte a enrolar. Agora é altura de barrar em volta da torta e cobrir toda a torta. Se quiser até pode cortar uma parte do fundo e "colar" com o recheio para fazer um tronco adicional. Assim que estiver tudo bem barrado na torta poderá adicionar decorações como Árvores de Yule (poderá usar as de Natal, dado serem parecidas) ou figuras de azevinho ou semelhantes. Estas podem ser compradas em lojas online como no eBay ou em lojas de pastelaria. Em alternativa, se tiver jeito e quiser experimentar, também pode moldar as suas próprias figuras com maçapão. Para ajudar à decoração pode ainda adicionar um pouco de açúcar em pó por cima a imitar neve! 

Esta receita é simplesmente deliciosa e espero que gostem e que alegre os vossos jantares ou almoços da época

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Tarot: A História do Tarot


A história do Tarot é complexa e confusa sendo que as suas origens são meio complicadas de traçar. Hoje vamos falar um pouco sobre a História do Tarot para que tenhamos uma ideia de onde vem esta prática. Não é obrigatório o praticante saber exactamente a história do Tarot mas... saber não ocupa lugar, pois não? :)

As cartas de jogar surgiram pela primeira vez no século XIV na Europa com os naipes Paus, Ouros, Espadas e Copas que ainda hoje são usados como naipes nas cartas de jogos em Portugal, Itália e Espanha e são muito semelhantes aos naipes dos baralhos de tarot. O primeiro baralho registado remonta ao período entre 1430 e 1450 em Milão, Ferrara e Bolonha quando cartas com desenhos foram adicionadas aos baralhos tradicionais. Estes novos baralhos eram chamados de "Carte da Trionfi" ou seja Cartas do Triunfo e encontram-se registadas em documentos de tribunais datados de 1440. Os baralhos mais antigos encontrados são de uma família chamada Visconti-Sforza e são considerados os antepassados dos actuais baralhos de Tarot. Acredita-se que estes baralhos foram originalmente criados apenas como método de diversão para a nobreza italiana e não como método divinatório, sendo que inclusive eram retiradas cartas dos baralho (como a Morte, o Diabo e a Torre) que eram consideradas ofensivas e quase fizeram com que os baralhos fossem banidos pela Igreja!

Os primeiros tarot eram feitos à mão e, como tal, eram em números muito reduzidos sendo que o baralho mais famoso que sobreviveu desta época foi o Tarot de Marselha que ainda hoje é utilizado por praticantes. Também o baralho associado à familia Visconti-Sforza sobreviveu até aos dias de hoje estando guardado num museu. A primeira menção de cartas pintadas com desenhos é entre 1418 e 1425 em que é descrito, por Martiano da Tortona, um baralho com 16 cartas com Deuses Gregos e a naipes a representar quatro tipos de pássaros. Mais tarde foram adicionados motivos às cartas relacionados com filosofia, sociedade, política e astronomia.

O nascimento do Tarot como método divinatório é associado a Antoine Court de Gélebin em 1781 em que o mesmo defendia que a origem dos tarot era egipícia e que as representações nos Triunfos eram referentes ao conhecimento perdido do Deus Egípcio Thoth. Foi a partir deste momento que as pinturas e desenhos das cartas foram evoluindo e novos símbolos adicionais às mesmas. Acredita-se que muitas das mudanças nas cartas foram feitas pelas sociedades secretas que produziam os baralhos. Porém o primeiro uso das cartas como método divinatório ficou também associado a Jean-Baptiste Alliette, mais conhecido como Etteilla em 1770. Foi o primeiro a publicar o significado divinatório das cartas (e apenas trinta duas cartas com mais uma à parte) foram incluídas na edição. Mais tarde foram introduzidas mais cartas que dariam origem aos baralhos de Tarot actuais.

A ideia de que a origem do Tarot seria egípcia manteve-se e foi desenvolvida ao longo dos tempos e nem a descoberta da Pedra de Roseta impediu esta teoria que veio ainda ser mais alimentada com a ideia de que o povo Romani ("ciganos") seriam originários do Egípto e tinham trazido o Tarot com eles para a Europa. Só mais tarde, já no século XIX, com Eliphas Lévi é que foi estabelecida a ligação entre o Tarot e a Kabbalah: O sistema Hebreu de Misticismo. Isto originou uma nova crença que a origem do Tarot estaria em Israel e que continha a informação da Árvore da Vida e que cada carta seria uma chave de acesso ao conhecimento. A posição do Tarot ao longo do século XIX e XX foi assegurada por várias ordens como a Theosopical Society, a Hermetic Order of the Golden Dawn, a Rosa Cruz, a Church of Light e Builders of the Adytum. Com o começo da exploração da Espiritualidade em 1960 o lugar do Tarot ficou garantidamente assegurado nos Estados Unidos da América e tornou-se famoso como é hoje!

É de recordar que hoje em dia o formato de tarot mais conhecido é o Rider Waite (conforme falado no nosso artigo "O Tarot: Thoth vs Waite") que veio marcar o Tarot, tornando-se o formato mais conhecido e usado do século sendo rico em simbolismo e fácil de compreensão dada a natureza da sua arte e símbolos.

Assim sendo vemos que as origens do Tarot são complicadas e confusas e muitas teorias existem sobre a sua origem e ensinamentos mas, o que interessa acima de tudo, é o que nós próprios aprendemos com as cartas pois o Tarot não serve só como método divinatório mas também como método de auto-conhecimento e de aprendizagem. O que será que o Tarot tem para nos ensinar, ao longo do nosso caminho? 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O Tarot: Thoth vs Waite


Hoje vamos falar de dois dos principais baralhos utilizados no Mundo do Tarot: O Baralho de Thoth e o Baralho de Rider-Waite. Ambos são parecidos e são parte do Tarot mas, ao mesmo tempo, têm as suas diferenças e influenciam a forma como outros baralhos são criados. Os nomes das cartas neste artigo são referidas em inglês dado esta ser a língua de origem de ambos os baralhos.

Comecemos por falar do Baralho de Rider-Waite, por ser o mais antigo:

Este baralho foi publicado pela primeira vez em 1910 e é um dos baralhos mais conhecidos sendo que o seu formato e sistema são utilizados para a criação de muitos outros baralhos como o Pagan Tarot, Universal Tarot, Vikings Tarot, etc. Este baralho também é conhecido como Rider-Waite-Smith (às vezes é utilizado o diminuitivo RWS), Waite-Smith ou apenas baralho Rider. As cartas foram desenhadas pela ilustradora Pamela Colman Smith a partir das instruções do místico A. E. Waite (membro da Golden Dawn). Juntamente com o baralho, Waite também criou o livro "Pictorial Key to the Tarot" um livro-guia para este baralho e utilizado como orientação por muitos praticantes. Segundo se diz a inspiração para este baralho veio, em parte, do Sola-Busca Tarot (Norte de Itália em 1491), o único baralho conhecido até à data.

As cartas do Rider Waite, apesar de simples, estão carregadas com simbolismo em pequenos detalhes e, principalmente, no fundo da imagem. Alguns nomes das cartas foram mudados do que era utilizado até então ("Pope" passou a "Hierophant" e "Papess" mudou para "High Priestess") sendo essa uma característica deste baralho. A sua arte e simbolos foram inspirados principalmente pelo trabalho de de Eliphas Levi, um ocultista famoso por pelo seu trabalho com a magia cerimonial e autor de livros como "Dogma e Ritual de Alta Magia".

Os Arcanos Maiores seguem os nomes tipicamente conhecidos como:


E os Arcanos Menores encontram-se divididos em quatro Naipes: Wands, Pentacles, Cups e Swords sendo que as suas respetivas cartas têm os nomes associados ao naipe a que pertencem como "Three of Wands", "Page of Pentacles", "Queen of Cups" e "Six of Swords".

Seguem algumas imagens do baralho de Rider Waite:


Falemos agora do Baralho de Thoth:

Este baralho foi criado entre o período de 1938 e 1943 por Aleister Crowley (um ocultista inglês famoso por ter sido o autor de livros como "The Book of Law" e ter sido o fundador da Thelema e, à semelhança de A. E. Waite também membro da Golden Dawn). Este baralho foi pintado por Lady Frieda Harris, a pedido de Crowley, e o próprio ocultista referia-se a ele como "O Livro de Thoth" tendo até escrito um livro com esse título com o propósito de ser usado juntamente com o baralho.

Uma das principais diferenças entre o Baralho de Rider Waite e o Baralho de Thoth é que no Baralho de Thoth a Justiça é a carta número 8 e a Força é a número 11 enquanto no Rider-Waite estas posições são invertidas. Esta é umas das características que influencia a forma como o tarot é lançado (dado que a carta que vem a seguir à Roda representa a forma como o Karma é visto e isto varia dependendo da carta que vem a seguir) e também porque é uma diferença visual bastante grande e que tem impacto na forma como o praticante lida com o baralho. Falemos de outras diferenças entre os dois baralhos, como por exemplo, o nome de algumas cartas:


Também a nível do título dos naipes existem algumas diferenças entre os dois tipos de baralhos:


A nível dos Arcanos Menores existem diferenças principalmente na forma como os mesmos são nomeados. Enquanto nos baralhos que sigam as estrutura de Rider-Waite e no próprio Rider Waite os Arcanos menores são sempre nomeados face ao Naipe a que pertencem (como referido em cima) no baralho de Thoth o mesmo não acontecem. Como podem verificar na tabela em baixo existem diferenças entre as formas de nomear os arcanos menores e até no nome dos próprios naipes:

  • Wands

  • Cups

  • Swords

  • Disks (o equivalente a Pentacles)

Seguem algumas imagens de cartas do Baralho de Thoth:



Qual Escolher?
Bem, para começar, nem é obrigatório escolher! Qualquer praticante pode ter mais do que um baralho e usá-los para cada uso que pretender. Porém quando estamos a começar eu creio que o mais fácil a ser utilizado será o de Rider-Waite pois é mais claro e mais prático. As coisas estão definidas, o livro que o acompanha é simples e claro e cada carta tem a sua correspondência prática sendo que o próprio livro pode ser usando durante as consultas até se adaptar. Ao invés de que o Tarot de Thoth será mais adequado a um praticante mais avançado pois implica um conhecimento mais profundo e mais intuitivo.

Claro que há muito mais a dizer sobre cada Baralho, ambos são complexos e detalhados. Cada carta tem o seu significado e esse significado varia de baralho para baralho, até em baralhos que sejam baseados no Rider Waite ou no Thoth. Aconselho sempre a lerem bastantes livros sobre os Baralhos principalmente se o Baralho que usam tem um livro associado (como é o caso de ambos estes baralhos). Ler e praticar, criar ligação com o baralho através de meditações e de muito uso é o melhor a fazer para garantir que a técnica é bem desenvolvida e que aprendemos e estabelecemos ligação com o nosso baralho pessoal. Afinal de contas é essa ligação que será a chave para o que o Tarot nos tem para ensinar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Dependência Mágica


A Magia é uma excelente ferramenta para o nosso dia-a-dia e tem formas de nos auxiliar em inúmeras formas seja através de Magia Natural, Magia de Cozinha, Magia Pop, Sigilos, etc. Há imensas formas de aplicar a Magia no nosso quotidiano e fazer com que ela nos ajude a conseguir entrevistas de emprego, manter as energias da nossa casa limpas, protecções para o carro ou para os filhos, etc. Mas a Magia também de pode tornar um vício e existir uma dependência dela, principalmente quando estamos a começar. Aliás já são antigas as frases "Moderação é a chave" e "Tudo o que é demais enjoa" e o mesmo pode ser aplicado à Magia.

A Magia pode ser usada para muita coisa mas também pode ser usada de forma abusiva e intensiva que acaba por se tornar pouco benéfica para o Bruxo e até tóxica. Falamos, por exemplo, do uso de Magia para coisas que podem facilmente e sem esforço ser feitas sem Magia. Vejo muitas vezes nas comunidades, principalmente por pessoas que estão a começar agora no Mundo da Magia e da Bruxaria, pedidos de feitiços para imensas coisas que podem ser feitas sem esforço. Feitiços para acabar com o próprio namorado, feitiço para ir em festas, feitiço para passar o ano, etc. Feitiços cujo uso é expressamente para facilitar algo por não quererem se esforçar. Este, na minha opinião pessoal, é um uso incorreto da Magia. Claro que devemos utilizar tudo o que está ao nosso alcance mas a Magia não fará tudo por nós. Ou seja, um exemplo prático: Temos prova na escola dentro de três meses. E uma semana antes fazemos um feitiço para passar mas não estudamos. Isto nem é produtivo nem útil. A escolha mais sábia nesta situação seria fazer um feitiço ou ritual para auxiliar a melhorar o período de estudo, aumentar a concentração, aumentar a capacidade de estudar, etc. Mas estudar! A Magia não é a chave dos problemas de todo o mundo nem nada que se pareça. É uma ferramenta para ajudar no nosso quotidiano porém o nosso esforço e trabalho é também importante, aliás, arriscaria dizer que é o mais importante de tudo!

Outro exemplo prático: Somos donos de uma loja que acabou de abrir e queremos que o negócio tenha sucesso e muitos clientes. Fazemos um feitiço ou oferenda ou rito para que tenhamos muitos clientes e muito dinheiro e abundância a entrar! Mas não fazemos produtos ou não temos os produtos bem expostos, raramente estamos na loja, não nos preocupamos com o cuidado ao cliente, etc. Sem estes esforços da nossa parte não existirá abundância! Claro que é legítimo fazer feitiços e ritos para ter prosperidade, abundância, para que os negócios tenham sucesso, etc. Aliás é recomendável. Mas isto requer da nossa parte dedicação de tempo e esforço para que tudo dê certo. A Magia só dá o empurrão final.

Um último exemplo: Imaginemos que vivemos num apartamento e começamos a ouvir barulhos durante a noite. E imediatamente decidimos fazer rituais para banir espíritos e para expulsar entidades negativas, etc. Mas nem nos lembramos de falar com os vizinhos e ver se o barulho vem de lá, falar com o condomínio ou senhorio ou até ir à janela! Podem ser os vizinhos a fazer barulho, problemas nos canos da água e até ratos! Existem mil e uma soluções práticas e realísticas antes de recorrer à Magia. Nem tudo é espíritos ou possessões.

A Magia é uma ferramenta maravilhosa principalmente para o dia-a-dia: Sigilos para protecção nas portas, sigilos para segurança rodoviária no carro, água consagrada para harmonia e amor em casa, cristais espalhados pela casa ou no local de trabalho para dar boosts energéticos, etc. Existem mil e um usos porém não podemos abusar de tudo. Ou seja não podemos querer que seja a Magia a fazer tudo por nós e a ultrapassar as nossas dificuldades. Temos de nos mexer, de agir, de enfrentar, de avançar, de ultrapassar tudo o que for preciso. Usando a Magia como ajuda ou como ferramenta tal como usaríamos outras ferramentas que temos naturalmente (capacidade de falar em público, audição aguçada, etc.).

O equilíbrio e controlo de si mesmo são características essenciais de um praticante de Bruxaria ou de Magia pois é esse controlo e equilíbrio que permite o correto controlo das energias. E esse controlo começa também pela forma como usamos a Magia e como beneficiamos dela com o seu quanto-baste essencial. Magia é fantástica e das melhores ferramentas ao nosso dispor... basta saber usá-la! 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Receita - Biscoitos


Cozinhar é Mágico! É fazer magia, é transformar ingredientes e torná-los num objectivo final! E, com a chegada do Outono e brevemente do Inverno ao Hemisfério Norte ando cheia de vontade de cozinhar! E algo que adoro cozinhar é bolachas ou biscoitos pois são saborosos, práticos e podem incorporar muitos elementos de Magia e ter imensos usos mágicos! Podem ser feitos para oferendas, para partilhar em rituais, com propósitos específicos, podemos desenhar sigilos enquanto os fazemos ou até na cobertura, etc. São uma receita super prática, simples, fácil de fazer e perfeita para quem está a dar os primeiros passos na Magia de Cozinha!

Hoje irei dar-vos uma receita simples de Bolachas que adoro fazer e que pode ser super adaptável para os vários propósitos mágicos que sejam precisos. Por exemplo: Se quiser fazer biscoitos para partilhar com alguém de quem gosta ou com o propósito de melhorar uma relação amorosa pode sempre adicionar canela ou aroma de um fruto associado ao amor!

Ingredientes:
  • 300g de farinha
  • 100g de áçucar em pó
  • 200g de manteiga
  • Corante Alimentar (facultativo)
  • 1 colher de chá/café de açúcar de baunilha (ou extrato de baunilha, regulando as doses ao gosto)
  • Formas (ou se não quiser usar formas poderá depois apenas dar à massa a forma que quiser)
Preparação:
Adicionar a farinha, o açúcar em pó e o açúcar de baunilha (ou extrato) e misturar tudo numa taça grande. De seguida cortar a manteiga em pedaços e adicionar à mistura. Caso esteja muito duro podem sempre por no microondas ou em banho-maria para amolecer. Depois é bater tudo e misturar bem até ficar uniforme.

É necessário, logo a seguir, deixar repousar dentro da taça (e tapado por película aderente) durante aproximadamente uma hora. Quanto tirar de lá é altura de começar a dar formato às bolachas! Elas podem ter o formato que se quiser. Se quiser atrair amor pode fazer em formato de coração, para melhorar a saúde pode fazer desenhos relacionados com o que tem, pode fazer letras, etc. A imaginação é o limite recordando sempre que elas vão inchar um pouco quando forem cozidas e podem não ter o aspecto exacto do que está a ser feito no momento.

Assim que estiverem todas feitas é colocar no forno a 200ºC durante cerca de 8 a 10 minutos. A duração vai depender do forno, se está pré-aquecido ou não, etc. O truque é ir espreitando e pode até espetar com um palito de vez em quando para confirmar se está cozido.

Agora vamos à cobertura! Com o açúcar em pó (ou outro ingrediente com o qual esteja normal fazer as suas coberturas) vamos colocar um pouco numa taça e adicionar água quente e misturar bem. Ficará com uma textura mais cremosa. Se quiser que fique mais líquido é só adicionar água. A dose de água a adicionar dependerá da consistência que quer dar à cobertura, o melhor é ir adicionando pouco a pouco.

De seguida é só adicionar o corante pretendido e desenhar, pintar e aplicar como pretender em cima das bolachas! É a altura ideal para desenhar sigilos para os propósitos mágicos que pretender! E, se quiser ser discreto, pode ainda desenhar com sumo de limão ou com um bocadinho de azeite (molhando, por exemplo, um palito no líquido e desenhando em cima da bolacha) e depois de secar cobrir com a cobertura. Ninguém vai saber que tem lá um sigilo e qual o seu propósito mas mantém as propriedades que lhe deseja dar! Perfeito não é?

Esta é uma receita simples e prática para quem está a começar na cozinha e, também, a começar na Bruxaria de Cozinha! Vamos por mãos à obra?

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Vimeiro Goddess Temple


O Templo da Deusa no Vimeiro é pioneiro em Portugal no culto à Deusa, tendo aberto as suas portas em Dezembro de 2014 na freguesia de Vimeiro (Torres Vedras) em Portugal num local chamado "Quinta das Irmãs", perto de terras de águas abençoadas! Como poderão ler nos artigos indicados no fim desta postagem ao chegar ao templo deparamo-nos com um portão de ferro em tons de vermelho e uma figura feminina, esculpida em mármore, que guarda a entrada para este templo e marca o início de um local de culto à Grande Mãe e é aí que entramos neste sítio mágico e único no nosso país.

Desde a sua fundação, há quase dois anos, pelas mãos da Matriarca do Templo (Cláudia de Jesus) este Templo dedica-se à formação de Sacerdotisas, à celebração da Roda do Ano, das Jornadas e, acima de tudo, a restabelecer a tradição e o culto da Deusa em Portugal através de diversos métodos como a cura, exploração do poder pessoal, Mistérios Femininos, trabalhos Xâmanicos, etc. Este templo segue a tradição de Glastonbury (Inglaterra) associada à lenda de Avalon e foi aberto com o consentimento de Kathy Jones, fundadora do Glastonbury Goddess Temple e da Conferência Internacional da Deusa, em Glastonbury, uma figura importante do culto da Deusa e do Sagrado Feminino a nível europeu e mundial.

Como indica no próprio site do Vimeiro Godess Temple o mesmo é um local de harmonia e paz onde todos se podem reunir no culto à Deusa:

"A missão do Vimeiro Goddess Temple, passa por assumir o compromisso em unir e reunir todos os seres, numa grande família que se junta para celebrar a irmandade, numa casa cheia e farta em abundância. Onde, eu passo a ser nós, onde a graça do espírito, se revela em Amor e Gratidão por todos os momentos que a vida nos oferece. Onde a sombra se alcança, e abraçamos em compreensão e compaixão irmã. E porque Templos, existem desde os tempos antigos, a espiritualidade da Deusa recebe todos os credos, doutrinas, dogmas ou religiões, em respeito e honra para com o princípio do Divino Criador Feminino, a Grande Mãe, em cura e universalidade crística. Homens e crianças são muito bem-vindos, aqui e agora neste espaço natura aberto a todos, para se inspirar e respirar em paz."

O Templo encontra-se actualmente aberto ao público a todos os que desejem visitar e venham de forma respeitosa ao mesmo. O templo encontra-se aberto todas as Quartas-feiras das 16h às 19h sendo que podem contactar o Templo através do site oficial Vimeiro Godess Temple ou através do número de telefone disponibilizado no próprio site.

São organizadas diversas actividades, eventos, cursos e workshops ao longo do ano nos quais é possível participar e participar numa comunidade que se encontra de braços abertos para receber os praticantes e devotos da Deusa. É ainda possível fazer parte activa desta comunidade através do trabalho voluntário (como apoiar os trabalhos realizados pelo templo, receber pessoas, limpeza e organização do templo, preparação de eventos, etc.) dentro do Templo tornando-se uma Melissa. As informações referente a tornar-se Melissa e as devidas responsabilidades encontram-se disponíveis na página de Melissas no site oficial.

Este projecto é sem dúvida é algo pioneiro em Portugal e tem vindo a ter destaque na media portuguesa através da revista Visão e do programa "A Tarde é Sua" de Fátima Lopes na SIC.
Disponibilizamos em baixo os links para puder assistir à entrevista dada no dia 27 de Setembro de 2016. Disponibilizamos também o link para lerem online o artigo "As Guardiãs Portuguesas de Avalon" na revista Visão.

Entrevista em "A Tarde é Sua" na SIC:
Parte 1 - https://www.youtube.com/watch?v=eZOZorBH9bw
Parte 2 - https://www.youtube.com/watch?v=vMX5q5I8ZjY
Parte 3 - https://www.youtube.com/watch?v=Lg2ZDvY-guA
Parte 4 - https://www.youtube.com/watch?v=oM9pa4I_ZDE

Entrevista "As Guardiãs Portuguesas de Avalon" na Revista Visão:
http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2016-08-18-Reportagem-completa-As-guardias-portuguesas-de-Avalon

Podem ainda acompanhar de perto esta fantástica comunidade através do Facebook no Grupo Vimeiro GoddessTemple e na Página de Like de Quinta das Irmãs!
 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Métodos Divinatórios - O Tarot


Hoje damos inicío ao começo de uma série de artigos chamada "Métodos Divinatórios". Iremos começar com o Tarot dado que este é um dos métodos mais conhecidos e utilizados por vários caminhos da Bruxaria e do Paganismo. Iremos ter um artigo de introdução e, posteriormente, um artigo para cada carta dos Arcanos Maiores e um artigo para cada conjunto de Arcanos Menores tal como outros tópicos importantes dentro de cada métodos divinatório. Estes artigos para além de estarem disponíveis no blogue estarão também referenciados no artigo principal de cada método.
Esta série irá também, posteriormente, abranger outros métodos divinatórios como as runas, pêndulos, scrying, etc.

*****


O tarot é um conjunto de 78 cartas, constituídas por 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores. Existem diversos baralhos com diferentes designs e estilos, existem os tradicionais, modernos, etc. A escolha do baralho depende do praticante. Se seguir alguma corrente especifica de Tarot ou de trabalho Mágico poderá ter de utilizar um baralho específico para o seu trabalho mas, enquanto solitário, poderá utilizar qualquer baralho. Aconselho sempre a que seja escolhido o baralho com o qual tem mais ligação, que mais atraí. Não escolha apenas porque é bonito ou barato ou caro, escolha algo que fale consigo, que estabeleça uma ligação. Esse será o melhor baralho para trabalhar.

A forma de lançamento também poderá variar dependendo dos métodos utilizados (há quem utilize as cartas invertidas, quem use apenas os arcanos maiores, quem use só os arcanos menores, etc). O método e a forma a usar será uma questão de tentativa e erro até encontrar aquilo com o qual se identifica e que faz sentido para si.
Comecemos pelas cartas. Um baralho de Tarot costuma ter 78 cartas (22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores). Os Arcanos Maiores são:

0 - O Louco
1 - O Mago
2 - A Sacerdotisa
3 - A Imperatriz
4 - O Imperador
5 - O Papa
6 - Os Enamorados/Apaixonados
7 - O Carro
8 - A Força
9 - O Eremita
10 - A Roda da Fortuna
11 - A Justiça
12 - O Enforcado
13 - A Morte
14 - A Temperança
15 - O Diabo
16 - A Torre
17 - A Estrela
18 - A Lua
19 - O Sol
20 - O Julgamento
21 - O Mundo
Nota: Nos baralhos baseados no Baralho de Tarot Waite a Justiça e a Força são invertidas sendo que nos métodos mais antigos (associados à tradição de Thoth) a Justiça ocupa o lugar número 8 e a Força ocupa o lugar número 11. A diferença reside nas duas escolas de Tarot a qual irá ter um artigo dedicado e cujo link será colocado aqui) a baseada no Baralho de Thoth e a baseada no Baralho de Waite.

Os Arcanos menores são constituídos por 56 cartas divididas entre quatro naipes: Paus/Bastões, Espadas, Copas/Cálices e Ouros/Pentáculos, conforme mostra o quadro abaixo:
O nome de algumas cartas dos arcanos menores, tal como o nome dos naipes, poderá ser adaptado de baralho para baralho. Alguns baralhos utilizam nomes mais pagãos como Elders e Iniciates para algumas das cartas.
Um ponto importante a ter em consideração durante o estudo do Tarot é a diferença entre várias artes semelhantes ao Tarot mas que não são Tarot tal como os Oráculos, Baralhos dos Anjos e Lenormand. Abaixo uma breve definição de cada um destes métodos que, posteriormente, terá direito a um artigo próprio no nosso site:

  • Tarot: Um tarot tem a estrutura específica de 72 duas cartas divididas entre Arcanos Maiores e Arcanos Menores. É possível os nomes das cartas dos Arcanos Menores (e até maiores) serem mudados ao gosto do artista porém a estrutura mantém-se a mesma tal como os significados e mensagens.
  • Oráculos: Um baralho de oráculo é algo muito mais fluído e que pode depender do próprio artista. Existem baralhos de oráculos com 52 cartas, com 68 cartas, etc. Por norma os mesmos vêem acompanhados de livros e manuais que auxiliam o praticante a entender o significado de cada carta.
  • Baralhos de Anjos: Tal como os oráculos, os Baralhos de Anjos dependem do próprio criador (sendo que os mais famosos são os da Doreen Virtue) e o seu significado irá depender também do próprio artista, costumando vir acompanhados de um pequeno livro de instruções. É um método mais voltado para mensagens de apoio e de orientação e não tanto voltado para a vertente divinatória.
  • Lenormand: Este é um método em que os baralhos são constituídos por 36 cartas com imagens simples e com significados muito específicos (o oposto do Tarot, cujas cartas deixam um pouco à corrente de quem está a ler e são adaptáveis a cada situação). É um método específico e com aprendizagem diferente do Tarot normal.
Ao longo das próximas semanas iremos disponibilizar artigos referentes aos seguintes temas:

  • - O Baralho de Thoth vs O Baralho de Rider-Waite
  • - A História do Tarot
  • - Como Escolher um Baralho
  • - Métodos de Lançamento de Tarot
  • - Os Arcanos Maiores (incluindo um artigo para cada arcano maior)
  • - Os Arcanos Menores (incluido um artigo para cada naipe de arcano menor)

Estejam atentos e não percam esta série de artigos fascinantes!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Roda do Ano - Samhain

Data Tradicional: 31 de Outubro (No Hemisfério Norte) e 1 de Maio (No Hemisfério Sul)

Data Astrológica: Sol a 15º de Escorpião (HN) ou Sol a 15º de Touro (HS)

Samhain (pronuncia-se “sou-en”) é também denominado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita. Samhain é considerado um dos mais importantes festivais Wiccanos, sendo também dos mais antigos, ao lado de Beltaine. Para além disto, Samhain é também o fim e o começo de um novo Ano Celta (os anos eram considerados cíclicos).

Samhain realiza-se quando o Sol está a 15º de Escorpião (no Hemisfério Norte) e a 15º de Touro (no Hemisfério Sul). Pode também ser celebrado na data tradicional que é 1 de Maio (Hemisfério Sul) e 31 de Outubro (no Hemisfério Norte).

Samhain é um dos Sabbats mais controversos que temos. Conhecido normalmente como “Dia das Bruxas”, os seus costumes foram adoptados pelos Cristãos e usados para a criação do “Dia de Todos os Santos”, em honra aos mortos.

A noite de 30 de Abril é uma noite de vigília e de contacto com o tempo sem tempo e com o “Outro Mundo”, no qual os mortos chegam ao contacto com os vivos. Partilham-se alimentos e bebidas com os nossos antepassados, em banquetes dedicados a eles. É uma noite límbica, em que o véu que separa os dois Mundos, se torna ténue. A Meia-Noite é a hora sagrada desta celebração, honrando ano, que passou e que volta a surgir de novo. Devido a esse motivo, esta era a hora especialmente utilizada para o contacto com as divindades do Submundo.

Divindades que se tornam presentes neste Sabbat são Hécate, a Senhora das Encruzilhadas, e Atégina-Proserpina, divindade de que falam as aras romanas hispânicas. A Deusa surge na sua faceta negra, como intermediária dos dois planos.

Também o caldeirão toma um papel importante nesta celebração, sendo encarado como o local que tudo nutre. Para além de ser o símbolo do ventre da Deusa, é também o contentor do alimento para o corpo e o espírito, para o físico e o não físico. É nesta noite que se vertem líquidos para o caldeirão, como a queimada galega (uma bebida alcoólica típica da Galiza, elaborada com aguardente queimada, açúcar, aos quais geralmente é adicionada também casca de limão ou laranja) e o fruto que representa o alimento dos mortos, numa perspectiva de renascimento: A Maçã.

Em Portugal, existia (e ainda se crê existir) uma antiga tradição que eu acho interessante. Na noite de 31 de Outubro, em que se velava os mortos, em que a sua protecção era chamada de novo para o lar, como bênçãos dos antepassados, as famílias depositavam à porta de casa, uma cesta de verga cheia de grãos de milho. Nestas cestas, enterravam também uma vela, que era acesa como guia para as almas. Para além dos grãos e da vela, era também colocada uma espiga, seca e poupada ao malho, que representava a crença na evolução do ciclo de vida. Ao lado da cesta era colocado um balde de barro ou metal cheio de vinho maduro, destinado ao brinde da noite, aquele de quem revê um amigo ou um familiar partido há muito. Estes alimentos e bebida só eram retirados no dia 2 de Novembro. Esta tradição pode ser adaptada para o Hemisfério Sul.

Uma figura bastante conhecida e presente neste festival é o João Laterna ou Jack O’Latern, a famosa abóbora escada e iluminada por uma vela que já se tornou tradição nesta altura. A abóbora é um fruto da época e é um símbolo dourado do Sol e que é, ainda hoje, neste dia convertida em sopa e doce para o Inverno, sendo depois retomada nas iguarias de Yule.

O Altar deve ser decorado com cores escuras e características da face Anciã da Deusa (pretos, vermelhos escuros, laranjas. O caldeirão é essencial num altar desta festividade. Alguns métodos divinatórios também, já que esta é uma noite propicia para eles. Fotografias dos Antepassados, abóboras, maçãs… tudo isso é bem-vindo num altar de Samhain!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Bruxaria de Cozinha


Uma das partes favoritas da minha prática mágica é a Magia de Cozinha! Apesar de ainda estar apenas a começar neste caminho é sem dúvida das partes que mais adoro e que acredito que tem imenso potencial e, também, é acessível a todos os praticantes que a queiram experimentar! Afinal de contas, todos cozinhamos a certa altura certo?

Ora bem a Bruxaria de Cozinha ou Magia de Cozinha é algo fantástico e que pode ser utilizada de diversas maneiras. Basicamente uma Bruxa de Cozinha utiliza a cozinha como seu ponto fulcral de trabalho. Algumas coisas que podem ser feitas como Bruxa de Cozinha será, por exemplo, ter um altar na cozinha. Um pequeno altar, com coisas que podem ser facilmente movidas. Talvez uma estatua ou figura de uma divindade relacionada com o Lar (O Lar acaba por ser uma parte fulcral da Bruxaria de Cozinha), um caldeirão, uma vela. Ou até algo artesanal, feito pelo próprio praticante. Bruxaria de Cozinha é muito de "por mãos à obra", inovar, criar novas coisas com o pouco que há à disposição. É também uma forma de magia muito simples ou Baixa Magia como também é considerada, pois não requer rituais complexos mas sim pequenas magias eficazes. É uma prática excelente para ter em paralelo a uma prática mais complexa, para quem preferir. Ou, para quem gostar mais de coisas simples, para ser o único caminho a traçar.

Uma das principais mais-valias de uma Bruxa de Cozinha são ervas e plantas! Se tiver possibilidade pode até plantar as suas próprias plantas, cuidar delas e colher as suas ervas delas mesmo (respeitando os ciclos naturais das plantas e até beneficiando das correspondências astrológicas se preferir!) para usar nos seus pratos ou nos seus feitiços. Pode colocá-las em jarros ou penduradas a secar por cima da cozinha. Evite colocá-las em luz directa do Sol ou demasiado perto do forno ou fogão, para não secarem demasiado e perderem as suas propriedades. Vegetais também são excelentes! Não só porque são muito saudáveis para uma dieta equilibrada mas também porque são originários da própria Natureza, tornando-os bons aliados.

A cozinha de uma Bruxa de Cozinha funciona como um pequeno templo. Deverá ser organizado (à maneira do próprio praticante, o que interessa é que o praticante se organize. O que parece desorganizado para uns é a organização de outros!) e limpo. Deve ser um espaço respeitado e deverá garantir que as energias presentes no local são positivas e de acordo com o seu trabalho (evite discussões ou conflitos naquela zona da casa). Pode até investigar um pouco sobre Feng Shui ou outras técnicas de harmonização de espaços para auxiliar a manter um espaço equilibrado energeticamente.

A decoração, apesar de secundária, pode ser essencial. Decore o espaço como preferir. Se adorar frascos (como eu!) arranje vários para as suas ervas, sementes, alimentos, etc e coloque-os numa estante onde consiga ter acesso e, ao mesmo tempo, fiquem de acordo com o seu gosto. Pinte as paredes ou os móveis de cores cujas propriedades estejam alinhadas com o seu trabalho e objectivo e que, ao mesmo tempo, sejam cores que goste e nas quais se sinta confortável. Algumas recomendações, a nível de cor, são cores associadas à Terra como castanhos, laranjas, amarelos, verdes, etc. Pendure quadros, ervas, estátuas, velas, incensos, etc. Tudo o que gostar no seu espaço de trabalho e que ajude a realizar as suas tarefas (mágicas e não mágicas).

Outro ponto importante na prática de uma Bruxa de Cozinha é o livro de Receitas! Para além do seu Livro das Sombras, onde já aponta normalmente todas as informações referente à sua prática mágica, é sempre recomendável ter um livro à parte para as suas receitas (quer alimentar quer mágicas). Os seus testes com poções e ervas ou com comidas enfeitiçadas, as receitas de óleos, incensos, chás, sumos, etc. Organize as suas experiências marcando o que funcionou e o que falhou (e porque falhou, como melhorar, etc.). Manter um registo é essencial para qualquer Bruxo de forma a que possa não só assistir à sua evolução mas também para ter mais fácil acesso a rituais, feitiços ou qualquer coisa que tenha feito no passado.

Depois, o mais essencial de tudo, pratique. Utilize a Magia da Cozinha no seu dia-a-dia, experimente, teste, descubra! Utilize ervas e as suas propriedades mágicas nos seus pratos, quando misturar bebidas (chá, chocolate quente, sumo natural, etc.) ou até panelas de comida misture sempre na direcção que irá ajudar mais para o objectivo (p. ex: um chá para ajudar a banir uma doença poderá misturar contra os ponteiros do relógio mas uns bolinhos para trazer prosperidade e alegria já pode mexer no sentido dos ponteiros do relógio). Se estiver a cozinhar com óleo ou azeite pode desenhar sigilos. Pode desenhar sigilos nos condimentos das sandes que leva para o trabalho ou que os seus filhos levam para a escola. Quando cozinhar pão ou bolachas pode adicionar ervas que correspondam às suas necessidades mágicas. Pode utilizar o mel para auxiliar a melhorar relações pessoais com familiares ou amigos. Existem imensas formas de aplicar a Magia de Cozinha na sua prática e todas elas são deliciosas de por em prática (em ambos os sentidos!).

Apesar de ser uma forma de Magia muito prática e simples (e, por esse motivo, às vezes é olhada de lado) é uma forma de Magia totalmente válida. Aconselho todos os interessados a experimentar e testar algumas receitas. De vez em quando colocamos várias receitas aqui no blogue, basta clicar no tema de Receitas. Pode também pesquisar online, existem imensos websites (principalmente em inglês) dedicados à Bruxaria de Cozinha (Kitchen Witchcraft), acima de tudo, no Tumblr existem imensos blogues dedicados a este ramo da Bruxaria.
 
Inove, experimente, teste, descubra! Quem sabe até vai gostar? :)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Autoconhecimento como Ferramenta do Bruxo


O Bruxo tem ao seu dispor várias ferramentas com as quais pode trabalhar e das quais pode tirar inúmeros benefícios mas, uma das ferramentas mais importantes para o seu trabalho, é o autoconhecimento. Um bom Bruxo deve-se conhecer a si mesmo acima de tudo, entender como ele próprio funciona, o bom e o mau. O trabalho com o que muitos chamam de "Sombra" é essencial, ou seja, o trabalho com o lado mais negro de nós próprios, com aquilo que nós recusamos acreditar ser parte de nós.

O autoconhecimento é o conhecimento de nós próprios, o que somos, o que queremos, o que gostamos, o que acreditamos ou não acreditamos, como funcionamos, como reagimos, etc. E abrange todas as áreas da nossa vida sendo que o autoconhecimento tem benefícios não só na prática da Bruxaria e da Magia mas também no nosso quotidiano. Ajuda-nos a lidar melhor com as situações e também a melhorar o nosso carácter. Se descobrimos que temos um traço muito egocêntrico e que não gostamos, o facto de admitirmos que este traço realmente existe, é já meio caminho andado para o eliminar ou para o "domar", deixando que ele esteja presente apenas nos momentos desejados.

Um Bruxo ou alguém que lide com Magia lida com o controlo das energias. Controla as energias direcionando-as para onde pretende e para a finalidade que é desejada. Mas, pensemos, como podemos nós controlar energias exteriores e não conhecermos as energias dentro de nós e não as soubermos controlar? Um Bruxo que trabalha em impulso não é um Bruxo sensato e poderá vir a arrepender-se de trabalhos feitos. Ou alguém que vive com medo de determinado aspecto poderá estar a impedir-se de estudar e trabalhar com ele apenas por medo não compreendido. Conhecer-nos a nós mesmos permite uma panóplia de soluções para problemas do dia-a-dia e, também, melhorar a nossa prática mágica.

Imaginemos o seguinte caso prático: Um Bruxo, durante os processos de autoconhecimento, começa a verificar que tem um lado bastante egoísta e possessivo. E, ao comparar com as suas relações pessoais anteriores e com as suas atitudes, verifica que esse lado acaba por prejudicar as amizades ou relações amorosas ou até as relações familiares. O facto de se aperceber que esse lado existe e de admitir que ele está lá vai permitir que ele possa tomar medidas preventivas e começar a iniciar o controlo dessa característica.

E, ter controlo de nós mesmos, é outra excelente ferramenta de um Bruxo. Claro que todos temos impulsos, de quando estamos zangados ou tristes, de fazer ritos ou feitiços para determinado propósito mas essa decisão não deve ser tomada de cabeça quente. É necessário ter controlo, pesar os prós e contras e, com todo o conhecimento das consequências e com o devido controlo da situação, tomar a acção desejada. Se formos tomar uma acção sem ter controlo da mesma nem dos nossos sentimentos e sensações apesar de ser poderoso (dada toda a energia crua que entra em jogo) é também perigoso. Perigoso por o que está a ser feito e pela forma como está a ser feito.

O autoconhecimento permite-nos chegar ao autocontrole. E permite também conhecer melhor quem somos e melhorarmos quem queremos ser. Mudar-nos a nós mesmos, através do conhecimento. E esse é também um dos objectivos da Bruxaria. Aliás um dos textos famosos na Internet relacionado com a Bruxaria Moderna é as 13 Metas de uma Bruxa (principalmente associada à prática Wiccana mas pode ser adoptada por outros que assim o desejem):

  1. Conhecer-se a si mesma/o
  2. Conhecer a sua Arte
  3. Aprender
  4. Aplicar o conhecimento com sabedoria
  5. Manter o equilíbrio
  6. Manter as suas palavras em ordem
  7. Manter os seus pensamentos em ordem
  8. Celebrar a vida
  9. Sintonizar-se com os ciclos da Terra
  10. Respirar e comer corretamente
  11. Exercitar o corpo
  12. Meditar
  13. Honrar a Deusa e o Deus
E, como podem verificar, a primeira meta indica exactamente isso: "Conhecer-se a si mesma/o". É um dos pilares do trabalho de um Bruxo.

Para iniciar o processo de autoconhecimento costumo recomendar algo muito simples. Arranje um papel e escreva tudo o que sabe sobre si. Quem é, onde mora, onde nasceu, data de nascimento, hora de nascimento, nome, gostos, preferências, coisas que não gosta, momentos que marcaram, memórias importantes, defeitos, qualidades, medos, etc. Tudo o que se consiga lembrar. E leia, interiorize. Medite na informação que recolheu. Agora pense nas coisas que faz. Atitudes que tenha feito recentemente, boas e más. Discussões que teve, conflitos, festas, momentos felizes, momentos tristes, etc. Pense nas atitudes que teve, como reagiu, o que pensou. Aponte tudo isso e medite. Veja se essas atitudes coincidem com o que escreveu antes e com a imagem que tem de si. O que mudou? O que é diferente? Medite sobre isso. Medite sobre quem é. Só isto já será metade do percurso.

Posteriormente poderá consultar online ou através de bibliografia mais sobre o trabalho do Auto-conhecimento ou até do trabalho com a Sombra, participar em workshops ou cursos e melhorar cada vez mais. O mundo está ao seu alcance, basta esticar a mão.